Feminismo · Maternidade

Luto porque acredito!

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Nunca havia feito a linha “engajada” em alguma causa, seja social, política ou qualquer outra. Me indignava, como a maioria das pessoas, porém acabava deixando por isso mesmo. Mas desde que me tornei mãe isso mudou, ter tido uma filha me fez repensar muita coisa, muitos conceitos e muitos preconceitos também. Ter tido um filho então, nem se fala. Com a maternidade comecei a rever muita coisa, me vi machista, me vi sexista, senti vergonha de mim e passei a questionar praticamente tudo, pra não dizer tudo. E nesse processo todo muita coisa, além da maternidade foi acontecendo ao meu redor.

Vi na TV mulheres sendo assassinadas por parceiros, um político defender que as mulheres devem ter um salário menos que o dos homens por causarem prejuízo às empresas, vi mulheres à beira de perder à vida por causa do culto ao corpo, vi muito, ouvi muito, me assustei, me emocionei e me orgulhei! Fiz muitas amizades virtuais e através delas ouvi várias histórias de vida e desabafos! Participando ativamente do primeiro ano escolar dos meus filhos e conhecendo os colegas deles passei a compreender o conceito de inclusão, e aprendi! Vi, ouvi e li muita coisa que me fez repensar tudo, todas as minhas crenças, conhecimento, opiniões e sei lá mais o quê.

E comecei a questionar! Questionei a mim mesma, a sociedade, as religiões, as crenças, as opiniões, a mídia e segui questionando. Ouvia sobre um ato de homofobia e me doía toda, como se tivesse sido comigo, ouvia um desabafo de uma amiga que havia sido violentada e chorava com ela, ouvia a história de uma amiga que era gay mas a família nunca poderia saber e sofria por ela não poder compartilhar o amor que a fazia feliz com a família, ouvia alguém falar pra minha filha, uma criança, que ela devia cruzar as pernas ao sentar de saia ou que “menina não fica sem camisa, apenas os meninos” e ficava indignada, ouvia alguém perguntando para o meu filho, uma criança, sobre “as namoradinhas” e não entendia a necessidade dessa pergunta, essas coisas foram crescendo aqui dentro, crescendo até que comecei a escrever tudo isso nas redes sociais, comecei a questionar, a irritar e a expor minhas opiniões e indignações em público e isso gerou algo que não podia esperar.

Um dia uma pessoa, um grande amigo, me marcou em um vídeo dizendo que “o vídeo tinha tudo a ver com as coisas que eu vinha defendendo” e ao assistir o vídeo percebi que a pessoa estava me chamando de FEMINISTA! Na hora parei, pensei e achei muito legal! Até então não me via como tal e confesso que tinha um preconceito feio em relação às feministas, achava que eram mulheres que detestavam depilar e odiavam os homens mas ao assistir o vídeo entendi que o Movimento Feminista Organizado vai muito além disso, é um movimento lindo e do qual realmente passei a ter vontade de fazer parte.

Quando você abre os olhos de verdade, quando você olha pro mundo se abstendo de todo preconceito e construção social na qual foi criada, quando você vê que um filho seu é obrigado, pela sociedade, a se portar de forma diferente do outro, por serem de sexos diferentes, mesmo sendo eles ainda crianças, quando você ouve alguém perguntando ao seu filho de menos de três anos sobre “as namoradinhas na escola”, quando você ouve que “as mulheres praticamente já atingiram direitos iguais aos dos homens” saindo da boca de uma pessoa que está “brilhando” na mídia, quando você ouve sair da boca de uma pessoa que se diz cristã que a “moça que fez aborto mereceu morrer, Deus à matou por causa do aborto como castigo”, quando você ouve que “uma mulher só engravida se quiser”, que no caso de gravidez indesejada a “responsabilidade é TODA da mulher”, que uma mulher não pode isso, não pode aquilo, mulher é isso, mulher é aquilo, faz isso, não faz isso, se porta assim, não se porta assim, bem, eu não sei vocês, mas não consegui me manter intacta!

Tudo está bem mudado dentro de mim, já não suporto mais piadinhas machistas, comentários que desmerecem a mulher, que coisificam a mulher, não aguento o rótulo, não aguento mais saber que algumas mulheres não denunciam o estupro porque são ridicularizadas pelo policial, porque são tidas como “culpadas”, não denunciam o espancamento pelo mesmo motivo e ainda ouvem “apanha porque gosta!”, não suporto ouvir “mas também, com essa roupa e dançando desse jeito ela está pedindo para ser estuprada”, as propagandas de cerveja me causam nojo, pra falar a verdade até as piadinhas de “ah, mas mulher não sabe dirigir!” geram em mim vontade de vomitar, e olha que eu era mestre em fazer esse tipo de piada.

O sexo feminino não é dividido, não precisamos ser rotuladas pelo que devemos ou não devemos ser, queremos ter liberdade pra ser o que tivermos vontade, donas de casa, amélias, mães ou não, solteiras ou casadas, mas não nos rotule, nós somos mulheres, apenas isso. Lutamos pelo direito de ser “gente”, de ser igual, de ser respeitada, de poder dançar e descer até o chão sem ser rotulada, pelo amor de qualquer coisa entenda, SE UMA MULHER ESTÁ DANÇANDO É APENAS PARA DIVERSÃO PRÓPRIA, ELA NÃO ESTÁ QUERENDO SE MOSTRAR OU SER VIOLENTADA! Dançar é uma delícia e nós amamos, por favor, nos permita dançar! A diversão é para todos, se acostumem com isso.

Hoje luto, falando, escrevendo, questionando, irritando, polemizando, na maior parte das vezes pelas redes sociais, mas mais do que isso, instruo meus filhos, explicando sobre a igualdade, que todos são iguais, que eles são únicos, permito à eles uma infância unisex sim, podem brincar do que quiser, podem ser o que quiser, explico que nem sempre a princesa vai precisar de um príncipe, no momento acho que isso basta para eles, que possuem apenas 3 (José Miguel) e 4 anos (Sophia) de idade. Mas quero ensiná-los cada vez mais, ensiná-los sobre a história, o quanto ela foi cruel com as mulheres, com os negros, com os gays, com os deficientes entre outros. Quero que eles aprendam a lutar pela igualdade, desejo que o José Miguel saiba respeitar uma mulher, sabendo que ela tem liberdade e não pertence à ninguém, bem como ele e ele deve vê-la como igual, que a Sophia e a Maria Flor saibam se respeitar, se aceitar, se admirar, prezar pela sua liberdade, a se amar antes de qualquer coisa, e o principal, aprendam a se impor nessa sociedade, pois acredito que elas não nasceram mulheres, mas se tornarão mulheres de verdade, fortes e livres.

Luto porque acredito na mudança! Luto porque quero acreditar que a vida será melhor no futuro! Luto porque, olhando pra trás vejo que muita coisa já foi mudada! Luto porque acredito que a próxima geração tem todo potencial para ser melhor que as anteriores! Luto porque quero ver as mulheres se amando como são, não acreditando no que ditam os “defeca regra” (hahahahaha…eu sendo phyna), acreditando em si mesmas, na sua força! Luto por acreditar que não nascemos mulheres, mas estamos nos tornando e isso fará toda diferença!

 

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