Porquê sou feminista – por Bela Barbosa

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Sou feminista porque, quando estou andando tarde na rua e ouço passos atrás de mim, eu me desespero e não me sinto segura para olhar pra trás.
Sou feminista porque nunca vi alguém perguntar a um homem como ele dá conta de uma casa, trabalho e filhos.
Sou feminista porque quando um homem cria sozinho uma criança, ele é um herói, mas se uma mulher é mãe solteira, ela é uma vadia.
Sou feminista porque, se uma mulher quer abortar, ela vai fazer isso sendo legal ou não, e merece as mínimas condições clínicas para isso.
Sou feminista porque, se uma mulher aborta, ela é considerada criminosa, mas se um pai abandona a criança, cometendo um outro tipo de aborto, ele não é passível de culpa.
Sou feminista porque estou cansada de ouvir “você é legal demais pra ser mulher”.
Sou feminista porque não suporto ouvir alguém dizendo ” isso não é coisa de menina fazer” ou “menina não devia falar assim”.
Sou feminista porque quero sair de casa com um blusão e jeans folgado ou um short curto e blusa rasgada sem receber olhares pejorativos.
Sou feminista porque não mereço ser dividida entre “pra casar” e “pra brincar”.
Sou feminista porque sei o que é mudar de caminho para não passar em frente a um bar cheio de homens que vão olhar para mim, falar de mim de uma forma que não gostaria que fizessem.
Sou feminista porque não sou um prêmio que vem com um carro ou uma garrafa de cerveja.
Sou feminista porque me ensinaram a guardar meus desejos até o casamento enquanto, para os homens, ensinaram que devem se libertar quando sentirem necessidade.
Sou feminista porque se chamam um cara de “mulherzinha”, isso é levado como insulto.
Sou feminista porque não preciso ter o corpo da Kim Kardashian pra me sentir linda.
Sou feminista porque já ouvi me chamarem de fútil por andar só com meninas e também já ouvi me chamarem de vadia ou lésbica por estar num grupo só de homens.
Sou feminista porque acredito que toda transexual tem o direito de usar o banheiro feminino e ser chamada pelo nome de sua escolha.
Sou feminista porque ganhei fogões e pias de brinquedo enquanto via meus primos ganharem jogos de estratégia e raciocínio.
Sou feminista porque já ouvi ” nossa, você é muito boa em exatas pra uma mulher”.
Sou feminista porque se um homem se interessa por algo socialmente atribuído às mulheres, isso é uma vergonha pra ele.
Sou feminista porque palavras relacionadas a fraqueza são relacionadas a homens como xingamentos e a mulheres como atributo comum do “sexo frágil”.
Sou feminista porque se eu chegar em um cara, sou chamada de assanhada e vadia.
Sou feminista porque os desejos do homem são enaltecidos enquanto os das mulheres devem ser escondidos.
Sou feminista porque sexismo ataca homens e mulheres.
Sou feminista porque não posso ir de short num lugar em que homens podem usar calção.
Sou feminista porque quando xingam homens, xingam sua masculinidade e isso, além de sexista, é homofóbico.
Sou feminista porque ouço constantemente que devo me dar ao respeito enquanto nunca vi ninguém dizer isso a um homem, pois parece que ele já nasceu com esse repeito.
Sou feminista porque ninguém pergunta a um homem se a esposa dele deixou ele cortar o cabelo.
Sou feminista porque não existe isso de “papel x é de homem e papel y de mulher”.
Sou feminista porque ser chamada de gostosa na rua é violência e não elogio.
Sou feminista porque em 15 países as mulheres ainda precisam da autorização dos maridos para trabalhar fora de casa.
Sou feminista porque meu lugar é onde eu quiser.
Sou feminista porque o corpo é meu e as regras também são minhas.
Sou feminista porque nenhuma mulher merece ser estuprada por causa da roupa que veste.
Sou feminista porque milhares de mulheres apanham em casa e são vitimas de violência psicológica também e se julgam inferiores.
Sou feminista porque quero igualdade.
Sou feminista porque não me faço de vítima.
Sou feminista porque sou mulher.

Não deixo de ser feminina por isso e nem odeio homem algum.
Não quero soberania feminina, apenas igualdade.
Quero ser mulher sem medo. (Bela Barbosa)

Escrito por uma Feminista mas dedicado à todas as mulheres, tanto as que já se descobriram mulher quanto às que ainda precisam se encontrar. #SejamosTodasFeministas

Filhx, ninguém pode te bater!

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Nem sempre consigo conter aquele berro ou aquela palmadinha na hora que meus filhos fazem algo que eu desaprove. Me policio ao máximo e morro de vergonha de assumir isso, mas ás vezes, quando vejo, já foi. Parece que o “corrigir” dando palmadas  ou gritando está mais embutido em mim do que gostaria que estivesse. Queria fazer parte daquele grupo de mães que parecem nunca perder a calma, mesmo quando a criança faz alguma coisa absurda, que conseguem levar tudo no diálogo, mas não sou dessas.

Quando meus filhos exageram acabo levantando o tom de voz e dependendo do momento acabo levantando a mão também, depois que acontece me sinto super mal, porque sei que não é a melhor forma de corrigir ou por cair na real e perceber que só levantei a voz ou a mão por já estar nervosa com alguma outra coisa. Quando volto à raciocinar (sim, bater, pra mim é falta de raciocínio e confesso que às vezes sou bem irracional) respiro fundo, os chamo e explico que errei, que às vezes vou errar mesmo sendo “gente grande” e que ninguém, ninguém mesmo tem o direito de levantar a voz ou bater em qualquer um deles.

Chamo os dois mesmo, ainda que apenas um tenha exagerado na “arte”, os chamo para que ambos entendam que erro, que sou ser humano e que estou, assim como eles, em construção e busco ser cada dia melhor. Quero que meus filhos saibam que seres humanos são limitados, erram e precisam de ajuda, e acredito que a melhor forma de ensinar isso à eles é assumindo os meus erros e pedindo que me desculpem.

Não sei se você sabe, mas ninguém tem o direito de bater em ninguém, ninguém bate porque ama, ninguém grita para corrigir porque ama. Concordo que quem ama disciplina, educa, mas disciplinar e educar vão além de gritos e tapinhas no bumbum. Já pude perceber que quando os corrijo com um tom de voz firme, mas baixo, e olhando nos olhos dele tenho muito mais sucesso do que quando fico gritando, isso é perceptível mesmo.

Mães gritam, pelo menos a maioria, e isso nos faz perder até mesmo o respeito dos filhos, porque às vezes gritamos mas nunca falamos nada, se é que você me entende. Gritar não leva à lugar nenhum, é chato, cansativo e assustador para as crianças. O ideal é respirar fundo, se posicionar no mesmo nível da criança, olhar nos olhos dela e com voz firme ensinar que aquilo não é o certo/esperado/aceitável naquele momento.

Se é fácil? Pra mim não, é um exercício diário, e na maior parte do tempo tenho sido reprovada nessa prova aí!

Se vou desistir? Nunca! Ainda que tenha que pedir desculpas para os meus filhos um milhão de vezes e dizer à eles que estava errada ao exagerar todas as vezes, continuarei tentando.

Se me frustro por não conseguir? Com frequência!

Se eles me desculpam? Sempre!

Se eles se sentem “por cima” quando me veem pedindo desculpas”? Não, eles me olham com um olhar amoroso, me abraçam e dizem me amar, mas em nenhum momento demonstram se “sentir por cima”!

Eles já sabem questionar, sabem que ninguém tem o direito de gritar ou bater com/em ninguém e que qualquer um pode errar, isso tem sido um bom começo!

ps¹: contei aqui uma parte da minha maternagem morrendo de vergonha de mim mesma, espero que os julgamentos sejam guardados e que apenas conselhos e abraços sejam expostos. Já me culpo muito, não preciso de julgamentos de terceiros!!!

ps²: o título está como filhx por eu ter filho e filhas, não estranhe minha preguiça de separá-los à cada texto que for escrever

Será que sou menos feminista?

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Às vezes surgem alguns questionamentos à respeito do feminismo, é como se quisessem rotular também as feministas entre mais feministas e menos feministas, sendo que lutamos principalmente contra rótulos. Já faz um tempo que estava querendo escrever sobre isso, mas daí hoje li esse texto e fiquei impressionada com a forma que a autora transcreveu todo esse sentimento de se rotular ou ser rotulada. Vem comigo!

“Sempre recebo emails de leitoras (alguns leitores também, mas principalmente leitoras) perguntando se pode ser feminista e fazer X, ou se não fazer Y faz dela menos feminista. Alguns exemplos. Primeiro, este da D.:

Adoro seu blog e por meio dele aprendi muito sobre o feminismo e sobre a necessidade de mudarmos a sociedade em que vivemos também nas relações de gênero. Hoje lhe escrevo devido a uma conversa que tive com amigas, que me deixou bastante triste. Sou socióloga e há três anos comecei a fazer uma pesquisa, ainda na graduação, que tratava da trajetória política de mulheres. A partir daí, fui me interessando cada vez mais pelo tema do feminismo, até que me vi participando das Marchas do 8 de março e da Marcha das Vadias. 

Eu demorei um pouco pra assumir que era feminista, porque achava que precisava amadurecer e entender todo aquele novo mundo que me foi apresentado, e inclusive me aprofundar nos estudos teóricos. Mas antes que eu assumisse o feminismo como bandeira minha, amigos e colegas de faculdade passaram a me rotular nesse sentido, e muitas vezes não soava como elogio.

O fato é que tomei um rumo no qual não posso voltar atrás. Não sou a mesma depois de tudo que já refleti sobre as relações de gênero, sobre o patriarcado, sobre a misoginia. Assumi a luta, e hoje assumo minha posição de feminista e claro, dificilmente fico calada em situações ou opiniões machistas. Entretanto, embora eu lute pela liberdade das mulheres no geral, defenda que nos libertemos de estereótipos e padrões de comportamento e beleza, eu sou uma mulher vaidosa, que gosta de maquiagem e de um estilo que muitos diriam ser “feminino” da forma convencional. 

Esses dias duas de minhas amigas me questionaram sobre o fato de eu ser vaidosa, preocupada com a aparência, e ser feminista. Uma de minhas amigas afirmou que eu estava sendo contraditória, que sempre estava arrumada, que usava maquiagem, que me preocupava com o corpo e que agora era feminista e que tinha que segurar “o rojão” dos julgamentos. Eu fiquei muito chateada, porque cobraram de mim o estereótipo da feminista. Ou seja, para eu ser feminista eu teria que abdicar do meu jeito de ser, da vaidade que sempre tive desde pequena. 

Para mim, o feminismo é um movimento que luta pela liberdade, pela superação de relações de gênero opressoras, pelo respeito às diferenças. As mulheres são muitas, de todos os tipos, de todos os jeitos. E é isso que tenho visto em qualquer encontro feminista.

Mulheres vaidosas, mulheres maquiadas, mulheres de cara limpa, gordas ou magras, negras, brancas, mas livres, livres para escolherem seus caminhos e cheias de autoestima. Será que estou enganada, que foi tudo alucinação e sou mesmo uma hipócrita?

O que eu me pergunto é porque tanta incompreensão e perseguição por parte de pessoas que são tão próximas e também da sociedade, que rechaça as feministas? Quer dizer que pra ser feminista eu tenho que levantar a bandeira contra a maquiagem ou o creme de cabelo? Contra o brinco ou a bijuteria? Então não posso mais passar batom ou ou usar um vestido florido que me faz me sentir bem? É isso? Eu tenho que me enquadrar em outro padrão, a da mulher feminista, que deve ser odiada e perseguida, chata e mal-amada? 

O que tenho visto nos movimentos feministas por onde ando são mulheres lindas à sua maneira, bem resolvidas, bem amadas, felizes por serem livres e conscientes do que é ser mulher numa sociedade machista, e por isso desejosas de mudança. Eu vejo mulheres de todos os tipos que celebram a diferença. Nunca me senti excluída ou acusada de hipocrisia por nenhuma delas. Ainda estou digerindo essa situação, e por isso quis escrever para você, e saber de você se estou errando em ser vaidosa e feminista.

Será que estou fazendo errado, Lola?

Eu não sei muito como responder, quando me questionam, eu acho tão  ridícula essa visão que as pessoas têm do feminismo, como se fosse um livro cheio de regras, feminista não pode se maquiar? Feminista não pode gostar de estética? 

Lindas e queridas, todas vocês são feministas. Não existe uma competição para medir quem é mais ou menos feminista. Uma vez li que tem feminista que se incomoda porque digo que me considero feminista desde os 8 anos de idade. Mas nunca tive a intenção de me exibir ou de me dizer mais feminista que alguém que assumiu o feminismo aos 30 ou 40 ou 70. É só que minha experiência foi essa (e, admito, é uma experiência privilegiada). 

Tampouco existe um comitê feminista que fica avaliando o feminismo de cada pessoa, e, às vezes, decide cassar a carteirinha de alguém que traiu o movimento. Talvez até devesse existir (seria divertido?), mas a verdade é que não existe carteirinha. Não é um clube fechado. É um movimento gigantesco, revolucionário, com várias correntes, e já muitas décadas de história. 

O feminismo é sobre liberdade, sobre poder fazer escolhas. Nem todas as escolhas são necessariamente feministas, mas tampouco são não feministas. Por exemplo: se você adora esmalte de unha, esse não é um bom motivo pra se assumir feminista. Mas se você defende a igualdade e luta contra as opressões, não é porque você adora esmalte que você não será feminista.

Trabalhar em casa cuidando dos filhos é trabalho, embora não remunerado e nem valorizado (e ninguém venha me dizer que não é valorizado pelo feminismo; quem não valoriza o trabalho doméstico é o patriarcado mesmo). No domingo dei uma palestra sobre as muitas conexões entre ativismo materno e feminismo (ainda vou falar mais nisso). Só digo que estamos no mesmo barco. E definitivamente não é uma canoa furada.

Pregar que quem gosta de maquiagem ou que quem larga o emprego para ficar temporariamente com a família não pode ser feminista é sem dúvida embarcar nos velhos estereótipos sobre feminismo. Nós que somos feministas e conhecemos montes de feministas sabemos que há uma diversidade formidável de mulheres (e homens) dentro do feminismo. Só quem pensa que feministas são ogras peludas castradoras e mal-amadas é quem não sabe nada sobre feminismo — nada, apenas que é um movimento que deixa essa gente avessa às mudanças muito temerosa e desconfortável.

O feminismo tem inúmeros inimigos. Por que deixar que eles nos definam? Esses dias vi uma entrevista linda com o ator e comediante Aziz Ansari (da ótima e feminista série Parks and Recreation). Ansari defende que as pessoas não tenham medo de se assumir feministas. Segundo ele, não dá pra um médico que cuida de doenças da pele recusar o rótulo dermatologista, porque essa seria uma palavra agressiva demais. 

Então assumam seu feminismo. E não deixe que ninguém diga que você não pode lutar contra opressões.”

Confira o texto completo em Escreva Lola, Escreva!

Mas ele é tão bom com as crianças!

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Passo mal quando ouço isso.

Ele agride a mulher que é mãe dos filhes dele. É ausente, não coopera, falta com seus compromissos. A violência dele, que assume inúmeras formas, talvez chegue até a ser física. A misoginia que ele exibe orgulhosamente não tem limites. MAS… ele é ótimo com as crianças, as pessoas dizem.

Como? Fico me perguntando.

Como ele pode ser ótimo com as crianças quando ele é um merda com a mãe delas?

Como ele pode ser ótimo com as crianças quando ele torna infeliz a pessoa que é a cuidadora principal delas?

Como ele pode ser ótimo com as crianças quando ele dá a elas o exemplo da violência dentro de suas próprias casas? Ensina a elas que dor faz parte de amor? Que brutalidade é paixão?

Como ele pode ser ótimo com as crianças quando repassa a elas o machismo de que homem não faz serviço doméstico, homem não cuida de criança, homem só usufrui?

Como ele pode ser ótimo com as crianças se ele só se relaciona com elas nos termos dele, quando ele quer e só para curtir e não para cuidar? Como ele pode ser ótimo com as crianças se, na hora que aperta, espera da mulher que ela sacrifique a carreira profissional e acadêmica dela, porque acha que isso é não é exigível dele?

Ele é “ótimo com as crianças” porque está relaxado, bem dormido e bem disposto. Trampinho que começa e acaba (e não 24h, afinal, isso é coisa de mulher, esse ser tão frágil e protegido pela sociedade), cervejinha com os amigos, chega e encontra comida na mesa, toma banho sem pressa, dorme a noite toda bem tranquilo, não lava um copo. Sem nem falar na exigência social ridiculamente menor em torno de ele “se cuidar” (leia-se, estar bonitinho de se olhar) enquanto ela assovia e chupa cana.

É fácil pagar de bonzão quando tem outra pessoa carregando o piano para você.

Não, mulher. Ele não é ótimo com as crianças. Porque, para ser ótimo com as crianças, ele teria que ser pelo menos razoável com você. Para ser ótimo com as crianças ele teria que se importar com elas a ponto de se importar com quem cuida delas. Para ser ótimo com as crianças ele teria que estar presente na vida delas além do momento que é conveniente para ele.

Ele não é ótimo com as crianças. Ele é ótimo com ele mesmo. E só.

Não caia nessa. Não cometa consigo mesma a violência de achar que o seu bem-estar é irrelevante. Não existe bom pai sem antes existir bom companheiro. Companheiro de equipe de cuidado des filhes, mesmo que não de relacionamento amoroso.

Quem quer participar da criação tem que participar por inteiro, não só na parte
que fica bonita na fita.

Texto retirado do Blog Anarca é a Mãe

10 perguntas que ajudarão seu filho a viver melhor!

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Digo sempre aqui que não sou à favor de métodos, dicas ou passos à serem seguidos para alcançar a perfeição na maternidade mas hoje, logo cedo, li essas perguntas e acredito que realmente podem ajudar o seu filho a sentir mais prazer por viver, que tal experimentar? Não de forma mecânica, mas as incluindo no dia a dia de vocês!

1. Qual foi a parte preferida do seu dia?

Essa é uma boa pergunta para fazer na hora de dormir, para ajudar seu/sua filh@ a sentir-se satisfeit@ e feliz antes de dormir. Também inclua o hábito de concentrar-se no melhor que aconteceu num dia qualquer ao invés do pior. Se você faz desta uma parte e sua rotina antes de deitar, isso se converterá numa atitude natural.

2. De que você se sente agradecid@?

Essa é uma boa pergunta para a mesa de jantar. Cada membro da família pode tomar a palavra dizendo sobre o que está agradecid@ nesse dia. Há uma forte correlação entre felicidade e gratidão, por isso essa é uma pergunta poderosa.

3. O que você vai fazer a respeito?

Quando uma criança vem até você com um problema, é importante fazer essa pergunta em um tom cálido e curioso. Não se limite a atropelar e resolver seu problema, é importante dar a oportunidade de resolver por si mesma, e dar o dom de sua confiança, que fica evidente nessa questão que implica que podem pensar em soluções para seus próprios problemas. Se seu/sua filh@ disser “não sei”, você pode dizer: “Eu também não sei, vamos tratar de pensar juntos”. As pessoas felizes são pessoas que pensam que seus problemas são superáveis, e se consideram solucionadoras eficazes de problemas.

4. Com você se sente diante disso?

Uma parte essencial da felicidade é ser capaz de notar e expressar suas próprias emoções. Se uma pessoa consegue verbalizar o que sente, pode encontrar sentido nisso, pode processar a emoção e pode obter apoio dos outros. Essa é uma grande pergunta para fazer quando seu/sua filh@ vem trazendo algo ‘mal’ que aconteceu, no lugar de ignorar (“não foi nada”, “não era tão mal”), capacite seu/sua filh@ a ser consciente de seus sentimentos e utilizar essa informação de maneira eficaz.

5. Como você acha que ele/ela se sente?

Em qualquer situação se pode cultivar a empatia, pedindo a seu/sua filh@ que pergunte a si mesm@ sobre o que outra pessoa sente. A empatia fará que seu/sua filh@ seja uma pessoa mais feliz, que terá relações interpessoais fortes, sentindo-se melhor consigo mesm@ por pensar (e frequentemente, ajudar) outros e dar mais significado à vida.

6. Como podemos ver o lado brilhante?

Em qualquer situação, você pode ensinar a seu/sua filh@ que existem aspectos positivos. Com pré adolescentes ou adolescentes essa pergunta pode ser muito brega, mas @s pequen@s vão gostar. Também pode ensinar a expressão “fazer uma limonada de um limão” e perguntar como fazer uma limonada de uma situação ruim.

7. De onde podemos aprender mais?

Em qualquer programa de Tv, livros, viagem, basicamente qualquer situação, em tudo existe algo para aprender mais. Assim, ensine seu/sua filh@ que a vida está cheia de oportunidades de aprendizagem. As pessoas felizes são as pessoas que têm curiosidade e estão sempre aprendendo. Assim que quando veja TV e alguém diz ‘bonjour’, você pode buscar uma imagem da França ou uma canção no YouTube em francês. Quando seu/sua filh@ se dá conta de que se pergunta algo significa que você irá pegar seu telefone e mostrar algo novo e especial, assim te perguntará com mais frequência.

8. O que você quer fazer no fim de semana?

A investigação mostra que a antecipação de experiências positivas traz mais felicidade que as próprias experiências. Uma vez que seu/sua filh@ tenha a idade suficiente para entender que amanhã não é hoje, é importante inculcar o hábito de antecipação positiva de pequenos prazeres. Uma criança que se entusiasma toda semana para obter o yogurte congelado no fim de semana é uma criança feliz, como um(@) adult@ que planeja férias com seis meses de adiantamento e que é mais feliz durante esses seis meses.

9. O que podemos fazer para ajudar / para fazer alguém feliz?

Levar seu/sua filh@ para visitar um(@) familiar doente, ou alguém que se recupera de uma cirurgia, ou o levar a algum lugar para ser voluntário é um presente maravilhoso para ele. Seu/sua filh@ se sentirá mais orgulhos@ de seu comportamento só em pensar nas coisas boas que pode fazer. O estudo mostra que dar libera oxitocina e endorfina, e por isso pode viciar. Também inclua seu/sua filh@ em suas atividades, dar caridade é uma forma de altruísmo que também está vinculada diretamente com a felicidade. Incorpora um espírito de generosidade na vida diária de seu/sua filh@.

10. O que quer fazer fora hoje?

Participar de atividades físicas com seu/sua filh@ é uma maneira maravilhosa de fazer com que ele ou ela evitem o sedentarismo. O exercício libera endorfina e a forma mas poderosa de ensinar a um/uma filh@ sobre os exercícios é fazê-los você mesmo. E a luz o sol também ajuda a ter bom humor e impulsionar e regular os ritmos circadianos, o que significa um melhor sono para seu/sua filh@.

Texto e imagem via Sling-se

 

Essa minha mania de me desculpar!

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Essa semana aconteceu uma fato interessante, fiz uma postagem e uma pessoa colocou sua opinião e em cima dessa opinião surgiram um monte de críticas, uma coisa super comum em redes sociais, as pessoas se expressando e tudo mais. Acontece que uma das pessoas se sentiu “agredida” e ficou irritada comigo por não tê-la defendido, não ter tomado partido, me chamou inbox e falou um monte de coisas, já tínhamos tido outras discussões mas essa foi bem exagerada.

Enfim, no final das contas a pessoas disse apenas que tinha se sentido ofendida e queria um pedido de desculpas e ponto. Ok! Não vi erro em mim e por isso não me desculpei, três dias depois a pessoa tinha me bloqueado em TODAS as redes sociais! Tá néah!? Fazer o quê?

Pois bem, comecei a pensar naquilo e decidi arrumar um jeito de me desculpar, afinal de contas não gosto de “ficar de mal” de ninguém, me sinto péssima quando isso acontece, mas daí comecei a pensar, repensar e refletir sobre mim e concluí uma coisa: SEMPRE ME DESCULPO PARA EVITAR “FICAR DE MAL”!

Isso não é bom, se não vejo culpa em mim porque sempre me desculpo? Porque essa mania de me desculpar até quando não acredito estar errada? O outro erra, me convence de que a errada sou eu e daí peço desculpas pra não ficar de mal? Então comecei a puxar pela memória os pedidos de desculpas que fiz que mais me marcaram e percebi que preciso de terapia com urgência (hahahahaha…).

Quando era adolescente tive um namoro com uma rapaz, desses namoricos mesmo, nos dávamos bem até que um dia uma amiga me questionou se eu gostava dele pra casar, se aquele namoro era pra casar! Eu tinha no máximo 14 anos e bem, fui sincera apenas, disse que não sabia se ia me casar com ele, acho que nenhuma adolescente tem convicção se quer ou não se casar com alguém, na verdade o adolescente tem pouquíssimas certezas na vida. Isso gerou todo um conflito e no final das contas estava lá, a Vanessa, se desculpando por não saber se queria casar ou não.

Depois tive um outro namorado, já com 16 anos, (praticamente uma adulta com opinião totalmente formada, néah?!), e fiquei em dúvida novamente se queria casar com ele ou não, e comentei com alguém que não tinha certeza se queria continuar com aquele namoro e o procurei para falar sobre isso. E pronto, tudo virou um balaio de gato novamente, e lá estava eu me desculpando por ser adolescente e leviana, sim, fui chamada de leviana, não sabia o significado mas mesmo assim me desculpei por ser isso aí.

Teve também uma vez que inventaram uma mentira bem fajuta (uma??? hahahahaha…até parece, foram várias mesmo), da pior espécie sobre mim, e sempre era assim, a pessoa contava uma mentira sobre mim e eu me desculpava pela mentira contada sobre mim…quédizê!? Uma vez até comentei com o Ju (aquele  cara que desde que comecei a namorar tive certeza de que era com quem queria me casar) que a impressão que eu tinha à meu respeito era que sempre acreditava em tudo que diziam sobre mim, e foi ele quem me ensinou a questionar o que diziam sobre mim e me defendia de mim mesma quando eu queria acreditar em algo do qual tentavam me convencer à meu respeito (que bagunça, neh…tá dando pra entender?)

Teve uma vez que me desculpei porque um carinha pelo qual uma amiga era interessada quis ficar comigo e, apesar de não ter ficado com ele, acabei pedindo desculpas também, se não me engano pedi desculpas para os dois, pode isso, produção?! Lembro que quando era criança sempre me sentia culpada, em tudo me sentia culpada, durante as brigas dos meus pais, quando não tinha paciência para brincar com alguma coleguinha de escola (ai sério, nunca fui muito de brincar com coleguinhas, achava um porre, e sempre me sentia culpada por isso), quando um primo se machucava durante uma brincadeira, quando dois primos brigavam e eu estava apenas assistindo a briga, quando via alguém irritado, quando via meus pais apertados financeiramente, quando via uma amiga triste, quando minha irmã ficava doente, era muita culpa, o meu lema era “A culpa deve ser minha!”.

Não sei se isso faz parte da minha personalidade, mas sinto sempre a necessidade de ser a que pede desculpas, desde que me entendo por gente, às vezes mesmo sentindo que tenho razão sou aquela que dá o braço a torcer e pede desculpas, mas sei lá, parece que isso não faz bem pra mim, sou uma pessoa, sou “gente como a gente”, posso errar e quando isso acontecer devo pedir desculpas, mas quando estiverSem título certa é preciso deixar claro que sei que estou certa e, se o outro quiser se desculpar fique à vontade.

Às vezes parece que não acredito em mim, será que é grave?

ps: só pra não perder o costume, quero desde já pedir desculpas se em algum momento demonstrei querer fazer o papel de vítima…hahahahaha

 

Vamos falar sobre essa tal Infância Unissex

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Ontem escrevi um texto falando sobre como o machismo me causa espanto e no texto falei que aqui em casa permitimos uma infância unissex. Bem, parece que algumas pessoas não entenderam o que é uma infância unissex e pareceram acreditar que se trata de criar filhos homo ou bissexuais. Já de cara quero dizer uma coisa, NÃO É ISSO! Na verdade, na minha opinião, ninguém cria um homo ou bissexual, mas não é sobre isso que quero falar hoje.

Vamos falar sobre essa tal Infância Unissex então!

Quando dizemos isso, na verdade, estamos dizendo que criamos nossas crianças livres do sexismo, mas isso não quer dizer que o menino vista saia e use batons e a menina use cueca. Quer dizer apenas que não afirmamos que existem cores de meninos e cores de meninas, brinquedos para meninos e brinquedos para meninas, que meninos e meninas não devem brincar juntos, que meninos não brincam de bonecas e meninas não brincam de carrinhos, que batons, esmaltes ou cremes para barbear não são coisas de meninos e nem de meninas, porque não são mesmo, são coisas de adultos, se é que você me entende!

“Meninos e meninas aprendem o que é ser Homem e Mulher observando o entorno. Isso não podemos mudar. O que não serve para meninos não servem para meninas também, pelo menos na primeira infância.

Maquiagem, esmalte, fazer barba. Nem meninos, nem meninas podem usar porque simplesmente não é coisa de criança. Mas meninos e meninas podem usar o sapato que quiserem, a roupa que desejarem para brincar. Podem colocar no pescoço um colar sem ter que ouvir: isso é coisa de mulher. Eles sabem.

Claro que não vou comprar um vestido ou saia para meu filho. Ele tem roupas masculinas.”(A infância é Unisex, em Vila Mamífera)

Aqui nessa casa é permitido ser criança, a Sophia brinca do que quer e o José Miguel brinca do que quer, e nós não usamos as frases “Isso é coisa de menino!” ou “Isso é coisa de mulherzinha!”, eles nos imitam no que fazemos, a Sossô já imitou o pai fazendo a barba e quando percebeu que eu não fazia entendeu, por si só, que mulheres não precisa fazer a barba! O Zé já me imitou fazendo maquiagem, já até destruiu uma, mas um dia ele questionou, por si só, que o papai não passava maquiagem, só os palhaços se maquiavam e desde então não me imitou maquiando mais.

Não concordamos com essa teoria de meninas nasceram para ser mães e cuidadoras e os homens já são “mais práticos” e por isso as brincadeiras devem ser diferentes. Não, os homens podem ser tão bom cuidadores quanto as mulheres e as meninas podem ser “tão práticas” (não entendo essa rotulagem) quanto os meninos, eles só precisam brincar para aprender.

Acontece que há um tempo atrás a afirmação “isso é de menino” e “isso é de menina” era muito forte e, infelizmente, em algumas famílias ainda é, e assim os adultos se dividiam/dividem entre “cuidadoras donas de casa” e “mais práticos que saem para ganhar dinheiro” e isso não é legal, porque a sociedade mudou, nós mudamos, os homens devem ser pais, presentes, cuidadores, e as mães têm que ter a liberdade de sair para trabalhar, se assim quiser, e a mulher tem que ter o direito de não ser mãe, se ela não quiser. Na minha opinião nem toda mulher nasceu para ser mãe, e daí?

Eu não fui criada assim, meus pais me permitiram uma infância unissex, acredito até que sem saber o que isso significava, eles apenas me permitiram ser criança, brinquei muito com todos os meus primos, de carrinho, de boneca, de casinha, de escola, de bola, de tudo, tomávamos banho juntos, nadávamos só de calcinha e cueca e por isso é tão natural, pra mim, permitir que meus filhos sejam crianças livres de sexismo. Criança é criança!

Acho que não é tão difícil de entender o que é uma infância unissex, neh!?