A cólica – por Carlos González

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(…)O certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso… Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria se acalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca… Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)

1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.

2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:

a- O bebê tem fome e quer mamar.

b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.

c- O bebê quer colo.

d- O bebê está entediado e quer distração.

e- O bebê está cansado e quer dormir.

3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.

4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.

5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.

6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.(…)

Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier

Pra facilitar a criação com apego vem slingar com SlingaBaby

Da série: prefira o sling!

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Existem vários estudos e artigos comprovando que o uso de cangurus, essas mochilas estruturadas, usadas para carregar bebês, nada ergonômicas, podem ser prejudiciais ao desenvolvimento de bebês, principalmente recém-nascidos, enquanto o uso de sling’s, panos confortáveis, não estruturados, macios e resilientes, é totalmente indicado. O sling, quando amarrado e posicionado corretamente proporciona incontáveis benefícios.

Hoje, logo cedo, li um artigo que explica bem os malefícios do uso desses cangurus e os benefícios do uso do wrapsling e me vi na obrigação de compartilhar aqui, para que vocês possam ter acesso à mesma informação.

“Quando nasce um bebê, muitas vezes seu quadril ainda está “imaturo”. Não é algo preocupante, e sim muito natural. Por sorte existem muitas coisas que podemos fazer para estabilizar e inclusive corrigir o quadril em casos leves de displasia (articulação do quadril muito plana, a cabeça do fêmur não encaixa bem).

O bebê saudável tem um bloqueio de estiramento de perna. Nessa fase de desenvolvimento seu corpo é tão sábio que instintivamente evita o que pode causar dano: estirar as pernas e a coluna. Devemos respeitar sua forma natural e não esticá-lo mais do que o corpo consente, como acontece quando o colocamos de ponta cabeça, ou levando-o em mochilas convencionais, que não o permitem manter as pernas dobradas. Durante a gravidez, o feto tem as pernas dobradas em um ângulo de 90 graus. Essa posição é altamente benéfica para o desenvolvimento do quadril!

O estiramento das pernas tem que acontecer paulatinamente, conforme o desenvolvimento físico do bebê, e completar-se quando a criança se põe de pé sozinha. Se se força este estiramento antes, podemos provocar que a cabeça do fêmur empurre para cima, chegando a provocar, em casos extremos, luxações do quadril e moléstias dolorosas (artrose) na idade adulta. As articulações do bebê ainda são cartilaginosas, ou seja, a má posição pode incidir negativamente sobre elas.

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A posição ideal do bebê para estabilizar o quadril é a seguinte: O quadril e os joelhos dobrados a mais de 90 graus, as pernas abertas entre 90 e 140 graus. As costas arredondadas (posição fetal) e bem apoiadas.

(No wrap sling o bebê se encontra na posição descrita)”

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Extraído de um artigo da revista “Eltern”, Alemanha, 11/2001 assessorado por Dr. Fritz Uwe Niethard, Clínica Universitária de Ortopedia, Aachen

((* NÃO ERGONÔMICO))

Vem conhecer a SlingaBaby

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Instagram: @slinga_baby

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E a SlingaBaby está soprando velinhas!

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Essa semana está sendo uma semana muito especial!!! A nossa marca de wrapsling SlingaBaby está comemorando seu primeiro aniversário e é de encher o coração saber que em um ano tanta coisa boa aconteceu, olhar para trás e poder ver todos os obstáculos vencidos, poder olhar para frente com esperança de ainda vencer tantos outros, foram muitos desafios superados, e mesmo sabendo que tantos outros virão só conseguimos nos alegrar, porque são os desafios e obstáculos que movem a vida. 

Há exatamente um ano já tínhamos definido qual seria o nosso nome e estávamos na produção dos nossos primeiros paninhos do amor. Há exatamente um ano passei noites em claro, planejando, calculando, pesquisando e buscando conhecimento sobre esse mundo maravilhoso que é poder fornecer carinho em forma de pano. E durante todo esse ano que se passou me senti viva, feliz, realizada e útil. 

E para comemorar toda essa vida vamos realizar amanhã a primeira slingada na cidade de Uberlândia, será um encontro promovido para reunir slingueirxs, acontecerá no Parque do Sabiá, um evento totalmente gratuito. O intuito da slingada é conhecer pessoas que, assim como nós, também são apaixonadxs por slingar, conversar sobre o slingar e bater um papo sobre os benefícios dos uso desses carregadores não estruturados, falar sobre as melhores posições para slingar, quando começar à slingar, o que é e o que não é aconselhável, e teremos ainda uma dança com bebês, conduzida pela querida Ana Cândida.

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Muita expectativa para esse momento e você pode confirmar sua presença no evento Slingada SlingaBaby.

Esperamos todxs lá!!!

(mais informações na imagem acima ou facebook.com/SlingaBabyWrapSling ou 034-9128-4704)

E quando seu filho te perguntar: Mãe, homem usa saia?

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As crianças questionam muito, até porque elas estão em fase de construção, precisam aprender, conhecer, entender, descobrir para se construir como indivíduo, como pessoa. Em algum momento essas perguntas surgem e é preciso responder com sinceridade e clareza, respeitando o nível de entendimento de uma criança mas sendo franco e honesto.

Acho que a maioria das pessoas já sabem que sou adepta á criação unisex, acredito que brinquedo é coisa de criança, que azul e rosa, carrinho e boneca não são coisas que definem gêneros e que quanto mais a criança brinca, e quanto maior o acesso dela à todo tipo de brinquedo, mais inteligente e criativa ela é. 

A Sophia hoje já tem cinco anos, tem boa parte de si construída, alguns conceitos já estão definidos e suas preferências por brinquedos e brincadeiras já são bem claras, é claro que ainda tem muito a ser construído e nós continuamos permitindo à ela um leque de possibilidades para que essa construção seja saudável, livre de preconceitos, hipocrisia, machismo, patriarcado e falso moralismo, nós achamos fundamental que ela cresça sabendo que o diferente é de fato igual e merece respeito.

O José Miguel está vivendo, na minha opinião, a parte mais intensa dessa construção, ele ainda está naquela fase de querer saber o que pode e o que não pode, o que é e o que não é, a convivência com colegas de escola e outras crianças é fundamental, mas às vezes me irrita, porque muitas crianças ainda são construídas em cima de conceitos de “isso é de homem e isso de mulher” e isso é meio que um porre, mas enfim, prossigamos.

Aqui em casa lutamos também contra todos esses conceitos já pré-definidos porque acreditamos que a construção acontece com o tempo, pelo que se ouve, pelo que se vê, pelo que se observa, acreditamos que o exemplo vale mais do que um discurso “lindo e bem definido”. Quando você define seus conceitos e os estabelece à criança você acaba construindo uma pessoa com pré-conceitos, consegue acompanhar meu raciocínio? Espero que sim.

É importante pensar que uma criança que cresce livre vai se construir livre de preconceitos e vai ter uma vida leve e livre, respeitando a si mesmo e ao outro, sem crises, sem violência, sem abuso, sem discursos ofensivos ou desrespeitosos, entende?!

Onde quero chegar? Vou te contar! Hoje logo cedo o diálogo com o José Miguel foi:

Ele: “Mãe, homem pode usar saia?”

Eu: “Filho, você já viu um homem com saia? O papai, o vovô, os seus tios?”

Ele: “Não!”

Eu: “Então, o homens que conhecemos hoje não usam saias, mas se algum dia a gente conhecer um homem que use é porque ele se sente bem assim e se ele se sente bem ele pode usar sim, né!? O que você acha?”

Ele: “Se ele quiser ele pode, né!?”

Fim de papo! Tem gente que acha absurdo, que o discurso certo seria “NÃO, homens não podem usar saias, nem rosa e nem brincar de bonecas!”, mas não consigo ver assim, porque acredito que uma pessoa deve usar o que quiser usar, o que a deixar à vontade, deve ser livre para ser ela mesma, e espero que meus filhos saibam respeitar isso, tanto neles quanto nos outros.

Quem foi que definiu que homens não usam saias? Você já questionou isso? Você já se questionou porque carrega esses conceitos? Que tal fazer todo esse questionamento antes de ficar repassando todo esse preconceito para frente? Que tal?

“Ah Vanessa, então quer dizer que se o seu filho quiser colocar saia você vai deixar?” Então, os meus três filhos estão se construindo e eu me desconstruindo, não sei como eu me sentiria ou como iria reagir à isso, porque infelizmente essa desconstrução leva muito mais tempo e esforço do que se imagina.

Porém, aqui hoje, eles brincam e criam diversos personagens, tanto a Sophia quando o José Miguel já passaram/destruíram maquiagens minhas e já quase se cortaram ao tentar fazer a barba, a Sophia já vestiu roupa do pai e o José Miguel já vestiu roupa minha, a Sophia já vestiu roupas minhas e o José Miguel as do pai, quer dizer!? Eles estão em fase de construção, onde imitam os adultos que estão à volta deles, não tem nada a ver com a sexualidade, é apenas uma construção.

Tem gente que parece que acha que se o menino brincar de boneca, vestir um vestido ou escolher um brinquedo rosa o pênis vai cair, ou não vai crescer, sei lá…hahahaha…e que se a menina brincar de super-herói, vestir a fantasia do homem-aranha, detestar o rosa vai deixar de ter vagina e ganhar um pênis…ai gente, me desculpem, mas definir sexualidade com base nas brincadeiras das crianças é uma coisa muito primitiva, já passamos dessa fase, néah!? “Noooooossa, você usou palavras fortes agora!” Sério? Você não tem órgão sexual? Tem algum problema com ele? Porque só isso explica seu incomodo com as palavras pênis e vagina, não acha?

Esses dias mesmo ouvi uma criança dizendo para o José Miguel, enquanto ele brincava com uma boneca da Sophia, que boneca era coisa de menininha, ele respondeu apenas que boneca era um brinquedo e que brinquedo é coisa de criança e que é menino e brinca de boneca. Achei a resposta coerente, madura e linda, digna de uma criança que pensa e tem espaço para se construir. É claro que ele não usou todas essas palavras, mas o discurso que ele fez de resposta foi basicamente esse. 

Então, quando o seu filho perguntar se homem usa saia responda com coerência e inteligência, deixe de lado essa construção que você nem sabe de onde veio e, se seus filhos ainda não perguntaram isso, vá ler e se informar antes que isso acontece, entenda sobre como foram definidas essas “normas” de coisa de homem e coisa de mulher, quando e como foi definido que homens não usam saia, que mulheres são responsáveis pelos filhos e dirigem mal, que homens não são capazes para realizar serviços domésticos ou cuidar dos filhos, que mulheres precisam dar conta de tudo e mais um pouco e por aí segue.

Te convido à desconstrução, é legal!!!

Sobre essa tal desconstrução!

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Tenho reservado um tempo para mim, para os meus pensamentos, pra colocar algumas coisas aqui dentro dessa cachola no lugar. Tomei essa decisão desde que percebi o quanto preciso me desconstruir, quanto mais me aprofundo em assuntos como feminismo, machismo, preconceito, homofobia, racismo e patriarcado mais percebo o quanto ainda preciso desfazer dos conceitos que me formam. Diferente do que muitos pensam, desconstruir não significa destruir, mas sim desmontar e decompor, se bem que, em alguns aspectos, acredito que seria melhor destruir mesmo…rsrsrs…é como uma renovação de mente mesmo, é se transformar, evoluir, crescer, muito melhor do que muita gente julga

Mas enfim, há algumas semanas atrás passei por algumas situações, coisas pessoais, que me levaram a perceber o quanto preciso me desmontar, me desconstruir mesmo. Nessas situações percebi o quanto o machismo e o patriarcado ainda estão impregnados em mim, como ainda faço uso de conceitos e discursos preconceituosos, machistas e, às vezes, até misóginos, como eu preciso me desconstruir. e como tenho vergonha de tudo isso. Mas também percebi que não estou tão mal assim, pelo menos pude enxergar que preciso mudar minha forma de pensar, de enxergar e ouvir o outro e até a mim mesma.

Às vezes me pego calada ou falando comigo mesma, me criticando, me condenando por alguma palavra que disse, atitude que tomei ou alguma reação que tive, me pego sendo machista e patriarcal comigo mesma e percebo o quanto essa tal desconstrução leva tempo. E daí penso: “Logo eu, que me sinto tão livre, estou me condenando assim?! Porque?”

Porque somos construídos assim, em família, na escola, entre os amigos, na comunidade, é como se alguém ou algum grupo tivesse criado a forma correta de viver em sociedade, uma forma que fosse saudável e organizada, mas não, essa forma é tão mal, tão preconceituosa às vezes, quase sempre. Daí alguns acreditam que sem essa “ordem” estaríamos todos “bagunçados”, que se “tudo for aceito e visto como normal” teremos problemas. Sério? Será? Acho que pior do que está não dá pra ficar.

Veja bem, toda essa ordem social, esses padrões que “devem ser seguidos”, esses bons modos que as mulheres devem ter e essa forma toda moralista de se viver só tem formado, por incrível que pareça, falsos moralistas e hipócritas, que julgam e condenam qualquer que fuja aos padrões impostos. Não estou aqui para ir contra crenças, religiões, esse tipo de coisa, mas para ir contra padrões, contra essa coisa de impor ao outro o que é certo e o que é errado. 

Somos seres humanos, indivíduos, pensantes, então não dá pra padronizar, cada um é único, cada um pensa de uma forma, cada um sente de um jeito e cada um deve ser respeitado na sua particularidade. E o auto-respeito (existe essa termo?) é essencial para uma vida bem vivida, quando me pego me julgando, me condenando, percebo que não estou me respeitando, estou apenas seguindo algo para o qual fui programada à seguir, entende o que estou querendo dizer?

Sou mulher, mãe de três crianças e na casa dos trinta, e daí quando percebo estou usando o discurso “mas uma mulher da sua idade, nas suas condições, fazendo isso?”, e é aí que entra essa tal desconstrução, ela entra quando me confronto com um “SIM, ESSA MULHER ESTÁ MESMO FAZENDO ISSO E SE SENTINDO BEM COM ISSO E QUEM É QUE DEFINIU SE PODE/DEVE OU NÃO FAZER?”. Esse meu desmontar está em me questionar, em me confrontar, para que eu me sinta livre para ser eu mesma sem medo, para tomar as minhas decisões, para me permitir sentir os sentimentos que estão aqui dentro, para falar o que está entalado, para dar aquela risada alta em público, para falar o que penso, para discutir, para expor as minhas vontades, para ser eu mesma, para ser aceita por mim mesma.

Com todo esse processo que estou me permitindo passar tenho entendido que posso ser eu mesma, me repeitar no que sou e como vivo/penso, que não preciso mais seguir o padrão, afinal de contas, nunca fui muito boa em seguir padrões. Não tem sido muito fácil, tem sido um processo diário, mas que tem me tornado uma pessoa melhor, mais leve e com mais liberdade para ser eu mesma e para criar meus filhos “desconstruídos”, com liberdade para serem apenas quem são, com liberdade para questionar, pensar e viver. 

Eu não sou e nem quero ser igual à eles – por Larissa de Luna

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Desde que comecei a conhecer e aprender sobre o feminismo entendi que ele era a busca pela igualdade, mas como sigo buscando informação, aprendendo e conhecendo e entendendo e me desconstruindo aprendi mais, entendi que vai além, que não buscamos igualdade por igualdade, porque não queremos ser iguais, não, não basta, porque não somos iguais. É preciso problematizar essa luta por igualdade, é preciso repensá-la, e nessa busca por conhecimento encontrei um texto que descreve muito bem tudo isso que estou tentando falar, então vem comigo!!!

“Porque a frase “O feminismo luta por igualdade” deve ser problematizada:

“Muita gente quando entra pra valer no movimento se depara logo de cara com a perspectiva liberal. O feminismo parece mulheres nas ruas de mãos dadas a homens cantando We Are The World. As imagens compartilhadas no facebook são ilustrações que diziam que feminismo é a mulher ser igual ao homem. Esse feminismo fez, faz e sempre fara mulheres se sentirem no mundo da Disney. Lindo, ponderado, porém mentiroso.

Mas esse liberalismo dura até o dia em que você decide lutar de forma direta (já que mulheres lutam desde sempre contra sua própria socialização), e quando a gente luta, é contra algo. E ai dentro dessa batalha toda você da de frente com a sua oposição, que não só é o patriarcado, mas uma classe inteira. Classe essa, masculina.

Nesse momento sua perspectiva de igualdade se altera. Frases que você ouve as modificam:
“Quer igualdade? lute pelo alistamento militar obrigatório!”
“Quer igualdade? lute contra a lei maria da penha!”
“Quer igualdade? Então não reclama quando apanhar. Homem apanha, então porque mulher também não pode?”
“Quer igualdade? comece chamando homem na rua de gostoso”
“Quer igualdade? Então comece vindo me estuprar”
E é exatamente isso o significado de igualdade pra uma classe agressora. Não é acabar com a violência, é todo mundo pratica-la. Não é acabar com uma batalha inteira de classe, é dar o direito de todo mundo se espancar. Não é acabar com a agressão, é todo mundo agredir. Não é os homens chegarem ao percentual de menos de 10% de toda criminalidade do mundo pertencente as mulheres, é dar o direito das mulheres de chegarem aos mais de 90% atualmente pertencido aos homens.
Eu não luto por igualdade porque eu não quero ser isso. Porque eu não quero esse papel pra mim.

A ideia de igualdade não significa mais DIREITOS iguais, e se você acreditar que sim, usarão contra você. Irão se auto-permitir o direito da violência, mais do que ela ocorre hoje em dia. Eu não quero alistamento obrigatório pra ninguém. Eu não quero que a maria da penha exista, assim como eu também não queria que ela se fizesse necessária. Eu não quero que homens apanhem de mulheres, assim como eu nunca quis que mulheres apanhassem de homens. Mas isso nunca foi uma escolha. Eu não quero que a violência seja modificada, eu quero que ela seja abolida. Mas talvez a socialização dada aos homens não permita a eles essa perspectiva.

Porque gênero é isso, é socialização, é pra um submissão e pra outro demonstração de poder. É acima de tudo, hierarquia. Nunca poderia existir igualdade, porque o gênero já é criado exatamente para ser desigual. E se essa igualdade fosse possível não seria desejável, primeiramente porque mulheres ativistas não estão em busca de estar acima da piramide, mas de uma suposta horizontalidade, então não seria igualdade porque não teria nenhuma outra classe para se basear. E segundo porque a classe masculina não está disposta a abrir mão do poder que exerce.

Minha luta é por emancipação, liberdade, empoderamento feminino e pelo fim de todo e qualquer tipo de violência. Não tem mais espaço pra igualdade nela. Se alguém tivesse que se espelhar em um gênero para querer ser igual a ele, teria que ser os homens, não nós.

Então não digam que o feminismo significa “mulher = homem”, Isso não é feminismo, isso é assimilação.

E eu não sou e nem quero ser igual a eles.”

Via – Larissa de Luna 

Vamos passear?

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Uma vez fiz um vídeo enquanto caminhava e slingava com a Maria mostrando que é totalmente possível manter uma rotina, até mesmo se exercitar usando sling’s. Os sling’s, carregadores para bebês, estão aí para isso, eles são totalmente benéficos, aconchegam a criança no colo a deixando calma, diminuem a ansiedade de separação, cólicas, auxiliam até no desenvolvimento motor e equilíbrio dos bebês, mas também ajudam cuidadores à manter sua rotina. Quando digo cuidadores me refiro à mamães, papais, avós, titios, irmãxs mais velhos, uso esse termo porque acho que slingar é para todos e não quero limitar esse momento tão gostoso às mamães (me desculpem, mamães…rsrsrs). 

É claro que nós, mamães, slingamos muito e isso é bom e necessário, uma mãe que slinga seu bebê desde o nascimento consegue experimentar todos os prazeres extra gestacionais, a slingada ajuda no sucesso da amamentação, é um método para combater a depressão pós parto, e permite que o cuidador desenvolva outras atividades, como cuidar de outrxs crianças, de bichinhxs de estimação, dar “aquela ajeitada” na casa, sair para passear. 

E é sobre sair para passear que quero falar. A SlingaBaby está fazendo um aninho e nesse um ano muito coisa aconteceu, conheci muitas mamães, ajudei cuidadores nos cuidados com seus bebês, auxiliei e incentivei muito o uso de sling’s e, diariamente, recebo mensagens de carinho desses tantos cuidadores, mensagens de gratidão, mas quem fica com o coração cheinho de gratidão sou eu…é muito bom saber que o foco está sendo mantido e a meta tem sido alcançada. Como sempre digo, a SlingaBaby está aqui para oferecer algo que vai além de um pedaço de pano, nós produzimos paninho de amor, entregamos carinho, proporcionamos colinho aos bebês e cuidadores.

Então, para comemorar esse primeiro ano de SlingaBaby realizaremos a primeira Slinganda SlingaBaby no Parque do Sabiá, na cidade de Uberlândia, que acontecerá no dia 18 de julho de 2015, às 09h, você pode até confirmar presença aqui no nosso envento. Será um passeio para promover interação entre cuidadores e bebês que fazem uso de sling’s, para que possamos nos conhecer, bater um bom papo, estarei ali à disposição para tirar dúvidas referentes ao uso de sling’s e também levarei alguns SlingaBaby, caso alguém tenha interesse. Além disso teremos também uma demonstração de dança com bebês, com a Ana Cândida Zanesco.

Será um momento muito gostoso, simples e que ira proporcionar à todos nós a possibilidade de interação com outrxs slingureirxs e, quem sabe, isso vire uma rotina na nossa cidade. Então, no dia 18 de Julho espero vocês e seus bebês lá no Parque do Sabiá, às 09h.

Até logo!