Sobre essa tal desconstrução!

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Tenho reservado um tempo para mim, para os meus pensamentos, pra colocar algumas coisas aqui dentro dessa cachola no lugar. Tomei essa decisão desde que percebi o quanto preciso me desconstruir, quanto mais me aprofundo em assuntos como feminismo, machismo, preconceito, homofobia, racismo e patriarcado mais percebo o quanto ainda preciso desfazer dos conceitos que me formam. Diferente do que muitos pensam, desconstruir não significa destruir, mas sim desmontar e decompor, se bem que, em alguns aspectos, acredito que seria melhor destruir mesmo…rsrsrs…é como uma renovação de mente mesmo, é se transformar, evoluir, crescer, muito melhor do que muita gente julga

Mas enfim, há algumas semanas atrás passei por algumas situações, coisas pessoais, que me levaram a perceber o quanto preciso me desmontar, me desconstruir mesmo. Nessas situações percebi o quanto o machismo e o patriarcado ainda estão impregnados em mim, como ainda faço uso de conceitos e discursos preconceituosos, machistas e, às vezes, até misóginos, como eu preciso me desconstruir. e como tenho vergonha de tudo isso. Mas também percebi que não estou tão mal assim, pelo menos pude enxergar que preciso mudar minha forma de pensar, de enxergar e ouvir o outro e até a mim mesma.

Às vezes me pego calada ou falando comigo mesma, me criticando, me condenando por alguma palavra que disse, atitude que tomei ou alguma reação que tive, me pego sendo machista e patriarcal comigo mesma e percebo o quanto essa tal desconstrução leva tempo. E daí penso: “Logo eu, que me sinto tão livre, estou me condenando assim?! Porque?”

Porque somos construídos assim, em família, na escola, entre os amigos, na comunidade, é como se alguém ou algum grupo tivesse criado a forma correta de viver em sociedade, uma forma que fosse saudável e organizada, mas não, essa forma é tão mal, tão preconceituosa às vezes, quase sempre. Daí alguns acreditam que sem essa “ordem” estaríamos todos “bagunçados”, que se “tudo for aceito e visto como normal” teremos problemas. Sério? Será? Acho que pior do que está não dá pra ficar.

Veja bem, toda essa ordem social, esses padrões que “devem ser seguidos”, esses bons modos que as mulheres devem ter e essa forma toda moralista de se viver só tem formado, por incrível que pareça, falsos moralistas e hipócritas, que julgam e condenam qualquer que fuja aos padrões impostos. Não estou aqui para ir contra crenças, religiões, esse tipo de coisa, mas para ir contra padrões, contra essa coisa de impor ao outro o que é certo e o que é errado. 

Somos seres humanos, indivíduos, pensantes, então não dá pra padronizar, cada um é único, cada um pensa de uma forma, cada um sente de um jeito e cada um deve ser respeitado na sua particularidade. E o auto-respeito (existe essa termo?) é essencial para uma vida bem vivida, quando me pego me julgando, me condenando, percebo que não estou me respeitando, estou apenas seguindo algo para o qual fui programada à seguir, entende o que estou querendo dizer?

Sou mulher, mãe de três crianças e na casa dos trinta, e daí quando percebo estou usando o discurso “mas uma mulher da sua idade, nas suas condições, fazendo isso?”, e é aí que entra essa tal desconstrução, ela entra quando me confronto com um “SIM, ESSA MULHER ESTÁ MESMO FAZENDO ISSO E SE SENTINDO BEM COM ISSO E QUEM É QUE DEFINIU SE PODE/DEVE OU NÃO FAZER?”. Esse meu desmontar está em me questionar, em me confrontar, para que eu me sinta livre para ser eu mesma sem medo, para tomar as minhas decisões, para me permitir sentir os sentimentos que estão aqui dentro, para falar o que está entalado, para dar aquela risada alta em público, para falar o que penso, para discutir, para expor as minhas vontades, para ser eu mesma, para ser aceita por mim mesma.

Com todo esse processo que estou me permitindo passar tenho entendido que posso ser eu mesma, me repeitar no que sou e como vivo/penso, que não preciso mais seguir o padrão, afinal de contas, nunca fui muito boa em seguir padrões. Não tem sido muito fácil, tem sido um processo diário, mas que tem me tornado uma pessoa melhor, mais leve e com mais liberdade para ser eu mesma e para criar meus filhos “desconstruídos”, com liberdade para serem apenas quem são, com liberdade para questionar, pensar e viver. 

Eu não sou e nem quero ser igual à eles – por Larissa de Luna

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Desde que comecei a conhecer e aprender sobre o feminismo entendi que ele era a busca pela igualdade, mas como sigo buscando informação, aprendendo e conhecendo e entendendo e me desconstruindo aprendi mais, entendi que vai além, que não buscamos igualdade por igualdade, porque não queremos ser iguais, não, não basta, porque não somos iguais. É preciso problematizar essa luta por igualdade, é preciso repensá-la, e nessa busca por conhecimento encontrei um texto que descreve muito bem tudo isso que estou tentando falar, então vem comigo!!!

“Porque a frase “O feminismo luta por igualdade” deve ser problematizada:

“Muita gente quando entra pra valer no movimento se depara logo de cara com a perspectiva liberal. O feminismo parece mulheres nas ruas de mãos dadas a homens cantando We Are The World. As imagens compartilhadas no facebook são ilustrações que diziam que feminismo é a mulher ser igual ao homem. Esse feminismo fez, faz e sempre fara mulheres se sentirem no mundo da Disney. Lindo, ponderado, porém mentiroso.

Mas esse liberalismo dura até o dia em que você decide lutar de forma direta (já que mulheres lutam desde sempre contra sua própria socialização), e quando a gente luta, é contra algo. E ai dentro dessa batalha toda você da de frente com a sua oposição, que não só é o patriarcado, mas uma classe inteira. Classe essa, masculina.

Nesse momento sua perspectiva de igualdade se altera. Frases que você ouve as modificam:
“Quer igualdade? lute pelo alistamento militar obrigatório!”
“Quer igualdade? lute contra a lei maria da penha!”
“Quer igualdade? Então não reclama quando apanhar. Homem apanha, então porque mulher também não pode?”
“Quer igualdade? comece chamando homem na rua de gostoso”
“Quer igualdade? Então comece vindo me estuprar”
E é exatamente isso o significado de igualdade pra uma classe agressora. Não é acabar com a violência, é todo mundo pratica-la. Não é acabar com uma batalha inteira de classe, é dar o direito de todo mundo se espancar. Não é acabar com a agressão, é todo mundo agredir. Não é os homens chegarem ao percentual de menos de 10% de toda criminalidade do mundo pertencente as mulheres, é dar o direito das mulheres de chegarem aos mais de 90% atualmente pertencido aos homens.
Eu não luto por igualdade porque eu não quero ser isso. Porque eu não quero esse papel pra mim.

A ideia de igualdade não significa mais DIREITOS iguais, e se você acreditar que sim, usarão contra você. Irão se auto-permitir o direito da violência, mais do que ela ocorre hoje em dia. Eu não quero alistamento obrigatório pra ninguém. Eu não quero que a maria da penha exista, assim como eu também não queria que ela se fizesse necessária. Eu não quero que homens apanhem de mulheres, assim como eu nunca quis que mulheres apanhassem de homens. Mas isso nunca foi uma escolha. Eu não quero que a violência seja modificada, eu quero que ela seja abolida. Mas talvez a socialização dada aos homens não permita a eles essa perspectiva.

Porque gênero é isso, é socialização, é pra um submissão e pra outro demonstração de poder. É acima de tudo, hierarquia. Nunca poderia existir igualdade, porque o gênero já é criado exatamente para ser desigual. E se essa igualdade fosse possível não seria desejável, primeiramente porque mulheres ativistas não estão em busca de estar acima da piramide, mas de uma suposta horizontalidade, então não seria igualdade porque não teria nenhuma outra classe para se basear. E segundo porque a classe masculina não está disposta a abrir mão do poder que exerce.

Minha luta é por emancipação, liberdade, empoderamento feminino e pelo fim de todo e qualquer tipo de violência. Não tem mais espaço pra igualdade nela. Se alguém tivesse que se espelhar em um gênero para querer ser igual a ele, teria que ser os homens, não nós.

Então não digam que o feminismo significa “mulher = homem”, Isso não é feminismo, isso é assimilação.

E eu não sou e nem quero ser igual a eles.”

Via – Larissa de Luna 

Vamos passear?

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Uma vez fiz um vídeo enquanto caminhava e slingava com a Maria mostrando que é totalmente possível manter uma rotina, até mesmo se exercitar usando sling’s. Os sling’s, carregadores para bebês, estão aí para isso, eles são totalmente benéficos, aconchegam a criança no colo a deixando calma, diminuem a ansiedade de separação, cólicas, auxiliam até no desenvolvimento motor e equilíbrio dos bebês, mas também ajudam cuidadores à manter sua rotina. Quando digo cuidadores me refiro à mamães, papais, avós, titios, irmãxs mais velhos, uso esse termo porque acho que slingar é para todos e não quero limitar esse momento tão gostoso às mamães (me desculpem, mamães…rsrsrs). 

É claro que nós, mamães, slingamos muito e isso é bom e necessário, uma mãe que slinga seu bebê desde o nascimento consegue experimentar todos os prazeres extra gestacionais, a slingada ajuda no sucesso da amamentação, é um método para combater a depressão pós parto, e permite que o cuidador desenvolva outras atividades, como cuidar de outrxs crianças, de bichinhxs de estimação, dar “aquela ajeitada” na casa, sair para passear. 

E é sobre sair para passear que quero falar. A SlingaBaby está fazendo um aninho e nesse um ano muito coisa aconteceu, conheci muitas mamães, ajudei cuidadores nos cuidados com seus bebês, auxiliei e incentivei muito o uso de sling’s e, diariamente, recebo mensagens de carinho desses tantos cuidadores, mensagens de gratidão, mas quem fica com o coração cheinho de gratidão sou eu…é muito bom saber que o foco está sendo mantido e a meta tem sido alcançada. Como sempre digo, a SlingaBaby está aqui para oferecer algo que vai além de um pedaço de pano, nós produzimos paninho de amor, entregamos carinho, proporcionamos colinho aos bebês e cuidadores.

Então, para comemorar esse primeiro ano de SlingaBaby realizaremos a primeira Slinganda SlingaBaby no Parque do Sabiá, na cidade de Uberlândia, que acontecerá no dia 18 de julho de 2015, às 09h, você pode até confirmar presença aqui no nosso envento. Será um passeio para promover interação entre cuidadores e bebês que fazem uso de sling’s, para que possamos nos conhecer, bater um bom papo, estarei ali à disposição para tirar dúvidas referentes ao uso de sling’s e também levarei alguns SlingaBaby, caso alguém tenha interesse. Além disso teremos também uma demonstração de dança com bebês, com a Ana Cândida Zanesco.

Será um momento muito gostoso, simples e que ira proporcionar à todos nós a possibilidade de interação com outrxs slingureirxs e, quem sabe, isso vire uma rotina na nossa cidade. Então, no dia 18 de Julho espero vocês e seus bebês lá no Parque do Sabiá, às 09h.

Até logo!

O sling e a depressão pós parto!

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Texto original de Scary Mommy
Em tradução livre pela Sampa Sling

Eu sou uma grande defensora das crianças. Fui babá, cuidadora, olhei bebês brincando, brinquei com eles, entreti e amei bebês de todas as idades. As crianças falam ao meu coração. E em 16 de fevereiro de 2013, foi-me dado o maior presente de todos .. meu próprio bebê. Meu próprio amorzinho! Mas eu nunca esperava que fosse acontecer do jeito que aconteceu.

Quando minha filha nasceu, eu tive um parto traumático, e ela estava na Unidade de Tratamento Intensivo. Passamos as primeiras 16 horas de sua vida separadas. Assim que estávamos juntas, eu estava pronta para sentir o amor, a alegria, a explosão de emoção. Eu estava antecipando esse momento. Eu tinha sonhado com isso .. Mas, em seguida, eles colocaram a minha menina em meus braços .. e embora eu estivesse aproveitando .. esses sentimentos nunca vieram.

Eu desconsiderei isso e fomos para casa. Depois de vários dias em branco, a escuridão veio. Houve muitas lágrimas, muita tristeza, mas eu sempre ouvia “É normal. É o baby blues. Você vai ficar bem em breve.”

Era uma quinta-feira. Eu mal tinha cuidado do meu recém-nascido. Eu não pude. Tocá-la, sabendo que minha eu interior quebrada e incapaz estava no comando dessa coisa indefesa .. que eu tinha que satisfazer suas necessidades e que eu era responsável por sua segurança … isso me quebrou. Eu não sei como, porquê ou onde a quebra aconteceu naquele momento. Eu ainda não sei. Eu tirava leite, eu amamentava quando eu conseguia tolerar, e me sentava no canto da sala, chorando, enquanto meu incrível marido cuidava da nossa filha.

Naquela quinta-feira, eu me abri. Eu disse ao meu marido que eu estava pensando. Eu não queria essa vida. Se esta foi a minha única opção, eu não queria estar aqui. Eu queria morrer, e eu descobri como eu faria isso. Recitei, em detalhes, a forma com que eu acabaria com a minha vida. Eu assisti a cor do rosto de meu marido sumir. Ele imediatamente conseguiu alguém para cuidar de nossa filha e me levou para o consultório médico. Meu peso. Minha altura. Minha pressão arterial. Uma pesquisa. Eu preenchi o formulário, respondi claramente, sem rodeios, e disse-lhes as coisas que eu tinha considerado. Não, eu não queria ferir meu bebê. Não, eu não tinha ferido o meu bebê. Não, eu não tinha me machucado. Sim, eu provavelmente iria me machucar. Eu deitei na mesa de exame em posição fetal. Minha parteira entrou e chorou comigo. Ela me abraçou, acariciou meu cabelo e me diagnosticou com depressão pós-parto.

As semanas seguintes foram um turbilhão de lágrimas, eu tinha os mesmos sentimentos por mim, lutando contra a voz que me dizia que eu não queria viver. Medicamentos. Médicos. Lágrimas. Lava, enxagua, repete. Após duas semanas, eu estava finalmente no controle de mim mesma, tanto quanto ainda temendo a auto-mutilação. Esses pensamentos ainda estavam lá, mas eles eram apenas pensamentos. Eu ainda lutava para estar no mesmo quarto que a minha filha. Eu acariciava seu cabelo macio, ou suas bochechas rechonchudas, beijava sua cabeça e era bombardeada com um sentimento de falha que me tirava o fôlego. Não existe inferno mais fresco como estar emocionalmente indisponível para amar o seu próprio filho, então eu comecei pesquisando formas de vínculo com uma criança que você não podia tocar.

Que coisa estranha para pesquisar. Mas isso é o que eu encontrei: Babywearing.

A arte de séculos de idade. Algo que é natural e inata de uma mãe, de querer estar perto de seus filhotes. Mulheres de todo o mundo slingam os seus bebês. Diferentes maneiras, por diferentes razões, mas o mesmo belo resultado – um bebê que é seguro, apegado a mãe, e consciente. Um bebê que experimenta a vida e é ensinado que eles são importantes e as suas necessidades serão satisfeitas, ao mesmo tempo que aprendem que o mundo acontece em volta e, apesar deles, não só para eles. Uma coisa linda. Uma ferramenta para realizar coisas, para ensinar, para amar, para nutrir. E, em alguns casos, para curar. Salvar.

Eu li, li, li. Enchi minha mente com o conhecimento. E com o meu marido perto do meu lado para me salvar quando tudo era demais para mim, eu pegava o sling eu tinha ganhado e praticava usando-o com meu gato.

Quando minha filha tinha três semanas de idade, eu a coloquei no sling pela primeira vez. E foi surpreendentemente estranho. Meu corpo inteiro estava elétrico em tocar essa pequena pessoa, mas eu ainda tinha as minhas mãos para me sentir “livre”. E pela primeira vez, enquanto eu segurava esta pequena pessoa sem segurar-la, ela se aconchegou em mim e adormeceu. Embora eu tivesse recuperando o controle de mim mesma, este foi o primeiro sinal de progresso que *eu* senti. Esperança. Um pequeno, minúsculo, muito fraco, mas definitivamente vivo, pingo de esperança. Uma luz no fim do meu túnel completamente escuro.

Pela maior quantidade de tempo possível, quantas muitas vezes por dia eu conseguisse, eu slingava cuidadosamente a minha menina, e fazia minhas coisas. Quando eu ficava mal, meu marido viria em meu socorro, ele fazia os cuidados básicos que eu ainda não era capaz de fazer. Mas todos os dias, cada vez que eu pegava aquele pano e o amarrava em mim, toda vez que meu bebê doce suspirou e se aconchegou em mim, feliz por estar perto de mim, aquele pouco pingo de esperança cresceu e se expandiu. O sling estava preenchendo o vazio. Eu ocupei minha mente e me distraí enquanto meu corpo tinha o que estava almejando, e deixei este artigo de pano criar uma ponte entre a minha mente e meu coração quebrado. Entre a minha antiga vida e meu novo eu. Entre o meu doce bebê, e meu desesperado ser.

Eu comprei o meu primeiro sling no primeiro dia em que eu era capaz de fornecer cuidados para a minha filha. Foi uma recompensa para mim. A recompensa, um lembrete. Meu ”Kokadi Teo Stars” foi uma bela etapa, e para mim, pode muito bem ter sido uma medalha de ouro olímpica. Ele começou uma nova obsessão e ajudou a desenvolver e aperfeiçoar essa ponte .. a ponte entre a minha mente agora bem menos quebrada, e meu coração. As vidas que eu estava agora fundindo em uma bela harmonia. Quatro semanas se passaram desde que eu amarrei meu bebezinho no meu peito e não entrei em pânico. Enquanto eu cuidadosamente (embora de forma descuidada) envolvia o meu bebê nesse novo sling, ela olhou para mim e sorriu.

Aquele sorriso. O fio de esperança que soprou no túnel aberto. Esse sling, aquele sorriso, aquele momento. A minha filha tinha 7 semanas de idade no dia em que me tornei mãe. Tudo graças ao babywearing. Para alguns, é conveniência. Para alguns, é sanidade. Para mim, é um salva-vidas. Meus slings podem ser “peças caras de pano” ou “exagerados” ou “engenhocas estranhas” para alguns. Mas a capacidade de sentir a minha filha fisicamente perto de mim enquanto eu poderia me distrair com segurança .. bem, para mim, não tem preço.

Não há nada de ruim sobre a depressão pós-parto, com exceção de como ela faz você se sentir, e como os outros fazem você se sentir sobre isso. Você não fez nada para merecer isso, você não é uma má mãe. E todo mundo tem seus problemas. Essa era o meu. Isso me mudou. Então, para uma mãe com depressão pós-parto, uma mãe com os braços cansados, uma mãe com uma enorme necessidade de apenas esfregar a porcaria do chão porque isso é NORMAL, e você esqueceu o que é isso .. Slingue seu bebê. De qualquer forma, em qualquer lugar, sempre que quiser. Você nunca sabe como isso pode te mudar.

O moralismo hipócrita nosso de cada dia!

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Não me contive!

Desde o começo do verão, no ano passado, fiquei questionando sobre a propaganda de uma tal cerveja que mostrava uma moça chamada Verão, muito bonita por sinal, onde os homens “babavam” como idiotas chamando o “Verão”. Entendo que alguns homens se sintam SUPER MACHOS prestando esse papel de velhos babões, parece que foram criados para isso. Entendam, eu disse ALGUNS HOMENS, porque tantos outros são homens de verdade e, por mais que achem uma mulher um escândalo de linda sabem se conter e não ficam fazendo papel de idiotas, como se fosse um cachorro faminto olhando para um forno assando frangos.

Acontece que, por mais que a propaganda me irritasse profundamente, pode chamar de recalque se quiser, eu vejo apenas como um desprezo à essa objetificação do corpo humano, nesse caso, o corpo de uma mulher, nunca havia escrito nada sobre porque acho que os “velhos babões” existentes por aí merecem o direito de ser representados, fazendo papéis de idiota perante uma objetificação que nada mais faz do que reforçar que nós, mulheres, somos apenas objeto para o macho alfa…urgh…esse discurso me dá ânsia!

Ok! O verão passou, mas a propaganda continua no ar, deixando bem claro que, ainda hoje, a mulher é um objeto, alguns homens adoram fazer papel de babões e que o sistema publicitário tem se esforçado ao máximo para tornar a mídia cada vez mais machista, misógina e incentivadora da cultura do estupro. Não tente me convencer do contrário porque essas propagandas conseguem deixar bem claro como vêem a mulher.

Mas o problema ainda não é esse! A questão é que quando a propaganda foi ao ar nenhum moralista hipócrita religioso se pronunciou, e até hoje, nenhum deles se pronunciou, à esse respeito. Agora te pergunto: PORQUE? Você entende onde quero chegar? Quero dizer apenas que eles são os velhos babões! Sim, vejo todos esses moralistas ai como velhos babões, que adoram ver a propaganda do Verão e não enxergam motivo para boicotá-la.

Mas no momento, o que mais me irrita é que uma propaganda que mostra apenas o amor entre as pessoas gerou uma polêmica ridícula e idiota vinda desses religiosos moralistas, alguns fizeram até vídeozinhos se dizendo chocados com a propaganda. Essa choca, néah!? E o senhor quer tirar ela do ar, néah!? Mas a do Verão a gente deixa, afinal de contas…(olha, tô que tô fervendo nesse momento).

Agora a notícia que vejo é que o conselho de publicidade, o famoso CONAR, está analisando a denúncia e cogitando tirar a propaganda do ar, sabe porque? Porque a publicidade no nosso país é machista, preconceituosa, moralista e hipócrita.

Quantas mães lutam pela infância livre  de consumismo dos seus filhos, contra as propagandas abusivas que tentam enfiar produtos totalmente desnecessários nas nossas crianças, e nada do CONAR se pronunciar, e quando se pronuncia é para deixar claro que analisam e não acreditam que aquilo seja abusivo. Quantas feministas têm lutado contra a objetificação do nosso corpo, que incentiva sim o machismo, a misoginia, o padrão estético inatingível, a cultura do estupro na nossa sociedade e nunca recebemos um pronunciamento desse conselho.

Mas agora que os falsos moralistas se irritaram com a demonstração de amor, e eu queria saber porque tanto medo por causa do afeto demonstrado por pessoas que se amam, vai rolar toda uma análise do conselho e uma única coisa explica isso: ESTAMOS MUITO LONGE DE EVOLUIR.

A propaganda do Dia dos Namorados que está causando toda essa polêmica ficou bonita, mas nada demais, mostra apenas que toda forma de amar vale a pena. Acho que por ser quem sou não consigo ver problema nas demonstrações de amor, sinto muito. Já as propagandas que nos objetificam, essas sim deveriam ser analisadas à fundo, porque só quando isso acontecer nós, mulheres, passaremos a ser respeitadas como seres humanos.

Para você que está lutando contra o amor, contra as demonstrações de afeto, tenho algo a questionar, porque você não luta em favor dos seus iguais? Porque você não luta em favor do direito à uma infância livre de consumismo, em favor das mulheres que são objetificadas e sofrem as consequências disso diariamente, em suas relações pessoais, andando pelas ruas? Porque você não luta em favor daquilo que realmente vale importa?

Criação com apego só faz mal quando falta!

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Criação com apego só é um problema em duas situações: Quando falta e quando incomoda à terceiros! Isso mesmo, muito cuidado, porque você pode ter problemas quando proporcionar ao seu filho uma criação com apego. Problemas com ele? Não, problemas com terceiros que são, no geral, palpiteiros e ditadores de regras e cartilhas a serem seguidas na maternidade.

Criar com apego, oferecer colo, livre demanda de mamadas, cama compartilhada, abuso no uso de sling, beijinhos e muito amor não geram problemas à quem está envolvido de fato com a criação, mas geram muitos questionamentos e críticas vindas de terceiros que, na verdade, nada tem a ver com a criação do seu filho, já que são pessoas que, surpreendentemente, nunca te deram um pacote de fraldas.

Pensa aqui comigo! O bebê é gerado dentro de um ambiente totalmente acolhedor, protegido, ele não tem necessidades, como fome, frio, dor de barriga ou sono, tudo é automático e muito simples, a natureza faz tudo para que o ambiente seja propício para a sobrevivência dele. Daí ele nasce e chega em um lugar totalmente iluminado, com muitos ruídos, passa a se sentir desprotegido, não tem mais “aperto”, é tudo muito espaçoso, muito barulhento, muito frio, muito claro, ele sente fome, sente sono e não sabe pegar no sono, sente dor de barriga, você já se colocou no lugar de um recém-nascido?

E o que as pessoas dizem é “Mas não pode acostumar esse bebê no colo, vai ficar manhoso!” “Olha, eu disse, ele já está manhoso” “Bebês precisam aprender desde cedo a dormir no berço, em quarto separado!” “Se acostumar ele no sling depois não vai querer colo de mais ninguém!” “Mas essa coisa de cama compartilhada é muito perigosa e ainda atrapalha na intimidade do casal!” “blá blá blá blá você está fazendo tudo errado!” “Ah, mas eu no seu lugar blá blá blá blá…!”

Nããããão! Está tudo errado, o bebê precisa de tempo, para aprender sobre tudo, precisa de tempo para se adaptar, para se acostumar, para se encontrar e durante esse tempo ele precisa ser acolhido, ficar agarradinho com quem o ama, mamar o peito o tempo todo, não tem hora para amamentar, a amamentação deve ser OBRIGATORIAMENTE em livre demanda, caso contrário você não terá sucesso com ela. BEBÊS NÃO MAMAM PEITO DE TRÊS EM TRÊS HORAS, ELES MAMAM QUANDO SENTEM VONTADE DE MAMAR!!! E ainda, o bebê precisa da mãe, do pai, de colo, de carinho, de aconchego, de abraço, de acolhimento.

Um bebê não fica manhoso, ele não tem consciência para isso, ele só tem necessidades que são supridas apenas com demonstração de amor. Quanto mais amor e acolhimento um bebê recebe mais calmo e seguro ele se torna, ele crescerá com a percepção de que tem um porto seguro, que tem um lugar para onde voltar, um lugar de aconchego, de acolhimento, que não é preciso ter medo porque haverá sempre um colinho.

O sling é ideal para essas primeiras etapas, ele proporciona ao bebê todo o acolhimento que ele precisa, e o adulto, tanto papais quanto mamães estão com as mãos livres enquanto dão colo. Por isso é possível dar colo o dia todo e continuar praticando as atividades do dia a dia. E além disso, os papais, quando slingam, experimentam um pouco do que é gerar um bebê, o que é carregar um bebê no dia a dia.

O colo, a livre demanda e a criação com apego só fazem mal quando faltam!!!

Criação com apego para todos os bebês já!!!

 

Respira fundo e não pira!

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Se tem uma única dica que eu daria para qualquer mãe é essa RESPIRE FUNDO, você será mãe pra sempre. E esse conselho é válido para qualquer etapa da maternidade, desde o “positivo” até sei lá quando…rsrsrs…

Você terá que aprender a respirar fundo durante os enjoos matinais, as sensações de desmaio, a prisão de ventre, as dores nas pernas, nas noites mal dormidas, quando o peso da barriga parecer não ter fim, durante as dores massacrantes nas costas e nas dores de parto.

Terá que respirar fundo durante as primeiras mamadas, quando seu bebê machucar todo seu seio por não ter a pega correta, durante as madrugadas que ele passará no seu colo, ao ouvir os palpites não solicitados e quando ele te der uma gorfada logo após a mamada.

Respire fundo ao trocar fraldas, ao ser encharcada durante um simples banho, quando ele chorar e você não souber decifrar onde dói. Durante as cólicas dos primeiros meses, durante as crises da chegada dos dentinhos, durante as febres intermináveis da primeira gripe e durante as noites que você passará velando o sono dele.

Aprenda a respirar fundo para suportar o primeiro tombo do seu bebê, para soltar as mãozinhas quando ele já se mostrar confiante para os primeiros passos, para ter paciência no dia em que ele resolver comer sozinho e sujar toda a sua copa/cozinha.

Respire fundo quando entrar no quarto e perceber que ele tirou todas as roupas do cesto ou os sapatos da sapateira, quando descobrir que ele rabiscou toda a parede da sala com um giz de cera, que ele jogou um rolo de papel dentro do vaso sanitário, ou ainda, que ele lavou as mãozinhas na água do vaso sanitário (sim, por mais absurdo que possa parecer isso pode acontecer).

Entenda que será necessário respirar fundo durante o desfralde, durante a primeira birra em um local público, na primeira vez que deixá-lo na escola, quando e se houver a necessidade de desmamar ou tirar a chupeta.

Você terá também que respirar fundo para ensinar as lições de casa, a se comportar na mesa, a arrumar as suas próprias gavetas e a exigir organização, a respeitar os mais velhos e a não bater nos irmãos, a repartir os brinquedos e a ser gentil sempre.

Será necessário respirar fundo quando a infância estiver chegando ao fim e a adolescência começar a se aproximar, quando os amigos forem mais importantes que todo o resto do mundo e quando nós, mães, formos apenas mães. Quando surgir o primeiro amor, quando chegar a primeira decepção, quando rolar o primeiro porre e quando chegar a hora de sair de baixo das nossas asas.

Uma coisa é certa, a vida deles seguirá um  rumo e nós continuaremos tentando aprender a respirar fundo, bem como tentamos naquele dia que recebemos o exame com um resultado positivo!