Maternidade

Sobre fobias, agonias, frustrações e choros!

claustrofobia

Desde criança sou meio medrosa mas acho que com o passar do tempo esses medos têm aumentado, não porque eu quero, apenas percebo que cada vez mais tenho medo de coisas antes impensáveis por mim. Quando criança eu tinha muito medo de cachorro, pavor mesmo. Fazia xixi na calça ao ver um cachorro se aproximando de mim. Se eu não tenho vergonha de contar? Eu não, me sinto bem sendo eu mesma e desconfio de gente que se acha muito forte e se diz livre de fobias. 

Pra resolver a questão do medo de cachorro minha mãe me deu de presente uma cadelinha linda quando eu tinha 12 anos, me fez bem, era uma fase confusa da minha vida e a Pitanga (uma poodle preta) acabou se tornando minha “amiga”, o medo de cachorro acabou diminuindo, mas confesso que não sumiu, dependendo do cachorro eu ainda dou uma “bambeada” nas pernas. Perdi, ainda que não totalmente o medo de cachorro mas ganhei outros medos que não sabia que existiam.

Passei a ter medo do trânsito, contra esse eu luto e luto muito. Mas tenho muito medo de sofrer um acidente de carro, de perder meus filhos, de ficar doente e de outras coisas. Não sei se isso é normal ou não, só sei o que sinto. Luto muito contra todos esses medos, coloco meus pensamentos na fé que tenho, oro, tento explicar para mim mesma que não posso evitar nada com esses medos. Sei que nem o medo e nem a ansiedade poderão afastar de mim qualquer mal que possa me acontecer, mas quando a situação está desfavorável não consigo ser tão racional quanto gostaria.

Quis tocar nesse assunto porque esse final de semana que se passou tive que fazer uns exames, tenho muita dor de cabeça, desde a adolescência e só por precaução fui à um neuro que me pediu uma bateria de exames e um dos exames é a Ressonância Magnética do Encéfalo e outro uma AngioRessonância também na cabeça. São dois exames, dentro daquela máquina barulhenta e teriam a duração de 30 à 40 min. Ok, marquei o exame e vamos lá. Antes do exame uma auxiliar de enfermagem me deu várias informações, me preparou para o contraste e me colocou na maca. Fechei os olhos e tentei me concentrar em coisas legais, afinal de contas tanta gente faz esse exame e eu nunca tinha tido episódios de claustrofobia.

Tentei colocar meus pensamentos em coisas boas enquanto apertava bem os olhos para não correr o risco de abrí-los até o fim do exame, pensei nos meus filhos, cantei mentalmente músicas que gosto e até músicas que canto para eles, fiz combinações numéricas mentalmente, “organizei” como poderia ser minha semana, tudo isso para tentar me distrair, mas com aquela barulheira toda acabei perdendo o foco e abri os olhos. Foi abrir os olhos e o desespero veio, uma ânsia de vômito, a cabeça começou a ficar estranha, meu coração parecia que ia explodir e começou então uma crise de ansiedade, meus pés começaram a se mexer involuntariamente e a vontade de vomitar ficava cada vez mais incontrolável, não consegui. Pedi para parar, aos prantos, mas pedi.

Foi uma das piores sensações da minha vida, não só a crise de pânico mas também a frustração por não ter conseguido. Não conseguia parar de chorar, perdi totalmente o foco, fiquei com vergonha, me senti mal por não ter sido capaz. Não conseguia parar de chorar. Enfim, tive uma crise de pânico e isso nunca havia se passado pela minha mente. No momento a única coisa que eu queria era não existir. 

O médico foi muito gentil comigo, me explicou que é normal que algumas pessoas se sintam assim, a maioria dos pacientes passam por esse procedimento sedados e que eu teria essa opção, me aconselhou a marcar novamente o exame, em um outro dia e que o exame fosse feito com sedativo. 

Bem, posso dizer que chorei o dia todo, só conseguia me lembrar de todas as coisas que não dei conta, das minhas frustrações, dos meus medos. Hoje acordei melhor, aceitando o fato de ser única, de ser eu, de ser talvez, sei lá, como dizem por aí “mole”, mas ser eu. Não preciso me esconder atrás de máscara, não preciso me mostrar forte o tempo todo, nem por isso deixarei de ter segurança pra ser quem eu sou. 

Só eu sei dos meus medos, das minhas inseguranças, das minhas agonias, das minhas frutrações. Só eu sei o que é ser “eu” e quanto custa ser “eu”. Posso ser mole, medrosa, mas sou “eu”, ninguém mais. E se tem como fazer o exame sedada, porque não fazer?

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7 comentários em “Sobre fobias, agonias, frustrações e choros!

  1. OI Vanessa, o medo por vezes é incontrolável mesmo. Eu tenho claustrofobia e tenho pânico de ficar presa no elevador. Mas o engraçado é que os exames eu consigo fazer, mas me mantenho de olho fechado e pensado em coisas boas. Aí consigo me controlar. Só que no elevador esse método não funciona pra mim.
    Eu sei bem como você se sentiu.
    Ah, que bom que você teve a Pitanga quando tinha 12 anos.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/
    #amigacomenta

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  2. Me identifiquei com algumas coisas menina. fui uma criança mega medrosa, fiz xixi na cama até os 8 anos. Tinha muito medo do trânsito, ainda tenho, mas procuro um controle, medo da violência urbana, da violência gratuita. Faço terapia, isso tem me ajudado muito.
    Vai com calma que as coisas se arrumam, e terapia p/ ajudar.
    Bjs
    #amigacomenta

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  3. Medo é bom, faz parte do instinto de preservação, sem ele correríamos muitas vezes riscos desnecessários. O mais importante de tudo é saber diferenciar o medo normal daquele que paralisa a gente. No caso do seu exame eu nem tinha tentado sem o sedativo pois tenho um quê de claustrofobia. 🙂 Força na peruca e sedativo na veia amiga!
    Beijo
    Débora Araújo
    #amigacomenta
    @personalbebe

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