Gravidez

Parto Humanizado, a melhor escolha! (Parte 2)

Se eu passar por outro serviço desumanizado é bem assim que vou ficar!!!
Se eu passar por outro serviço desumanizado é bem assim que vou ficar!!!

Ontem falamos sobre o meu primeiro parto, quando nasceu a Sophia, foi uma cesárea e correu tudo bem. Hoje vamos falar do meu segundo parto, quando nasceu o José Miguel, também foi uma cesárea porém não correu tudo bem. Me senti muito mal em todos os momentos, no pré-parto, durante o parto e no pós-parto e vou contar tudo pra vocês verem como a falta de serviço humanizado nos machuca. Apesar do parto da Sophia ter sido cesárea eu me senti bem durante o parto, me senti acolhida, é claro que o pré-parto não foi nada humanizado, mas durante o parto e no pós-parto eu me senti muito bem tratada.

Vamos lá!

A gestação corria bem, porém eu me sentia mais cansada, acho que até porque a Sophia ainda era muito pequena quando eu descobri a gravidez, ela tinha apenas um aninho, dependia muito de mim. Mas mesmo assim eu tentava descansar e curtir a gravidez. Quando entre na 33º semana fiz um ultrasom e a médica disse que o José Miguel estava pequeno e com baixo peso pra idade gestacional, porém não nos preocuparíamos  à princípio, até porque a Sophia também nasceu pequena, ou seja, poderia ser uma características das minhas gestações. Mas mesmo assim ela quis fazer um outro ultra em uma semana.

Completada 34 semanas, lá fomos nós fazer outro ultra e concluiu-se a mesma coisa, ele era pequeno e tinha baixo peso pra idade gestacional, aí ela já começou a ficar preocupada e me mostrou claramente essa preocupação. Minha barriga não cresceu e então marcamos um outro ultra com 35 semanas. Lá vou eu, novamente ver esse bebê com 35 semanas e 4 dias, durante o ultra o médico que o fez percebeu que o líquido tinha diminuído, que ele não tinha ganho peso suficiente e já ligou pra minha médica. Ok!

Isso era uma quinta-feira, 26 de janeiro de 2012, por volta das 5hr da tarde. Eu sai do médico que fez o ultrason de cabeça baixa, abatida, fui ao shopping comprar umas coisas que faltavam pra mim e já comecei a me preparar para o adiantamento do parto. No meio do meu passeio, quando eu já estava quase me distraindo do assunto ela me liga e diz:

-Faremos seu parto amanhã! Você pode vir para o hospital logo cedo, em jejum que vou encaixar você em um horário.

Na hora eu entrei em desespero. Como assim? Ela marcou meu parto sem antes conversar comigo? Ela ia decidir isso assim? Sem minha opinião? Sem meu barraco prévio? Claro que não! Na hora eu alterei a voz e disse:

-Não! Eu não vou fazer o parto amanhã e não vou fazê-lo sem que antes você me explique toda essa pressa em fazer esse parto! O bebê está bem e podemos esperar mais.

Ela concordou, abaixou o tom de voz e pediu “com carinho” que eu fosse ao consultório dela às 8hr da manhã porque ela me explicaria direitinho o motivo da pressa e deixaria eu decidir então…(assim tá bem melhor, neh!?). Passei a noite aos prantos, mexendo com o Zé o tempo todo pra senti-lo vivo dentro de mim, conversando com ele, explicando à ele (e mais à mim) que talvez teríamos que nos separar antes da hora, mas isso só seria feito em caso de extrema necessidade.

Logo pela manhã tomei um banho pra disfarçar a noite mal dormida e fomos, marido e eu, eu e marido lá na médica que é um doce mas é também um pouco “preocupada” demais. Ela me abraçou forte, isso já me deu mais segurança em ouvir o que ela tinha pra me dizer, mas mesmo assim eu ainda continuava arredia (já tentou tirar um filho de uma mãe? Pois então, eu estava assim!!!). Ela me mostrou vários livros, vários casos, me mostrou o relatório do ultra e o leu comigo e assim me disse:

-Olha, precisamos antecipar esse nascimento. Eu não quero que o pior aconteça a vocês dois e eu sei que ele vai ficar bem aqui de fora, mas aí dentro eu não posso garantir nada. Você entende que ele pode começar a sofrer à qualquer momento? Que ele aparentemente não está sendo alimentado?

Na hora eu cai na real e percebi que ela estava “tecnicamente” certa. Disse que não estava pronta pra fazer o parto naquele dia e pedi pra esperar mais uns dias. Ela disse que eu poderia esperar até segunda feira. isso era na sexta feira, mas eu tinha que acompanhar todos os movimentos do Zé, beber muita água e ficar bem quieta. Ela disse também que faria meu parto à qualquer momento, era só eu ligar pra ela que ela o faria. Foi então que eu percebi que ela estava realmente preocupada. Talvez por ser uma obstetra especializada em gestações de alto risco ela seja assim, um pouco mais precavida e como eu estava com ela tinha que confiar nela.

Passei o resto da sexta feira com uma dor de cabeça sem fim, com uma cara de doente. No sábado levantei, tomei um banho, comi bem, fiz as unhas, arrumei os cabelos e ajeitei as nossas malas, falei com o José Miguel e expliquei que faria de tudo pra ficar bem pra ele. No sábado à tarde senti muita cólica, a barriga endurecia mas não era trabalho de parto, não era como contração normal, era uma sensação que eu não tive na gravidez da Sophia. Foi aí que o medo bateu. Liguei pra ela e ela me atendeu rapidamente. Eu disse que queria fazer o parto no domingo, na hora ela disse apenas que estaria lá às 7e30 da manhã me esperando. Falei com o marido, com a Sossô, com o Zé, com a minha mãe e me preparei para esse momento.

No domingo acordei bem, tomei um banho, estava aparentemente bem e fui para o hospital. Ela já estava me esperando, o marido deu a entrada nos papéis e eu fui colocar aquela camisolinha, que eu particularmente, DETESTO! Mas coloquei e então começou todo o serviço mais desumanizado que eu já vi na minha vida. Se prepara, você vai querer matar os profissionais que me acompanharam.

O primeiro foi o anestesista. Ele olhou pra minha cara com deboche e disse:

-Vocês são assim mesmo, neh!? Adoram marcar a cesárea aos domingos de última hora. Eu tinha um jogo marcado pra hoje de manha e tive que desmarcar por causa disso. Você está em trabalho de parto?

Gente, na hora eu estava tão sensível com tudo aquilo, não sabia o que aconteceria com o Zé, mas a gente já tinha até reservado um leito na UTI-Neo caso ele precisasse, e o anestesista fala assim? Eu comecei a chorar enquanto ele me anestesiava e ele ficou me chamando de fresca, falando pra eu largar de ser mole, até porque eu já tinha passado por uma cesárea e essa seria igual. Mas não estava sendo nada igual, estava sendo difícil.

Depois dele foi a enfermeira, que me deu uma bronca porque eu dei o meu nome errado, não falei o nome completo. Gente, será que eles não sabiam que eu não estava bem? Que eu estava tendo um filho de apenas 36 semanas, e ele estava completando 36 semanas naquele dia? Eu só chorava, não conseguia falar nada. Durante o parto o médico auxiliar, outra mula, ficava o tempo todo falando de modelos de carro com o anestesista e a minha médica se mostrava super sem graça com o que estava acontecendo ali. Ela tentava me acalmar o tempo todo, falava comigo, dizia que ia ficar tudo bem e então senti meu filhos saindo de mim, sem chorar, sem reação, sem vida. Me mostraram ele todo roxo, tão pequeninho, tão magrinho. E eu só chorava.

Enquanto ela terminava o procedimento eles o levaram para a pediatria, é claro. E o anestesista? Bem, ele só percebeu a gravidade do meu estado quando eu tive uma crise de ansiedade e entrei em pânico. Comecei a chorar alto, achei que o José Miguel estava morto e não parava de falar isso. Ai sim eles entenderam o que estava acontecendo comigo. Ele me olhou e disse:

-Calma, eu vou lá ver como está o seu bebê.

Voltou dizendo que estava tudo bem, que ele estava vivo, mas que estava passando por alguns procedimentos! Mas como eu ouvi a Sophia chorar o tempo todo na pediatria quando ela nasceu e eu não o ouvi chorar nenhuma vez eu não acreditei no anestesista e quase o mandei à merda por ter sido tão grosso comigo o tempo todo. Ai entra o pediatra, que não era o pediatra que eu tinha pedido, eles disseram que tinha que ser o pediatra de plantão. Ele disse que tinha levado o José Miguel ali apenas para eu vê-lo mas que ele teria que voltar logo, porque ele não estava bem e que era muito prematuro. E falou outras coisas ruins que no momento eu não me lembro.

Ai ouvi a médica respondendo que ele não era tão prematuro, ele era apenas pequeno pra idade gestacional e que ficou muito assustada porque já não tinha liquido placentário suficiente no momento em que o parto foi feito e estava com 3 circulares. Ou seja, é possível que ele passasse realmente por um sofrimento fetal pela falta de liquido, pelo que entendi.

E eu continuava chorando! O procedimento depois da cirurgia parece ter sido eterno, não acabava nunca. Assim que ela me liberou me colocaram no corredor e logo o meu marido chegou. Ele me contou que assistiu todo o parto (eu confesso que não o vi em nenhum momento) e que tinha filmado tudo. Eu perguntei se o Zé estava mesmo bem e na hora ele me mostrou um vídeo dele chorando e mexendo muito, confesso que só parei de chorar nessa hora.

Fui para o quarto e entrei em pânico de novo. Me deu uma tremedeira, uma crise de ansiedade, uma crise de choro, mas eu tive que tentar conter ao máximo, porque meus pais e minha sogra estavam no quarto e eu não queria parecer fraca. Logo que a crise passou eu chamei o Ju e implorei que ele fosse lá no berçário e ficasse lá até que liberassem o Zé, expliquei que não queria que ele ficasse lá sozinho. E ele fez isso, tirou mais fotos do Zé, fez mais vídeo. E ele lá, peladinho, tomando aquele “banho de luz” e eu no quarto, chorando e chamando a enfermeira de 20 em 20 minutos pra saber quando o amamentaria.

Depois de umas 3hr ele chegou e lá vem a enfermeira, sem nenhuma experiência tentar ensinar o “padre a rezar a missa” e eu logo de cara já descontei toda a raiva que senti na sala de cirurgia em cima dela. Disse que ela podia sair do quarto porque eu sabia amamentar e não queria ela ali, que meu marido e minha mãe estavam ali pra isso e que ela podia ir fazer outra coisa. Ela ficou bem sem graça, coitada. Mas eu estava tão zangada com tudo aquilo que eu não queria ver ninguém daquele hospital perto do meu filho. Amamentei muuuuito, deu tudo certo! Apesar dos desesperos o meu desejo por amamentar fez o leite descer assim que eu o peguei no colo. E lá vem a “bruxa” arrancá-lo de mim, dizendo que tinha que fazer o exame de glicose nele, trocá-lo e eu disse que faria tudo isso lá no quarto, ela ficou meio bravinha e disse que não podia.

Foi assim, não me deixaram quase nada com o meu bebê, apesar de ele estar ótimo elas o mantiveram no berçário. O pediatra deles foi assim que soube que eu tinha ganhado bebê, tentou conversar com a enfermeira chefe do berçário, dizendo que o Zé estava bem e que seria importante ele ficar no quarto comigo, pelo que percebi eles tiveram um “arranca rabo” por isso e a “chefinha” disse que não podia ir contra o protocolo do hospital e ele acabou me pedindo pra ter calma. Assim que eu fiquei melhor ficava andando no hospital e ia o tempo todo no berçário, mas DETESTEI o fato de não o deixarem dormir comigo. Achei uma grande maldade, uma grande desumanização com mãe e filho. Depois de dois dias tivemos alta e eu decidi que da próxima vez que me maltratarem de novo eu vou SUBIR NA MACA E DAR UM SHOW balançando aquela camisolinha “dozinferno” como se não houvesse amanhã!

Me aguarde…e não pague pra ver!!! 

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2 comentários em “Parto Humanizado, a melhor escolha! (Parte 2)

    1. Amiga, é claro que assim que passou a anestesia eu tomei um banho e lavei o cabelo…rsrs…você me conhece bem, heim!? E não amiga, esse sistema não sabe respeitar o momento mãe e filho…nós mulheres ainda precisamos bater muito o pé e dar muita birra pra sermos respeitadas…acho que vamos ter que conquistar isso aí no GRITO mesmo…!Te amo, amiga…

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