Tudo muda

Sobre essa tal desconstrução!

TaylorJames1

Tenho reservado um tempo para mim, para os meus pensamentos, pra colocar algumas coisas aqui dentro dessa cachola no lugar. Tomei essa decisão desde que percebi o quanto preciso me desconstruir, quanto mais me aprofundo em assuntos como feminismo, machismo, preconceito, homofobia, racismo e patriarcado mais percebo o quanto ainda preciso desfazer dos conceitos que me formam. Diferente do que muitos pensam, desconstruir não significa destruir, mas sim desmontar e decompor, se bem que, em alguns aspectos, acredito que seria melhor destruir mesmo…rsrsrs…é como uma renovação de mente mesmo, é se transformar, evoluir, crescer, muito melhor do que muita gente julga

Mas enfim, há algumas semanas atrás passei por algumas situações, coisas pessoais, que me levaram a perceber o quanto preciso me desmontar, me desconstruir mesmo. Nessas situações percebi o quanto o machismo e o patriarcado ainda estão impregnados em mim, como ainda faço uso de conceitos e discursos preconceituosos, machistas e, às vezes, até misóginos, como eu preciso me desconstruir. e como tenho vergonha de tudo isso. Mas também percebi que não estou tão mal assim, pelo menos pude enxergar que preciso mudar minha forma de pensar, de enxergar e ouvir o outro e até a mim mesma.

Às vezes me pego calada ou falando comigo mesma, me criticando, me condenando por alguma palavra que disse, atitude que tomei ou alguma reação que tive, me pego sendo machista e patriarcal comigo mesma e percebo o quanto essa tal desconstrução leva tempo. E daí penso: “Logo eu, que me sinto tão livre, estou me condenando assim?! Porque?”

Porque somos construídos assim, em família, na escola, entre os amigos, na comunidade, é como se alguém ou algum grupo tivesse criado a forma correta de viver em sociedade, uma forma que fosse saudável e organizada, mas não, essa forma é tão mal, tão preconceituosa às vezes, quase sempre. Daí alguns acreditam que sem essa “ordem” estaríamos todos “bagunçados”, que se “tudo for aceito e visto como normal” teremos problemas. Sério? Será? Acho que pior do que está não dá pra ficar.

Veja bem, toda essa ordem social, esses padrões que “devem ser seguidos”, esses bons modos que as mulheres devem ter e essa forma toda moralista de se viver só tem formado, por incrível que pareça, falsos moralistas e hipócritas, que julgam e condenam qualquer que fuja aos padrões impostos. Não estou aqui para ir contra crenças, religiões, esse tipo de coisa, mas para ir contra padrões, contra essa coisa de impor ao outro o que é certo e o que é errado. 

Somos seres humanos, indivíduos, pensantes, então não dá pra padronizar, cada um é único, cada um pensa de uma forma, cada um sente de um jeito e cada um deve ser respeitado na sua particularidade. E o auto-respeito (existe essa termo?) é essencial para uma vida bem vivida, quando me pego me julgando, me condenando, percebo que não estou me respeitando, estou apenas seguindo algo para o qual fui programada à seguir, entende o que estou querendo dizer?

Sou mulher, mãe de três crianças e na casa dos trinta, e daí quando percebo estou usando o discurso “mas uma mulher da sua idade, nas suas condições, fazendo isso?”, e é aí que entra essa tal desconstrução, ela entra quando me confronto com um “SIM, ESSA MULHER ESTÁ MESMO FAZENDO ISSO E SE SENTINDO BEM COM ISSO E QUEM É QUE DEFINIU SE PODE/DEVE OU NÃO FAZER?”. Esse meu desmontar está em me questionar, em me confrontar, para que eu me sinta livre para ser eu mesma sem medo, para tomar as minhas decisões, para me permitir sentir os sentimentos que estão aqui dentro, para falar o que está entalado, para dar aquela risada alta em público, para falar o que penso, para discutir, para expor as minhas vontades, para ser eu mesma, para ser aceita por mim mesma.

Com todo esse processo que estou me permitindo passar tenho entendido que posso ser eu mesma, me repeitar no que sou e como vivo/penso, que não preciso mais seguir o padrão, afinal de contas, nunca fui muito boa em seguir padrões. Não tem sido muito fácil, tem sido um processo diário, mas que tem me tornado uma pessoa melhor, mais leve e com mais liberdade para ser eu mesma e para criar meus filhos “desconstruídos”, com liberdade para serem apenas quem são, com liberdade para questionar, pensar e viver. 

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