Maternidade

Sim à Criatividade! Não ao Adestramento!

Sem título

Aqui em casa é assim, estimulamos à criatividade e damos um pé na bunda de qualquer método adestrador. Percebo que as pessoas não têm prestado muita atenção nas suas crianças e em como elas têm sido adestradas para, conhecer as letras, aprender a escrever o nome de forma mecânica, ser o primeiro da turma à ler, ser o primeiro da turma em tudo, se tornar independente mais cedo, e tudo à nossa volta tem levado à isso. Começando em casa mesmo. Alguns pais caem no equívoco de achar que a criança que lê mais cedo demonstra ser mais inteligente. CUIDADO! Pode ser que sua criança esteja apenas repetindo o que foi adestrada à fazer, ela pode estar sendo apenas treinada e, de acordo com pedagogos competentes, isso não é saudável.

As crianças leem naturalmente por volta dos seis/sete anos, isso não quer dizer que uma criança de cinco anos não possa começar a ler e escrever naturalmente, algumas são precoces, se for algo natural não há problemas, mas estudos e evidências (sim, formo minhas opiniões baseada em evidências científicas, artigos e revistas, não gosto muito de ir pelo “senso comum”) mostram que a maioria das crianças não estão preparadas para escrever e ler antes dos seis anos, se isso acontece, de forma adestradora, a criança poderá ter problemas futuros.

Não tenho usado o termo alfabetização porque a mesma começa assim que a criança nasce, ela vai além da escrita e da leitura de palavras:

“Mas em que consiste a alfabetização? Ela não se resume em aprender a ler e escrever letras, palavras, frases e textos de uma forma mecânica. Determinar o momento em que este processo deve iniciar é considerar a criança um ser vazio, que o professor irá preencher com informações. A criança, ao longo do seu desenvolvimento, vem fazendo várias leituras do mundo que a cerca, pois quando ela leva um objeto à boca, quando agarra, puxa e encaixa objetos, quando ouve e imita sons etc., ela está lendo. Trata-se de leitura num sentido amplo, mas não menos importante.

Na infância, a criança necessita vivenciar, experimentar, para compreender as situações reais. Ela não tem condições de lidar com situações abstratas, precisa de contínuas participações em situações que envolvam seu próprio mundo, suas necessidades. Um exemplo de percepção equivocada dos procedimentos de ensino manifesta-se quando, durante as observações, a professora propõem aos alunos exercícios de encher a linha. Esse exercício além de mecânico, privilegia unicamente a coordenação motora e, portanto, não faz sentido para a criança. Proceder assim equivale a pôr empecilhos no desenrolar do processo de compreensão das situações reais pela criança.”

Revista do Centro de Educação

Como já dito antes, aqui em casa temos uma única regra “estimular a criatividade”, aqui incentivamos o “inventar”, a Sophia e o José Miguel vão à escola, uma escola pública que, na nossa opinião, tem cumprido muito bem o seu papel, lá eles brincam, se desenvolvem socialmente, criam, inventam, aprendem brincando e pra gente isso é o suficiente, não porque nos fazemos de ignorantes, mas porque buscamos sempre um conhecimento científico e aprendemos que nenhuma criança na idade deles precisa de nada mais do que isso.

A Sossô está para completar cinco anos e, incrivelmente, soletra algumas palavras, porque foi adestrada? Não! Primeiramente vejo a Sophia como uma criança precoce, ela tem interesses que não vejo com frequência em outras crianças e acredito também que porque à medida que ela pede nós oferecemos. Por exemplo, ela quis conhecer as letras, então apresentamos as letras para ela, ela quer aprender a escrever uma palavra (sim, ela já escreve algumas), nós pedimos que ela fale a palavra várias vezes e depois diga quais são as letras que tem na palavra e, aparentemente, esse exercício tem feito com que ela desenvolva a leitura e a escrita

A sala de aula dela é composta por 10 alunos, sendo assim a professora também consegue atendê-la pessoalmente e, pelo que já conversamos, ela também estimula à criação e a brincadeira, e assim eles vão aprendendo de forma gostosa e natural, nada mecânico ou adestrador.

Sei de escolas que iniciam a “alfabetização” com crianças de três anos, EU, VANESSA, acho uma perda de tempo e uma maldade, porque nessa fase a criança só precisa brincar e é a brincadeira que à ensina a inventar. E além da minha opinião li também alguns artigos e estudos que mostram evidências de que isso não é necessário e pode ser prejudicial. Quédizê?!

Algumas escolas traçam metas para que a criança atinja, outra maldade, na minha opinião. Se a criança atinge ganha uma bonificação (um presente) e daí pergunto: ISSO É COISA PRA CRIANÇA? NÃO!!! Perdoe minha colocação, mas fazer isso com uma criança é igual oferecer um biscoito à um cão que aprende a dar a patinha ou a fingir de morto. Não, não vamos fazer isso com as nossas crianças! Isso só serve para gerar sentimento de frustração quando ela não alcança a meta, amaciar o ego de pais que “se satisfazem” nos filhos que são os primeiros da turma mas que, na maioria dos casos, não passam de crianças adestradas e gerar um sentimento de recompensa nas crianças que se “matam” para alcançar à meta imposta. Muito idiota essa forma de estimular as crianças, desculpem-me a franqueza, mas se seu filho recebeu uma meta para atingir e lá no final do ano vai ganhar um presente caso alcance a meta, você tem um problema. No seu lugar, eu cogitaria a possibilidade de trocá-lo de escola.

Outras escolas, com mensalidades absurdas, selecionam as crianças que vão receber. Bem, eu não colocaria nenhum filho meu em uma escola que fizesse uma seleção dos melhores porque não permitiria que meus filhos se submetessem à uma seleção “dos melhores” na sua primeira infância. Daí você diz “Mas e na vida adulta, quando ele precisar passar por algo assim?”, ah, aí é outra coisa, mas querer submeter uma criança, ainda na primeira infância, à esse sistema? EU SOU CONTRA!

“Ah, Vanessa, então quer dizer que você não está nem aí para o futuro profissional dos seus filhos?” Até me preocupo com o futuro profissional deles, mas me preocupo mais ainda em como eles chegarão lá, me pergunto se serão capazes de se sentir realizados, se terão o direito de escolher o melhor lhes parecer, se estarão felizes e satisfeitos com suas escolhas. Não crio os “melhores da turma” e nem defino metas com bonificação. Crio pessoas melhores e com capacidade para ser feliz. Estimulo meus filhos à inventar, quero ver a criatividade deles, mostrar à eles a criatividade que há dentro deles e assim eles serão livres para fazer o que quiser e fazer da melhor forma, dando o máximo de si para atingir seus alvos.

Criatividade SIM…adestramento NÃO!!!

Leia ainda http://m.huffpost.com/br/entry/7019166?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

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Um comentário em “Sim à Criatividade! Não ao Adestramento!

  1. Ótimo texto! Temos que dar tempo e espaço para que as crianças sejam crianças, para que na hora de serem adultos eles consigam! Uma coisa que sempre falo quando alguém tenta comprar a Maya com outra criança citando algo que a outra já faz e ela não: infância não é competição, nem maratona, e cada um tem seu tempo!

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