Amor Puro · Maternidade

…descobrindo que não estou no controle de nada…

...esse é o único momento daquele dia que quero guardar na memória...

É isso mesmo, na verdade acredito que nós já deveríamos nascer com a concepção de que não estamos no controle de nada nessa nossa vida, não entendo porque insistimos em querer estar. Alguém aí tem a resposta para essa minha dúvida? Falo isso porque no final dessa última gravidez passei por momentos em que a cada instante eu ficava mais angustiada, porque a cada situação eu percebia que não tinha o controle sobre o que estava acontecendo.

Nas últimas semanas da gravidez do José Miguel percebemos que ele não estava ganhando peso suficiente e não se conheciam os motivos para que isso estivesse acontecendo. Imagina a dor e a culpa que uma mãe sente ao fazer uma USG e saber que o bebê não está ganhando peso e que ele vai ter que “ser nascido” bem antes da hora.

Quando a Sophia nasceu entrei em trabalho de parto, ou seja, fiquei tranquila na hora do parto pois sabia que era o momento dela nascer, apesar de não ter feito PN por motivos irrelevantes no momento, eu estava bem segura do que estava acontecendo, não senti medo e se chorei foi de emoção. Quando engravidei do José Miguel queria muito ter um PN, apesar de saber que a maioria dos médicos não aconselham um PN após um PC com intervalo menor a dois anos, mesmo assim eu queria pelo menos entrar em trabalho de parto, sentir que era a hora. Mas saiba de uma coisa, não foi nada como eu tinha planejado!

Quando completei 33 semanas gestacionais minha GO já me avisou que provavelmente nós não chegaríamos à 38º semana gestacional por causa do baixo peso fetal, começamos a acompanhar com USG semanais e a situação continuava a mesma e o sentimento de culpa crescia cada dia mais, e por mais que ela me dissesse que a culpa não era minha eu não conseguia me tranquilizar.

Antes de completar 36 semanas gestacionais fizemos um USG que constatou que o peso fetal continuava baixo e o líquido aminiótico tinha diminuido, tudo isso tem uma imensa explicação médica e ela não queria correr o risco, sendo assim chamou meu marido e eu para uma longa conversa com explicações que eu, sinceramente não queria ouvir. Durante essa conversa a GO resolveu medir a barriga e conferir meu peso, adivinha! A barriga tinha diminuido e eu tinha perdido peso, ou seja, sinal de que as coisas não estavam indo bem. Isso era uma “bela” de uma sexta-feira e ela nos aconselhou fazer o parto até no máximo segunda-feira, imagina o nosso final de semana, colega…

Eu chorava o tempo todo, tive uma dor de cabeça eterna, um medo sem tamanho, afinal de contas meu bebê “seria nascido” bem antes da hora, eles iriam invadir a “casinha” dele antes dele querer nascer, eles iriam arrancar ele de mim antes mesmo de eu estar pronta para ele sair. E pensamentos como: “o que eu fiz de errado?”, “o que eu poderia ter feito diferente?”, “porque isso está acontecendo com a gente?”, “e se ele após o parto ficar dias longe de mim?”, “e se ele precisar de UTI-Neo?”, “e se ele morrer? (sim, isso passou pela minha neurótica cabeça!)”. Nada disso aconteceu, mas a minha cabeça é programada para esperar sempre o pior, prometo que estamos trabalhando para mudar isso!!!

Como eu não estava me sentindo nada bem decidimos fazer o parto no domingo mesmo, e além do mais não sabíamos o que estava acontecendo, ou seja, tinha aquele medo de que o pior acontecesse se esperássemos muito tempo. Durante o parto eu chorava o tempo todo, pedia perdão ao meu pequeno passarinho (caso a culpa fosse minha), tentava ouvir o que os médicos diziam, tentava manter a calma (isso era inútil). De repente comecei a ouvir a médica dizer coisas como: “olha, o líquido estava bem pouco mesmo!” e algo parecido com: “duas circulares muito apertadas!” e outro médico ainda soltou: “muito prematurinho mesmo”, ouvi um chorinho fraco, me mostraram um bebê muito magrinho e muito roxinho (sinal de que ele realmente não estava muito bem mesmo). E aí pronto, levaram meu passarinho para longe de mim e eu não ouvia nada, nenhum choro além do meu, imagina meu coração.

Durante as finalizações dos processos cirúrgicos os médicos ficavam tentando me acalmar me dizendo que estava tudo bem com ele, e eu ali, totalmente sem controle sobre a situação, sem poder ver e nem ao menos ouvir o meu bebê. Ai lá vem o maridão, me dizendo que estava tudo bem, confesso que só nessa hora comecei a ficar calma. Fui para o quarto e nada do meu bebê chegar, e eu com o choro engasgado, queria dar de mamar, queria pegar ele no colo, queria ter certeza de que ele estava bem. Umas duas horas depois que eu já estava quase morrendo de agonia lá vem o meu pequeno, tão pequeno, mas tão pequeno e tão lindo, mas tão lindo que fiquei apaixonada. Peguei ele logo, coloquei ele no peito e dali ele não saiu mais! Estava numa fome e foi forte para mamar muito porque ele queria vir logo para casa, não queria ficar longe da mamãe aqui..rs!

Saimos do hospital dois dias depois com um bebê de 2Kg e 44cm, imagina a responsabilidade. Mas não tivemos medo do desafio, o tempo todo eu colocava o nosso ZéMi no peito, e assim ele foi ganhando peso e está até hoje, e por causa dessas mamadas totalmente sem hora não tenho tido muito tempo para escrever…rs!

Agora fui ali que tá na hora de dar mamar…

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Um comentário em “…descobrindo que não estou no controle de nada…

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