Maternidade

Eu não sou e nem quero ser igual à eles – por Larissa de Luna

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Desde que comecei a conhecer e aprender sobre o feminismo entendi que ele era a busca pela igualdade, mas como sigo buscando informação, aprendendo e conhecendo e entendendo e me desconstruindo aprendi mais, entendi que vai além, que não buscamos igualdade por igualdade, porque não queremos ser iguais, não, não basta, porque não somos iguais. É preciso problematizar essa luta por igualdade, é preciso repensá-la, e nessa busca por conhecimento encontrei um texto que descreve muito bem tudo isso que estou tentando falar, então vem comigo!!!

“Porque a frase “O feminismo luta por igualdade” deve ser problematizada:

“Muita gente quando entra pra valer no movimento se depara logo de cara com a perspectiva liberal. O feminismo parece mulheres nas ruas de mãos dadas a homens cantando We Are The World. As imagens compartilhadas no facebook são ilustrações que diziam que feminismo é a mulher ser igual ao homem. Esse feminismo fez, faz e sempre fara mulheres se sentirem no mundo da Disney. Lindo, ponderado, porém mentiroso.

Mas esse liberalismo dura até o dia em que você decide lutar de forma direta (já que mulheres lutam desde sempre contra sua própria socialização), e quando a gente luta, é contra algo. E ai dentro dessa batalha toda você da de frente com a sua oposição, que não só é o patriarcado, mas uma classe inteira. Classe essa, masculina.

Nesse momento sua perspectiva de igualdade se altera. Frases que você ouve as modificam:
“Quer igualdade? lute pelo alistamento militar obrigatório!”
“Quer igualdade? lute contra a lei maria da penha!”
“Quer igualdade? Então não reclama quando apanhar. Homem apanha, então porque mulher também não pode?”
“Quer igualdade? comece chamando homem na rua de gostoso”
“Quer igualdade? Então comece vindo me estuprar”
E é exatamente isso o significado de igualdade pra uma classe agressora. Não é acabar com a violência, é todo mundo pratica-la. Não é acabar com uma batalha inteira de classe, é dar o direito de todo mundo se espancar. Não é acabar com a agressão, é todo mundo agredir. Não é os homens chegarem ao percentual de menos de 10% de toda criminalidade do mundo pertencente as mulheres, é dar o direito das mulheres de chegarem aos mais de 90% atualmente pertencido aos homens.
Eu não luto por igualdade porque eu não quero ser isso. Porque eu não quero esse papel pra mim.

A ideia de igualdade não significa mais DIREITOS iguais, e se você acreditar que sim, usarão contra você. Irão se auto-permitir o direito da violência, mais do que ela ocorre hoje em dia. Eu não quero alistamento obrigatório pra ninguém. Eu não quero que a maria da penha exista, assim como eu também não queria que ela se fizesse necessária. Eu não quero que homens apanhem de mulheres, assim como eu nunca quis que mulheres apanhassem de homens. Mas isso nunca foi uma escolha. Eu não quero que a violência seja modificada, eu quero que ela seja abolida. Mas talvez a socialização dada aos homens não permita a eles essa perspectiva.

Porque gênero é isso, é socialização, é pra um submissão e pra outro demonstração de poder. É acima de tudo, hierarquia. Nunca poderia existir igualdade, porque o gênero já é criado exatamente para ser desigual. E se essa igualdade fosse possível não seria desejável, primeiramente porque mulheres ativistas não estão em busca de estar acima da piramide, mas de uma suposta horizontalidade, então não seria igualdade porque não teria nenhuma outra classe para se basear. E segundo porque a classe masculina não está disposta a abrir mão do poder que exerce.

Minha luta é por emancipação, liberdade, empoderamento feminino e pelo fim de todo e qualquer tipo de violência. Não tem mais espaço pra igualdade nela. Se alguém tivesse que se espelhar em um gênero para querer ser igual a ele, teria que ser os homens, não nós.

Então não digam que o feminismo significa “mulher = homem”, Isso não é feminismo, isso é assimilação.

E eu não sou e nem quero ser igual a eles.”

Via – Larissa de Luna 

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