Feminismo

Será que sou menos feminista?

1 a 1 a a a a fm 1 princ

Às vezes surgem alguns questionamentos à respeito do feminismo, é como se quisessem rotular também as feministas entre mais feministas e menos feministas, sendo que lutamos principalmente contra rótulos. Já faz um tempo que estava querendo escrever sobre isso, mas daí hoje li esse texto e fiquei impressionada com a forma que a autora transcreveu todo esse sentimento de se rotular ou ser rotulada. Vem comigo!

“Sempre recebo emails de leitoras (alguns leitores também, mas principalmente leitoras) perguntando se pode ser feminista e fazer X, ou se não fazer Y faz dela menos feminista. Alguns exemplos. Primeiro, este da D.:

Adoro seu blog e por meio dele aprendi muito sobre o feminismo e sobre a necessidade de mudarmos a sociedade em que vivemos também nas relações de gênero. Hoje lhe escrevo devido a uma conversa que tive com amigas, que me deixou bastante triste. Sou socióloga e há três anos comecei a fazer uma pesquisa, ainda na graduação, que tratava da trajetória política de mulheres. A partir daí, fui me interessando cada vez mais pelo tema do feminismo, até que me vi participando das Marchas do 8 de março e da Marcha das Vadias. 

Eu demorei um pouco pra assumir que era feminista, porque achava que precisava amadurecer e entender todo aquele novo mundo que me foi apresentado, e inclusive me aprofundar nos estudos teóricos. Mas antes que eu assumisse o feminismo como bandeira minha, amigos e colegas de faculdade passaram a me rotular nesse sentido, e muitas vezes não soava como elogio.

O fato é que tomei um rumo no qual não posso voltar atrás. Não sou a mesma depois de tudo que já refleti sobre as relações de gênero, sobre o patriarcado, sobre a misoginia. Assumi a luta, e hoje assumo minha posição de feminista e claro, dificilmente fico calada em situações ou opiniões machistas. Entretanto, embora eu lute pela liberdade das mulheres no geral, defenda que nos libertemos de estereótipos e padrões de comportamento e beleza, eu sou uma mulher vaidosa, que gosta de maquiagem e de um estilo que muitos diriam ser “feminino” da forma convencional. 

Esses dias duas de minhas amigas me questionaram sobre o fato de eu ser vaidosa, preocupada com a aparência, e ser feminista. Uma de minhas amigas afirmou que eu estava sendo contraditória, que sempre estava arrumada, que usava maquiagem, que me preocupava com o corpo e que agora era feminista e que tinha que segurar “o rojão” dos julgamentos. Eu fiquei muito chateada, porque cobraram de mim o estereótipo da feminista. Ou seja, para eu ser feminista eu teria que abdicar do meu jeito de ser, da vaidade que sempre tive desde pequena. 

Para mim, o feminismo é um movimento que luta pela liberdade, pela superação de relações de gênero opressoras, pelo respeito às diferenças. As mulheres são muitas, de todos os tipos, de todos os jeitos. E é isso que tenho visto em qualquer encontro feminista.

Mulheres vaidosas, mulheres maquiadas, mulheres de cara limpa, gordas ou magras, negras, brancas, mas livres, livres para escolherem seus caminhos e cheias de autoestima. Será que estou enganada, que foi tudo alucinação e sou mesmo uma hipócrita?

O que eu me pergunto é porque tanta incompreensão e perseguição por parte de pessoas que são tão próximas e também da sociedade, que rechaça as feministas? Quer dizer que pra ser feminista eu tenho que levantar a bandeira contra a maquiagem ou o creme de cabelo? Contra o brinco ou a bijuteria? Então não posso mais passar batom ou ou usar um vestido florido que me faz me sentir bem? É isso? Eu tenho que me enquadrar em outro padrão, a da mulher feminista, que deve ser odiada e perseguida, chata e mal-amada? 

O que tenho visto nos movimentos feministas por onde ando são mulheres lindas à sua maneira, bem resolvidas, bem amadas, felizes por serem livres e conscientes do que é ser mulher numa sociedade machista, e por isso desejosas de mudança. Eu vejo mulheres de todos os tipos que celebram a diferença. Nunca me senti excluída ou acusada de hipocrisia por nenhuma delas. Ainda estou digerindo essa situação, e por isso quis escrever para você, e saber de você se estou errando em ser vaidosa e feminista.

Será que estou fazendo errado, Lola?

Eu não sei muito como responder, quando me questionam, eu acho tão  ridícula essa visão que as pessoas têm do feminismo, como se fosse um livro cheio de regras, feminista não pode se maquiar? Feminista não pode gostar de estética? 

Lindas e queridas, todas vocês são feministas. Não existe uma competição para medir quem é mais ou menos feminista. Uma vez li que tem feminista que se incomoda porque digo que me considero feminista desde os 8 anos de idade. Mas nunca tive a intenção de me exibir ou de me dizer mais feminista que alguém que assumiu o feminismo aos 30 ou 40 ou 70. É só que minha experiência foi essa (e, admito, é uma experiência privilegiada). 

Tampouco existe um comitê feminista que fica avaliando o feminismo de cada pessoa, e, às vezes, decide cassar a carteirinha de alguém que traiu o movimento. Talvez até devesse existir (seria divertido?), mas a verdade é que não existe carteirinha. Não é um clube fechado. É um movimento gigantesco, revolucionário, com várias correntes, e já muitas décadas de história. 

O feminismo é sobre liberdade, sobre poder fazer escolhas. Nem todas as escolhas são necessariamente feministas, mas tampouco são não feministas. Por exemplo: se você adora esmalte de unha, esse não é um bom motivo pra se assumir feminista. Mas se você defende a igualdade e luta contra as opressões, não é porque você adora esmalte que você não será feminista.

Trabalhar em casa cuidando dos filhos é trabalho, embora não remunerado e nem valorizado (e ninguém venha me dizer que não é valorizado pelo feminismo; quem não valoriza o trabalho doméstico é o patriarcado mesmo). No domingo dei uma palestra sobre as muitas conexões entre ativismo materno e feminismo (ainda vou falar mais nisso). Só digo que estamos no mesmo barco. E definitivamente não é uma canoa furada.

Pregar que quem gosta de maquiagem ou que quem larga o emprego para ficar temporariamente com a família não pode ser feminista é sem dúvida embarcar nos velhos estereótipos sobre feminismo. Nós que somos feministas e conhecemos montes de feministas sabemos que há uma diversidade formidável de mulheres (e homens) dentro do feminismo. Só quem pensa que feministas são ogras peludas castradoras e mal-amadas é quem não sabe nada sobre feminismo — nada, apenas que é um movimento que deixa essa gente avessa às mudanças muito temerosa e desconfortável.

O feminismo tem inúmeros inimigos. Por que deixar que eles nos definam? Esses dias vi uma entrevista linda com o ator e comediante Aziz Ansari (da ótima e feminista série Parks and Recreation). Ansari defende que as pessoas não tenham medo de se assumir feministas. Segundo ele, não dá pra um médico que cuida de doenças da pele recusar o rótulo dermatologista, porque essa seria uma palavra agressiva demais. 

Então assumam seu feminismo. E não deixe que ninguém diga que você não pode lutar contra opressões.”

Confira o texto completo em Escreva Lola, Escreva!

Anúncios

Comente...compartilhe suas ideias também!!! E lembre-se: Comentar não dói e faz uma blogueira feliz!!!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s