Maternidade

Quanto custa ter um filho? (por Paula Abreu)

Fonte Google Images
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Bem, esse texto foi retirado do blog Minha Mãe Que Disse e ele fala sobre o preço de ser ter filhos, o quanto as pessoas se enganam em pensar que um filho “custa caro”, na verdade um filho só custa atenção, dedicação e amor, e essas coisas não se compram na maior loja de brinquedos, ou com a melhor festa de aniversário, ou com infinitas atividades diárias para a criança. Amor, atenção, dedicação e carinho são dados gratuitamente. Confere aí, você vai adorar (ou nem tanto assim…rsrs) o texto!

“De um lado, a família número um. Renda anual de 6 dígitos, um ou dois carros na garagem. Um quarto pro filho, cheio de brinquedos. Escola particular, curso de inglês, natação, judô. Viagem pra Disney. O casal até tem vontade de ter mais um filho, mas como? A moça diz, cabisbaixa: “ter um filho é muito caro!”

Do outro lado, a família número dois. Renda mensal de um ou dois salários mínimos. Nenhum carro na garagem (que garagem?). Todo mundo dormindo no mesmo aposento em colchonetes pelo chão. Três filhos (ou quatro, ou cinco). A vizinha da casa ao lado, que é usuária de crack, acaba deixando o filho com eles todos os dias e, por tabela, eles ganham mais um “filho”. A vida é muito cara mesmo, mas o marido diz: “que diferença faz uma criança a mais ou a menos? Onde comem três, comem quatro.”

Você pode achar os exemplos caricatos ou exagerados, mas eu conheço quem se enquadre em ambos. E, durante o meu processo de adoção, enquanto eu mesma fazia milhares de contas pra saber se tinha condições financeiras de adotar mais de uma criança, quantas vezes vi famílias de baixa renda adotando dois, três e até quatro irmãos. Inclusive com doenças.

Afinal, quanto custa ter um filho?

As famílias de classe média e alta tendem a dizer que é muito, muito caro ter um filho. Mas, se você for analisar a fundo quais são as despesas que elas têm com suas crianças, é fácil ver que estas famílias foram engambeladas pela quantidade abissal de marketing que empurra produtos e serviços para pais desesperados.

Coisas que, na maior parte das vezes, eles mesmos nunca tiveram quando crianças. E viveram e cresceram muito felizes sem, diga-se de passagem.

Ou, pior ainda, você observa que muitas dessas despesas não têm nada a ver com as necessidades da criança, mas são só uma forma de dar vazão ao desejo de consumo desenfreado dos próprios pais.

Chacoalhando na caçamba da Marajó

Quando eu era criança, eu, meus dois irmãos e três primos costumávamos passear com nossos avós de carro nos finais de semana. Meu avô tinha uma Marajó e íamos, as seis crianças, chacoalhando pra lá e pra cá na caçamba do carro. Sem cinto de segurança, sem cadeirinhas especiais e, mais importante, sem uma babá pra cada um sentada do lado.

(até porque raramente estávamos ~sentados~, mas sim nos embolando uns por cima dos outros nas curvas e rindo, rindo muito)

Algumas décadas antes disso, quando os nossos pais eram crianças, em plena Grande Guerra Mundial, esses mesmos avós ficavam muito felizes de poder comprar comida pra eles exclusivamente com o salário do meu avô, já que, naquela época, as mulheres estavam fadadas a serem donas-de-casa.

Muitos anos antes, para o meu bisavô que era agente de estação de trem no interior de Minas Gerais, a grande alegria deve ter sido poder botar os filhos na escola pública para que se formassem e, um dia, quem sabe, tivessem um futuro melhor (e pudessem comprar comida pros seus filhos).

Hoje, não temos guerra ou escassez de comida, e botar um filho na escola – seja ela pública ou privada – é uma tarefa razoavelmente simples. As mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa e, com isso, a renda média das famílias aumentou.

Coincidência ou não, a cultura do consumo aumentou também os desejos dos pais e essa renda “maior”, em vez de ser investida em lazer e maior qualidade de tempo em família, começou a ser gasta em supérfluos que, de uma hora pra outra, foram disfarçados em “necessidades” imprescindíveis.

E assim chegamos aos tempos modernos, em que pais acreditam que precisam de carros enormes com 7 lugares pra se locomover, viagens pra Disney pra se entreter e escolas caras e super exclusivas pra educar seus filhos (abro um parênteses pra fazer aqui minha mea-culpa, porque meu filho estuda em uma escola americana cara, mas meus motivos para ele estar lá são absolutamente ligados à diversidade e ao ambiente acolhedor e inclusivo que, no nosso caso, de uma família interracial nascida da adoção, é importante. Mas considero e pesquiso a fundo a possibilidade de colocá-lo muito em breve em uma escola pública).

Do que uma criança realmente precisa?

A verdade que todo mundo sabe – mesmo que esteja muito abafada debaixo de camadas e mais camadas de consumismo e delírios da vida moderna – é que as coisas de que uma criança realmente precisa são baratas, muito baratas. A maioria, de graça.

* Amor – É o óbvio, mas é importante dizer: antes de mais nada, muito, bem antes do último lançamento da Imaginext, toda criança precisa de amor. Muito. Abundante. Incondicional.

* Um bom ambiente familiar – Além de amor, toda criança precisa estar em um ambiente saudável que lhe permita crescer e desenvolver seus potenciais. Não, isso não significa um quarto decorado pelo fulano-o-decorador-da-moda e com bibelôs dignos de uma capa de revista da Martha Stewart. Em 2012, me mudei para um apartamento da metade do tamanho de onde eu morava com meu filho e, pra viabilizar essa mudança, doei ou vendi metade dos meus móveis e eletrodomésticos. Adivinha se ele sequer percebeu?

A maior parte da minha cultura geral, literatura, música e arte – e tenho uma amiga que diz que eu sei um pouco de tudo, do cocô à bomba atômica – foi obtida não na escola, mas na vida, em casa, no convívio com meus pais e seus amigos, nos bate-papos na mesa de jantar, nas discussões sobre o noticiário da noite.

O que toda criança precisa, no fundo, é do amor, tempo e atenção dos seus pais.

Curiosamente, essas “necessidades” irreais todas geram muito dinheiro para alguns empresários e empresas. Já uma tendência mundial nova que levasse os pais a darem a seus filhos exatamente aquilo de que eles mais precisam – amor, tempo e atenção – não geraria dinheiro pra ninguém (geraria, na verdade, uma grande economia para os próprios pais). Por que será que essa tendência não é incentivada?

Hummm….

Da próxima vez que você comprar – ou sentir o impulso de comprar – algo para o seu filho, se pergunte (e responda honestamente):

Meu filho precisa disso?

Pode ser que você se surpreenda – e também se entristeça um pouco – com a resposta.

Porque pode ser que você perceba que o único papel desse algo que você está comprando para o seu filho é substituir o amor, tempo e atenção que você deveria estar dedicando a ele.

A grande verdade é que criar um filho incrível e que tenha imensas chances de mandar muito bem na vida e ser muito feliz é muito simples: basta ensiná-lo a continuar curioso, gostar de aprender, ter prazer com o seu trabalho e curtir trabalhar em equipe.

Ou seja, criar um filho incrível não custa quase nada.

(aliás, se você estiver dedicando o seu amor, tempo e atenção ao seu filho como deveria ser, é capaz até de você nem ter tempo nem vontade de gastar tanto do seu dinheiro com coisas inúteis e desnecessárias pra você mesmo).”

 

Paula Abreu é escritora, mãe do Davi e autora do livro A Aventura da Adoção e do siteEscolha Sua Vida onde escreve para quem quer fazer escolhas conscientes em busca de uma vida e trabalho com mais própósito.

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