Maternidade · Paternidade

Filho da mãe! Só da mãe?

Sem título

Bem, li um texto há alguns dias no blog Para Beatriz, por Isabela Kanup e não resisti, preciso compartilhá-lo aqui. O título original é “O que acontece quando a responsabilidade de criar um filho fica a encargo da mãe”.

Concordo com o texto na íntegra, não porque eu viva uma experiência assim, aqui em casa as tarefas são muito bem divididas, não é uma questão de ajudar, é uma divisão de tarefas mesmo, pelo simples prazer de criar os filhos, pelo simples fato de se responsabilizar pela paternidade. O marido aqui não vê dificuldades em nada quando o assunto é a nossa família, mas conheço mulheres que não conseguem ter a mesma paz em relação à criação e cuidados com os filhos e o texto vai para essas mães, para essa sociedade que insiste na tecla do “machismo nosso de cada dia” e para os homens que se acomodam com todo esse costume.

Vem comigo, vem!

“Fraldas trocadas, desmame, papinhas, passeio em parquinhos, ali não pode mexer, correr atrás da criança, ensinar dever, fazer a comidinha saudável, ajudar a escovar os dentes, dar banho, levar e buscar na escolinha, responder perguntas mirabolantes, assistir desenhos irritantes, fazer brincadeiras estimulantes, passar madrugadas no hospital, comprar remédio e por aí vai.

Ter filho é um ato poético e revolucionário, principalmente se além te ter o filho, você cuida de todas as responsabilidades e da rotina dos pequenos. As consequências disso? Uma vida caótica, dificuldade em voltar aos estudos (com quem deixar os pequenos?), dificuldade de encontrar uma posição no mercado de trabalho (afinal, sempre perguntam detalhes sobre a vida do seu filho e te olham com uma cara ruim) e fica difícil mostrar para os outros que por trás dessa mãe que muitos chamam de guerreira e batalhadora, há um ser humano que chora no banho (mãe tem hora marcada até pra chorar), chora antes de dormir, sempre temendo o futuro e sem saber se o que está fazendo é o suficiente.

Acontece que essa desumanização das mães acontece porque muitos pais que deviam ter as mesmas responsabilidades não fazem a sua parte. E quem fica para cobri-la é a mãe. A mãe faz isso de coração aberto pelo filho, para que ele não seja prejudicado e não se sinta menos amado. Como o pai sabe que isso vai acontecer, muitas vezes age como se essa responsabilidade não fosse dele, já que a estrutura social de gênero ainda justifica e reproduz que a mulher tem o dever de cuidar. Se a mãe teve depressão pós parto, a justificativa pode ser “ah, mas no início você nem cuidava bem do seu filho, né?”. É um “agora aguenta” disfarçado. Pais que dividem o mesmo teto precisam dialogar e chegar a um consenso para que as tarefas sejam bem divididas para que a mulher consiga se recolocar no mundo como mulher e pessoa. Que ser pai não seja um ato esporádico, e sim cotidiano. É uma pena que as opressões cotidianas ofusquem as melhores partes da maternidade. Não é difícil encontrar uma mãe estressada, cansada, frustrada por não conseguir fazer melhor o seu papel porque ela já dá o melhor de si.

Quando se desumaniza uma mulher, a sociedade geralmente aponta todos os dedos possíveis para a mãe (e não olham para o próprio lado, tão falho ou ausente). Exigem que ela seja mais mãe (e menos gente), duvidam dos perrengues que ela passa, e – principalmente – acham que a mãe não faz nada além da sua obrigação como mãe. Mas e o pai? Pô… pai é pai né? Não dá pra esperar de um pai que ele seja mãe. Se você é mãe e encontra-se num estado de esgotamento mental e físico absurdo, dê o grito, procure ajuda e se possível um advogado para te ajudar com a divisão das responsabilidades.

 

Quanto aos outros: deixa que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá, vem pra cá o que é que tem.”

Para Beatriz

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