Sobre “ir até o fim”

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Putz, que saudade que eu estava disso aqui, de escrever, de falar, de expor, andei bem sumida, mas tive meus motivos. Ter três filhos já é motivo de sobra, neh!? Mas acontece que estava finalizando uma pós graduação em Nutrição Clinica e tive que entregar um TCC, toda essa coisa que te toma tempo e te deixa louca descabelada desesperada, pois bem, sobrevivi e vim aqui falar com vocês sobre “Ir até o fim”.

Eu sou do tipo de pessoas que vou até o fim, pra mim não tem mais ou menos ou meios termos, quem está comigo sabe bem disso, sou Sim ou Não, Quente ou Frio, Amor ou Desamor, não gosto de nada morno! Pra você entender mais sobre isso vou te contar sobre uma época da minha vida onde abri os olhos e vi que era preciso crescer e tomar minhas decisões e “ir até o fim”, ainda que pra isso fosse preciso parar o que estava fazendo, se isso não era o que me fazia feliz.

Aos 21 anos de idade (ô idade complicada) cursava uma faculdade em uma outra cidade e morava sozinha, não trabalhava e vivia por conta, acontece que um dia me olhei no espelho e não gostei do que vi, não gostei de nada, não gostei do olhar triste, da postura infeliz e nem da falta de sonhos. Já estava ali há um ano e meio e não gostava de nada daquilo, e o mais grave, percebi que até aquele momento nunca tinha tomado uma decisão que fosse minha, completamente minha, só minha, não que alguém me obrigasse a fazer qualquer coisa, mas nunca havia brigado por nada, é como se não soubesse pelo que brigar, é como se não achasse importante brigar, lutar, desafiar, discordar. Bem, nesse dia decidi que iria abandonar esse curso, ia voltar para a casa dos meus pais (oi? você está certa disso?) e fazer apenas o que quisesse. Contar sobre essa decisão para os meus pais não foi muito fácil, eles não entenderam muito bem, tentaram me convencer a “finalizar” o curso, mas não, já tinha tomado a primeira decisão que cabia apenas a mim e não voltaria atrás.

Voltei pra casa deles, não tinha a mínima idéia do que faria dali pra frente, mas uma coisa tinha certeza, não faria nada do que não quisesse e não seria um peso pra eles. Me comprometi a arrumar um emprego, fui atrás de um emprego e comecei a me “analisar” para ver o que seria da minha vida dali pra frente. Consegui um emprego e decidi fazer Nutrição, em uma universidade particular e meu pai e eu dividíamos a mensalidade, tirei carteira de motorista, voltei a conviver com meus amigos, terminei um namoro antigo, comecei um novo namoro, terminei esse namoro e decidi ficar um tempo sozinha. Tudo que eu fazia desde aquele dia, no qual me vi triste, fazia por mim mesma. Digamos que descobri que só precisava fazer o que eu queria, nada mais. Me tornei alguém melhor, pra mim, nem todo mundo aprova esse tipo de atitude, mas como não estou muito preocupada com a aprovação externa posso dizer que hoje me olho no espelho e vejo quem sou, com todos os meus erros e meus acertos, sem esconder nada de ninguém (e acho que isso ás vezes irrita algumas pessoas).

Se me arrependo de ter largado o curso que fazia? Não! Se me arrependo de qualquer outra coisa? Não! As pessoas então me perguntam com frequência: “Como você consegue fazer tudo isso e estar tão bem?” E ouvem a verdade: “Acontece que só faço o que quero!” O que tudo isso tem a ver com “ir até o fim”? Tem tudo a ver! Você não percebeu que só consegui chegar ao fim dessa pós graduação porque decidi largar tudo aquilo que não me realizava? Que só consegui concluir essa etapa porque isso sim me desafiou, me deixou feliz? Que só cheguei até aqui, e cheguei bem, porque optei por tomar as minhas decisões?

Ao ler isso tudo não pense que sou uma pessoas independente, muito pelo contrário, tenho meu marido e nossos filhos e tudo que faço, todas as minhas decisões são baseadas no bem estar deles, acontece que eles sabem bem me aceitar e me apoiar.O Ju (maridão) não questiona muito minhas decisões, ele me apoia, fica ao meu lado, me dá força e se não fosse isso teria sido bem mais dificil chegar até aqui.

Não é fácil tomar suas próprias decisões, não foi fácil olhar nos olhos dos meus pais e dizer que não continuaria aquele curso, não foi fácil assumir responsabilidades, não é fácil dizer “não quero”, ás vezes é muito mais comodo deixar as coisas como estão, mas isso não realiza ninguém. Pra se sentir realizada/o às vezes faz-se necessário dizer “não”, fazer as malas, pedir demissão, desligar o telefone, fechar/abrir a porta, e tudo isso implica em assumir responsabilidades, ser dono do próprio nariz, limpar as próprias sujeiras, mas te trás leveza, te faz sorrir, te dá  satisfação.

Te convido a “ir até o fim”, sem desistir, bem, na verdade te convido apenas a ser você mesmo, e se for preciso desistir pra chegar até o fim que você tenha coragem pra desistir, se é que você me entende!!!

 

Para as minha crianças! – Sophia, José Miguel e Maria Flor –

Eles são tudo, menos meus!

             Eles são tudo, menos meus!

Eles são as olheiras no meu rosto, o sorriso nos meus lábios e as lágrimas que marejam meus olhos. Eles são a casa bagunçada, o brinquedo no banheiro, a minha cama sempre desarrumada, os copinhos de plástico no escorredor da cozinha, um papel rabiscado no meio de um livro, o lápis de cor fazendo parte da decoração da estante, o motivo de não assistir à um único episódio ao menos do meu seriado favorito por completo, terminar uma conversa ao telefone ou conseguir escrever esse post de uma só vez.

Eles são o meu cabelo sempre preso, a minha preocupação com o clima, as escovinhas de dente na pia do banheiro, a fruteira sempre reabastecida, o cheiro de lenço umedecido nas minhas mãos, o barulho do liquidificador batendo uma vitamina, o melhor “Manhêêêêê, acabei” que um dia imaginei ouvir, o cheiro de criança pela casa, o chulezinho que eu gosto de cheirar, a minha falta de privacidade para ir no banheiro, a minha força para levantar da cama nos dias difíceis.

Eles são a minha vida atual quase antisocial (se é que você me entende), o garçom confuso com tanta criança em uma única mesa dentro de um restaurante, os meus banhos cronometrados,o meu alerta constante dentro do shoping, aquele cheirinho gostoso de bolo de chocolate no forno, o aumento na fatura do cartão, o meu coração que dói de amor e bate mais forte de tanta felicidade, a minha contribuição por um mundo melhor, menos machista, preconceituoso ou racista.

Eles são minhas lágrimas, meus sorrisos, meus medos, minha felicidade, minhas culpas e minha ansiedade. Eles são essa minha nova preocupação com política, economia, água, meio ambiente, sociedade e inflação. Eles são o meu conhecimento por papinhas, melhores alimentos, brinquedos pedagógicos, medicamentos, agrotóxicos, doenças, a música infantil que não sai da minha cabeça, o brinquedo que eu piso no meio da noite e o motivo de não gritar quando esse brinquedo é pontudo e machuca meu pé.

Eles são a minha vida, o meu tesouro, a minha alegria, o motivo do meu coração estar sempre cheio de alegria. Existe apenas uma coisa que eles não são, MEUS. E o que mais quero é saber criá-los para que eles sejam livres e torço para que isso faça com que eles queiram sempre voltar, por vontade própria.

Filhos, eu amo vocês e, sinceramente, não teria pra mim uma outra vida se não essa, de cuidar de vocês!

Criança tem que ser criança…apenas isso!

Essa imagem publicitária foi proibida!

Essa imagem publicitária foi proibida!

Cada vez que vejo publicidade infantil ou propaganda usando meninas como se mulheres fossem fico enojada. Primeiro que a publicidade infantil em si já me incomoda ao extremo, já tive que ouvir da Sophia coisas do tipo “Mas o moço da televisão falou que eu preciso de um daqueles, mãe!”, “Na televisão fala que pra ser forte preciso tomar esse, mãe!”, e isso me irrita tanto. Há quem diga: “É simples, desligue a TV!”. Mas não, não é tão simples porque a publicidade infantil não está só na TV, ela está na prateleira do supermercado, no estacionamento do shoping, no parque, na coleguinha da escola que tem acesso à todos os produtos que a publicidade dita, e em TUDO, mas em TUDO mesmo. Eles pegam pesado! E eles desrespeitam!

Aqui em casa ninguém ganha nada só porque achou legal, nós entramos e saimos de lojas de brinquedos sem comprar nada, sem nenhum problema, sem nenhuma culpa e sem nenhuma lágrima. Eles pedem e nós explicamos e eles entendem! Criança tem inteligência, viu!? Não subestime a inteligência do seu filho nunca, caso contrário ele te dominará com a inteligência e esperteza dele. A Sophia um dia me pediu uma sandália que vinha com alguma coisa, um brinquedo que não me lembro o que era e eu , sabendo da inteligência dela, apenas expliquei que nós compramos apenas o que precisamos e aí contamos juntas quantas sandálias ela tinha e depois disso apenas perguntei: Você precisa de mais uma, filha? E ela soube responder que não e que quando precisasse ia querer aquela. Bem, ela aprendeu a lição, hoje quando quer algo primeiramente pergunta se ou argumenta que precisa, e ela tem apenas quatro anos. E quando percebo que a publicidade é quem está ditando o que ela precisa, explico e ela entende e pronto.

Mas o que me deixa mais enojada é essa força que fazem para que a criança deixe de ser criança, e a apelação é muito maior no mundo infantil feminino. A menina já tem naturalmente o desejo de ser como a “mamãe” e a publicidade apela pra isso, oferecendo sutians infantis, catálogos com apelação, as roupas de meninas são mini roupas de adultos, sapatos com mini saltos, uma coisa horrorosa. Aqui em casa já aconteceu de brincar de passar esmaltes, maquiagem, colocar meus sapatos, meus sutians, “fazer” a barba igual o papai, coisas que crianças fazem, e não só a Sophia já fez isso, mas o José Miguel também fez, e daí?! Mas isso é coisa de criança! Se a Sossô pode pintar as unhas na manicure? NÃO! Se vou comprar pra ela o sutian bunitinho daquela marca super famosa? NÃO! Ela não tem peito e não precisa!

Essa semana surgiu ai um ensaio da Vogue Kids, o ensaio é repugnante, eles usaram meninas para as fotos mas as poses são provocantes, como se fossem mocinhas crescidas e maduras. Isso incentiva não só a adultilização, mas o amadurecimento precoce, se tratando de sexualidade e é um conteúdo totalmente pedófilo, no meu ponto de vista. Estimula a adoração pelo corpo, a conceitos como “O que importa é chamar a atenção!”, “É preciso ser magra!”, “É preciso se mostrar!”, e isso leva à uma geração de mulheres doentes pelo corpo perfeito, nunca satisfeitas, anoréxicas e bulímicas, Sim, é sério assim!

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      Esse tipo de foto pode? Veja mais aqui

E acredita que só depois de ver esse ensaio é que fiquei sabendo que uma marca super famosa e que todas as meninas “devem” usar já fez um ensaio que foi PROIBIDO (a primeira foto do post é desse ensaio)! É minha gente, a tal Lilica Ripilica fez um ensaio assim e em uma das fotos tem uma menina com uma pose bem “ousada” e a mensagem é “Use e se lambuze!”, sério que alguém pode achar isso normal? É melhor rever conceitos, heim!? Aqui batemos na tecla do “sem marca”, compramos em qualquer loja, e gostamos de roupas infantis e sapatos infantis confortáveis. As meninas usam roupa Lilica Ripilica porque ganham, mas não é a moda mais bonita, na minha opinião. Gosto muito mais das coisas da Hering, acho básico, colorido e confortável. E também não gosto de moda adulta para crianças, tipo body da moda, sapato com saltinho e me pergunto com frequência: Quando foi que perdemos o senso de que o mágico da infância é ser criança?

O mais curioso é que dia desses um fotógrafo norte americano fez fotos da filha em momentos de brincadeiras dela durante uma viagem, tem foto dela só de calcinha, usando o piniquinho e as fotos foram excluídas das redes sociais, o perfil dele foi bloqueado e o cara foi, praticamente linchado por causa das fotos, o acusaram de pedofilia, sendo que as fotos continham apenas momentos da filha, não tinha nada “ousado”, achei até tudo muito bonitinho, acho lindo registrar todos os momentos dos filhos, nós fazemos isso aqui. Mas então, as fotos dele foram excluídas das redes sociais e ele sofreu ataques por isso, e uma revista encontra espaço para divulgar fotos e ditar modas para crianças. Esse mundo é de uma incoerência, não!?

Esse tipo de foto não pode?

  Esse tipo de foto não pode? Veja mais aqui

É preciso lutar contra essa adultilização. É preciso defender nossas crianças! É preciso ir contra a publicidadae infantil e portegê-las! Boicote a publicidade infantil pelo bem dos seus filhos!!!

Os filhos, as noites em claro e uma mulher cansada.

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Essa mulher que hoje vos escreve é uma mulher que está cansada. Não, esse não é um post “mimimi” é apenas um post pra contar como têm sido as coisas. Nunca imaginei que seria tão feliz como sou mas também nunca calculei esse nível de cansaço que sinto. Não vou ficar com aquela demagogia “ah, eu não trocaria isso por nada”, “ah, eu só sei agradecer”, “ah, meu coração está cheio e repleto de felicidade”, isso aí tudo é fato e se você é mãe sabe bem que é isso tudo aí que sinto, se você ainda não é mãe mas convive com uma mãe, sabe também que isso aí é tudo o que eu sinto.

Mas enfim, pra se ter tanto prazer na maternidade é necessário se cansar. Isso mesmo! É necessário se cansar, se desgastar, se entregar, sem limites. E é bem isso, pra se ter o prazer é necessário ter o trabalho. É obrigatório ter o trabalho de dar o banho pra sentir a criança passando a mão (toda molhada, diga-se de passagem) no seu rosto e te dizendo: “Você é bunita!”. É preciso suportar o “fedor” do cocô pra ouvir um: “Eu te amo!” justamente enquanto se está trocando a criança. É necessário ter que fazer o almoço, deixar a criança lambusar mesa, cadeira e chão e ter o trabalho de limpar tudo pra ouvir: “Tava malavila!”, é necessário ter o trabalho pra ter a recompensa. Não que eu lide com a maternidade como uma moeda de troca, apenas gosto de satisfazer quem me faz tão bem.

Sempre que cuido das crianças, que as seco depois do banho, que escovo os dentinhos, que passo o cotonete eu viajo no “servir” que é a maternidade. E pra mim a maternidade sem esse servir deve ser bem sem graça. Eu gosto daquele cheirinho de cabelo molhado, daquele chulézinho enquanto corto as unhas do pé, daquela remelinha ali, no cantinho do olho enquanto escovo os dentinhos, daquele olhar inocente que diz: Obrigada por estar fazendo tudo isso!

E as noites em claro!? Ah, as noites em claro! Elas são mágicas e intermináveis, a bebezica mama de madrugada e sim, eu amamento de madrugada. Quando ela resmunga penso: “Não acredito, hoje não vou dar conta!”, mas aí coloco ela no peito e ela já começa a fazer carinho no meu rosto enquanto mama e, devagarzinho vai ficando molinha, fecha os olhinhos e continua acariciando meu rosto e não é que tem gente que vem me dizer que não se deve amamentar na madrugada!?

Sim, no outro dia fico um lixo, mas não há no mundo nada que substitua esses momentos e eles passam tão rápido que eu queria apenas poder guardar tudo em uma caixinha pra poder reviver a cada vez que sentisse saudades. Porque a gente sente saudade.

Então, só uma coisa, se você é mãe e você quer ser mãe você vai se cansar, você vai achar que não vai dar conta, você vai se desesperar, você vai chorar escondida no banheiro, você vai querer um minuto de silêncio, você vai se perguntar: Onde foi que eu fui me meter?” , mas no final das contas seu coração vai se encher de um sentimento que palavra nenhuma poderá descrever e um dia, lá na frente, você vai olhar pra trás e vai sentir saudades daquelas madrugadas em que o seu bebê acariciava seu rosto enquanto você perdia a noite de sono.

Vai por mim, todo esse cansaço só faz a vida valer a pena!!!

Rotina!

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Uma das perguntas que ouço com frequência é: como você consegue conciliar tudo? E a resposta é sempre a mesma: rotina!!!

Por aqui criamos rotinas pra tudo, para algumas pessoas somos chatos, para outras somos metódicos, mas para nossa família tem dado certo. Aqui definimos hora para o banho, para as refeições, para as sonecas e para a hora de ir pra cama a noite. Seguimos o mesmo ritual desde que a Sophia era bebê e tem dado certo. Se não fosse por essa rotina a mamãe aqui já estaria louca!

Quanto aos assuntos da casa, aquelas obrigações que nós, donas de casa, adoramos cumprir, como lavar a roupa, lavar banheiros, limpar a casa, passar a roupa, bem essas orbigações aí vão entrando nos intervalos e faço de tudo para torná-las mais prática possível. Vou descrever um dia normal nosso pra você ter uma noção de como as coisas vão acontecendo, digo um dia normal porque temos nossos dias turbulentos, noites mal dormidas, festas ou passeios que nos tiram da rotina, crises de tosse que levam à um vomitado interferindo em todo nosso sistema, essas coisas banais e que raramente acontecem (Só que não…rsrs).

As crianças vão para a escola logo cedo, o maridão cumpre todo seu papel de pai acordando e arrumando as crianças para a aula. Sim, ele acorda, dá o leitinho delas, escova os dentinhos, troca a roupa e ajeita os cabelos dos dois, um pai de fato, neh. Um marido que entende noites mal dormidas, que respeita as mamadas fora de hora da Maria Flor, um vomitado ou uma fralda que não suportou a demanda…kkkkkkkkkkkk…ele toma as rédeas e arruma as crianças e as leva para a escola.

Assim que a Maria Flor me dá uma liberada pra tomar um café aproveito para colocar as coisas no lugar, escovar os dentes, ligar pra minha mãe, resolver pendências da SlingaBaby, colocar roupa na máquina, tirar um pózinho dos móveis, fazer alguns exercícios físicos, ainda que em 15min. (siiiiiiim, faço isso aí também, porque mereço me sentir de bem com o meu corpo). Volto pra ela, até porque ela é bem agarradinha e a coloco dentro do sling, e lá vamos nós, pra segunda etapa da manhã. Passamos (digo passamos porque ela está no sling) um pano na casa, ou o aspirador, lavamos as sacadas e começamos a preparar o almoço, só preparar, não dá pra cozinha com um bebê no sling, É PERIGOSO!!!

Faço o almoço, marido e crianças chegam, almoçamos todos juntos e depois da sobremesa a Sophia e o José Miguel já sabem que é hora da sonequinha. Dou banho na Maria Flor, deixo ela ficar no peito até pegar no sono, às vezes ela colabora e dorme a tarde toda, às vezes ela decide que quer chamego e só dorme se eu estiver deitada com ela e outras vezes ela, simplesmente, decide que não vai dormir, temos que respeitar…kkkkk…

Assim que as crianças acordam dou um lanchinho pra eles, um tempinho pra brincar e depois disso vai todo mundo para o banho, dou banho nos dois junto. É mais prático, mais rápido, os dois se divertem juntos e é assim que é. Se a Maria Flor está em um dia difícil, de extrema carência, coloco ela no sling e dou banho com ela ali, dá certinho. Se ela estiver mais tranquilinha, ou até mesmo dormindo, aproveito até pra tomar banho junto com eles…é uma loucura…e é uma delícia…é o nosso momento de brincar juntos, eles adoram.

Depois desse banho todos ficamos livres. Eles brincam muito, tomo um cafézinho da tarde, a Maria Flor mama de meia em meia hora (rsrsrs), a Sophia e o José Miguel devem brigar pelo mesmo brinquedo umas 18 vezes, eu devo perder a paciência nas 18 vezes e aí o marido chega. Aproveito o período da noite, que o Ju está em casa para fazer coisas como passar a roupa, estender aquela roupa que coloquei pra bater de manhã, lavar a louça do almoço, separar a roupa da escola dos meninos do dia seguinte, organizar as mochilas, ir no banheiro fazer xixi…rsrs…brincadeira…exagero…tá, às vezes acontece!

As crianças, exceto a bebezica Maria Flor, vão pra cama por volta das oito e meia da noite, depois de guardar todos os brinquedos, é claro que fica um ou outro, jogado no meio da sala, em cima da minha cama, dentro do banheiro, no armário da cozinha, enfim…eles colocam os pijaminhas, tomam o leitinho, escovam os dentinhos e vão pra caminha, rola uma oração, um milhão de beijos, e o José Miguel acaba soltando alguns “tá muito esculo meu quaito!”. Depois desse processo, vem o processo do banho da Maria Flor, um banho gostosinho e relaxante, uma mamada grande e ela pega no sono e vai até o outro dia…não…péra…isso aí é nos meus sonhos…na vida real, ela toma o banho, mama muito, cochila, mama mais, pega no sono e vai até as três da madrugada!

Se eu quero outra vida??? Não não!!! Porque depois de tudo isso aí o Juliano e eu nos deitamos, olhamos um para o outro e sentimos que a felicidade é a nossa rotina, tudo isso aí enche os nossos corações, essa é a nossa vida, a vida que escolhemos e por mais que pareça cansativa nós só conseguimos nos sentir abençoados por Deus, por nos dar tamanha felicidade!!!

Livre Demanda…o segredo do sucesso!

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Eu sempre sonhei em amamentar, nunca imaginei que os primeiros dias pudessem ser tão complexos e muito menos que minha vida se resumiria à um bebê agarrado no meu peito. Mas virei a cara para as dificuldades e lá fui eu! Sou dessas, determinada e decidida! Tive sucesso nas três vezes, a Maria Flor ainda é meu “chaveirinho de peito”, e 99% desse sucesso se deve à LIVRE DEMANDA!

O que é livre demanda? É deixar o peito TOTALMENTE à vontade para o bebê, mamou há uma hora e meia e já está resmungando? Oferece o peito! Mamou há uma hora e já está resmungando? Oferece o peito! Mamou há meia hora e já está resmungando? Oferece o peito!

Há quem diga que o bebê deve mamar de três em três horas, eu, como mãe e nutricionista digo que o bebê deve mamar na hora que ele tiver vontade! O estômago do bebê é muito pequeno nos primeiros dias de vida, nos primeiros meses, por isso ele armazena pouco e o leite materno é facilmente digerido, e está aí a importância da livre demanda!

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Não existe leite fraco e, se não me engano, menos de 5% das mulheres aprensentam problemas hormonais que a levam a não produção de leite. Sendo assim, a questão da produção de leite está na oferta do peito ao bebê, já que quanto mais ele sugar, mais as glândulas serão estimuladas e mais leite será produzido. Oestado emocional da mulher também pode afetar a produção de leite, se ela estiver passando por dificuldades, sob pressão ou em quadro de depressão pós parto o sucesso da amamentação pode não acontecer como o esperado. Mas sabe-se hoje que a mulher que com depressão pós parto que insiste na amamentação consegue superar o quadro mais rápido!

Aqui em casa sempre foi assim bebê resmungou a primeira opção é oferecer o peito, mesmo se tiver mamado há apenas meia hora, caso o bebê não queira mamar (o que nunca aconteceu…kkkkkk), eu olhava a fralda, tentava ninar, mas geralmente uma mamadinha era suficiente mesmo. Já ouvi diversas vezes coisas do tipo: “Seu leite não deve sustentar, já que ele está mamando de novo!” “Ah, eu acho que essa criança está passando fome!” “Ah, eu acho que esse leite não mata a sede e esse bebê está com sede!”, mas como sempre me interessei pelo assunto não tinha problema em lidar com essas questões, não respondia, mas também não dava ouvidos.

Já passei por momentos em que acreditava não estar mais produzindo leite, dias em que havia passado a noite em claro e estava esgotada, o bebê nervoso no peito, eu chorando, peito TOTALMENTE mucho e eu apenas chorava enquanto o bebê chorava. Ai o marido, como bom “consultor em amamentação” que acabou se tornando, pegava o bebê e o fazia dormir enquanto eu descansava, e no fritar dos ovos percebia que ambos (o bebê e eu) estávamos cansados e o que precisávamos era de uma boa soneca, e no dia seguinte tudo estava normal.

Outra coisa que aprendi com o tempo foi que peito não é armazém, mas sim fábrica! Essa coisa de peito cheio de leite não é legal, pode dificultar a pega correta, levar o bebê a não conseguir mamar o suficiente e aí sim, passar fome. E existe ainda o risco de mastite, nos casos em que o leite está “armazenado”. O ideal é “mamas vazia e macias”, isso facilita na pega e durante a sucção e o corpo se encarrega de produzir a quantidade que o bebê demandar.

Fica aqui a dica: VIVA EM LIVRE DEMANDA!!!

Não estipule horários para as mamadas, não deixe o seu bebê resmungando, ofereça o peito, o máximo que vai acontecer é ele mamar além da conta e dar aquela vomitada na sua roupa limpinha, mas nisso depois você dá um jeito. Ofereça o peito sempre, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada! Não ofereça complemento para o bebê dormir a noite toda, isso interfere na sua produção de leite, não deixe que te convençam de que você não tem leite, ou de que o seu leite é fraco. Ofereça o peito o tempo todo, em qualquer lugar, a qualquer resmungo do seu bebê. Tudo isso passa muito rápido, mas os benefícios que o aleitamento materno provocam na sua saúde, na saúde do seu bebê e no vínculo entre vocês não passarão nunca.

E um VIVA À LIVRE DEMANDA!!!

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Dica de leitura: Vlia Mamífera

O que não nos contam sobre a amamentação!

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É comum encontrar uma mãe amamentando, ou assistir algum filme com uma mãe amamentando e acreditar que foi só o bebê nascer e tudo já se encaixou perfeitamente, bico do peito formado, quantidade de leite ideal, nada de peito “rachado” ou “empedrado”, bebê com pega correta e por aí vai. Mero engano pensar assim. Todas nós, mães, passamos por dificuldades na primeira fase da amamentação, algumas choram mais, têm coragem de falar sobre as dores e os medos, outras são mais duronas, mais “orgulhosas” e não gostam de dar o braço a torcer, aí elas mentem ou apenas escondem a verdade.

O fato é que amamentar DÓI, pelo menos na primeira fase. Nem todas conseguem o sucesso tão esperado e isso dói mais ainda, porque dói no coração, é a dor da frustração. Quando o bebê nasce o ideal é que ele vá direto para o seio da mãe, não que seja regra que ele mame ali de imediato, mas esse primeiro contato é fundamental para os próximos dias. O que vejo de mais grave é que nas maternidades eles “tiram” o bebê de perto da mãe nas primeiras duas horas de vida, isso já é um choque para ambos. Algumas maternidades oferecem “complemento” para o bebê, dizendo que o choro é de fome e que o leite ainda não desceu, que ali só tem o colostro ( primeira substância totalmente importante para o sistema imunológico do bebê) e que o mesmo não é capaz de sustentar o bebê .

O fato é que o colostro é de extrema importância, além de ser a “vacina natural” para o bebê é o primeiro contato entre o bebê e o seio da mamãe e esse contato é importantíssimo, ali é a hora que a mãe pode aprender sobre a forma de se posicionar e treinar o bebê a fazer a pega correta. Eu tive duas consultoras e tanto na minha primeira experiência com amamentação, a minha mãe, que me ensinou muito, com carinho, paciência e segurança do que estava dizendo e fazendo e a outra é uma pessoa que foi muito importante na minha vida, mas que hoje já não está mais tão próxima, a “tia Simone”, digamos que eu sou a “filha emprestada” dela. Elas me tranquilizavam, me ensinaram a ordenhar nos primeiros dias e a deixar a natureza a agir por si só, sim a natureza sabe o que fazer, somos mamíferas e, não só o nosso corpo, mas nossa mente e coração sabem bem o que fazer, o que atrapalha é o externo e se ele em nada acrescenta, evite-o!!! Não usei NENHUMA pomada ou protetor de seios, não acredito que eles possam auxiliar, eu Vanessa, acredito que a natureza sabe fazer bem o seu trabalho. Nos primeiros dias doía muito, cheguei a acreditar que não seria capaz mas fui, e cá estou eu, amamentando a terceirinha!

Meus seios “rachavam”, sangravam, doiam, ficavam cheios demais, vazavam demais. De repente “esvaziavam”, parecia não ter mais nada ali, e o bebê resmungava e eu chorava imaginando que não tinha mais leite, mas que nada, eles apenas pegaram o ritmo das mamadas e só enchiam o suficiente para a demanda, assim amamentei muito, e amamento a Maria Flor.

Não desista, minha amiga! A primeira fase vai passar! Pra facilitar as coisas, caso estejam caóticas, fique sem blusa com o bebê no colo, fique o bebê no colo o tempo todo, ele não vai ficar manhoso, não é preciso fazer mais nada além de amamentar! Converse com pessoas que te incentivem a amamentar e que te auxiliem nisso, evite ou não absorva comentários do tipo: “Seu leite é fraco”, “Ele chora de fome!”, “É melhor dar outro leite!”, e insista, insista e persista.

Ah, e lembre-se: NÃO EXISTE LEITE FRACO! Caso o bebê não esteja ganhando peso:

  • observe se a pega do bebê está correta, fazendo um “bico de pato”!

  • avalie se a mamada tem sido livre demanda, ou seja, sempre que o bebê resmunga a primeira atitude é oferecer o peito!

  • Procure com urgência banco de leite da sua cidade, com pessoas especializadas para te ensinar tudo sobre essa fase!

O bebê não chora de fome, o bebê chora porque é um estranho em um ambiente estranho, se imagine sendo colocado em uma aldeia indígena, com um dialeto desconhecido e sem poder se comunicar, se movimentar, sendo assim, tudo é estranho ao bebê e a única coisa que o acalma é estar perto da mãe, ouvindo seus batimentos cardíacos e voz, sentindo seu calor.

Não é ” melhor” dar outro leite, existe a opção para casos em que, depois de observadas e analisadas todas as opções não há condições para o aleitamente materno, mas não é a melhor opção. Insista, não desista!

 

Avaliando a pega do seu bebê:

 

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