Maternidade

Um viva à diferença!!!

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Quando me descobri grávida da Maria Flor decidimos que a Sophia e o José Miguel passariam um período na escola, a Sossô já implorava pra ir pra escolinha fazia tempo e o Zé, apesar de pequenininho ia aprender e conviver com outros coleguinhas, além disso outra coisa pesou, como na gestação do José Miguel não consegui ganhar peso e tivemos alguns problemas essa era uma forma para que eu pudesse descansar um pouco, cuidar da gravidez e na chegada dela pudesse passar as manhãs por conta só dela. Seria bom para todos.

No começo o Zé deu trabalho, demorou um pouquinho para se adaptar e eu até cogitei a possibilidade de tirar ele da escolinha, fui um dia só pra conversar com a professora dele e decidir de fato se ia ou não tirá-lo. Depois de muita conversa ela conseguiu me convencer que seria bom pra ele e pra mim, e que, como ele já estava ali não seria um passo muito acertado tirá-lo, caso contrário ele estaria sempre tendo dificuldades com processos de adaptação. Há quem diga que devia ter tirado, há que concorde com a nossa decisão de deixá-lo e nós, bem, nós agradecemos a ela por ter insistido para que ele ficasse, o desenvolvimento dele foi “gigante”. Sobre a Sophia, deu tchau e nem olhou pra trás, se adaptou super bem.

O ano escolar passou, eles aprenderam muito, me encheram de orgulho em cada apresentação e reunião para diagnóstico, as professoras foram pacientes e incentivadoras, presentes até, e foi tudo lindo. Ouvir que seus filhos são ótimas pessoas, sabem ser amigos, não batem, são carinhosos, são prestativos é muito bom, mas ouvir uma mulher dizer que se um dia tiver um filho gostaria que ele fosse como o seu não tem palavras, gente, não há no mundo algo que explique o sentimento ao ouvir isso. A impressão que tive foi que meu coração poderia explodir à qualquer momento.

Estou falando sobre tudo isso porque hoje foi a apresentação de encerramento do ano escolar deles e me emocionei muito com tudo. O caderno diagnóstico, que relata todo o desenvolvimento da criança é como que um certificado de “você está fazendo algo certo” e ver isso, saber disso é muito gratificante e necessário, porque eu, como mãe, sempre tenho a sensação de que “deveria ter feito algo mais”.

Mas não é sobre isso que quero falar. Quero falar não só sobre o desenvolvimento deles como alunos mas como indivíduos, como pessoas, eles convivem com todo tipo de criança e sabem conviver bem com as diferenças. Eles têm tanta facilidade em entender, compreender e aceitar o diferente. Na sala da Sophia tem um coleguinha com síndrome de Down e ele é um fofo e ela é super cuidadosa com ele, não como se ele fosse frágil, mas como ela é com qualquer outro dos coleguinhas dela. No começo do ano imaginamos que teríamos que responder à várias perguntas referentes à ele e à outras crianças que estudam lá e que são “diferentes”, mas não, ela não questionou nada. Ela se diverte com ele e entende que ele tem algumas necessidades diferentes mas e daí? Você entende o que estou querendo dizer?

Hoje, em determinado momento, olhando tudo aquilo, toda aquela inclusão me emocionei, isso mesmo, quando me vi estava eu ali, com a Maria Flor cochilando no sling enquanto meus olhos lavavam meu rosto de lágrimas. Foi um sentimento tão “é assim que eu queria que o mundo todo fosse” que não me contive. Olho pra nós, adultos, “gente grande” e vejo o quanto somos individuais, o quanto somos separatistas, só queremos o igual ao nosso lado e fingimos que não somos preconceituosos, mas não aceitamos o diferente. Alguns são claros em expressar isso, mas a maioria ainda vive um preconceito velado com o discurso “Não sou homofóbico mas não queria que meu filho fosse gay!”, ou dizendo “Não sou racista” e minutos depois fazer uma piadinha racista e muitas outras coisas separatistas, preconceituosas e feias que “gente grande” tem mania de fazer/falar.

Na sala do Zé tem outro fato lindo e super importante de ser comentado. No começo do ano um dos coleguinhas dele ficava só no carrinho, ele não conseguia andar, mas todos os coleguinhas estavam sempre ao redor, brincando com ele, e agora, esse coleguinha anda com o auxílio do andador, você sabe o que é ver essa cena? Adivinha se eu não chorei de novo! Ele tem um andador, eles brincam todos juntos, o aguardam na hora da fila pro banheiro ou lanche, usam o andador dele pra brincar, é tudo natural. Já faz alguns meses que o vi no andador pela primeira vez, mas hoje, quando juntou tudo ali, algumas das crianças com sindrome de Down, outros em andadores, cadeiras de rodas, negros, brancos mestiços, de óculos, baixinhos, altinhos, eu, simplismente comecei a chorar. Não de tristeza, mas de emoção mesmo, sei o quanto isso é importante no desenvolvimento dos meus filhos, sei que isso os tornará adultos melhores.

Na minha infância crianças com limitações não iam à escola, pelo menos na minha não tinha nenhuma, e, honestamente, meu olhar para uma pessoa com limitações é bem diferente do olhar dos meus filhos para a mesma pessoa. Eles apenas questionam porque aquela pessoa está daquele jeito, o que é legítimo, já eu, no mais profundo do meu ser, sinto pena dessa pessoa, mesmo sem querer (desculpe minha franqueza), e esse é um péssimo sentimento em relação à essas pessoas, porque elas não precisam de pena, muito pelo contrário, elas precisam de aplausos, são pessoas limitadas que superam muito mais desafios e dificuldades do que pessoas normais, se é que existe a rotulagem pessoas normais e pessoas anormais.

No final desse ano escolar percebo que eles aprenderam muito, mas me levaram à uma desescolarização social, com essa convivência com o diferente que eles tiveram me tornei uma pessoa melhor do que era antes. Acredito que foi uma das melhores decisões que já tomamos até hoje a respeito deles. Só desejo um presente de Natal, que meus filhos possam ser adultos melhores do que sou, que eles sejam a diferença nessa sociedade que ainda é muito primitiva.

E um viva à diferença!!!

Indico esse vídeo “Cordas”

 

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