Maternidade · Paternidade

Entendam, pai não é ajudante!

mimada

Se tem um tipo de comentário que me irrita é o tal do “nossa, mas que sortuda essa mãe, olha só, o pai ajuda com as crianças”. Não baby, pai não ajuda, pai exerce a paternidade. Quando um cara é visto exercendo seu papel como pai tão logo soltam um “ah, que paizão!”, não gente, ele está apenas sendo pai. Comentários desse tipo só servem para fortalecer ainda mais o patriarcado na nossa sociedade, onde a mulher é o “ser maternal, cuidador, divino” e única portadora de capacidade para cuidar de crianças.

Já tentou carregar o título de divindade? É pesado demais!

“Ah, Vanessa, mas a mulher gera e isso é um dom divino e ela deve agradecer diariamente pela graça de poder conceber, gerar, dar a luz e alimentar um outro ser.” Talvez eu te choque um pouco mas com o tempo passei a ter outra visão a respeito  da concepção e da gestação, passei a ver de uma forma um pouquinho diferente. A mulher é fêmea mamífera, neah!? Por isso ela gera e depois alimenta, mas isso não carrega nenhum poder, faz da mulher especial ou a torna em um ser divino. Parem com isso, porque esse tipo de “pedestal” só nos deixa cada vez mais exaustas.

Nós, mulheres, somos pessoas de carne, osso e lágrimas, somos seres humanos e a maternidade, da forma como é ilustrada e romantizada, trás muito peso. Essa coisa de carregar o rótulo de divindade maternal e a eterno gratidão por ser capaz de carregar e alimentar outro ser pesa muito nossos ombros.

Ser mãe é bom? Tanto quanto ser pai! 

Já escrevi em outros post’s sobre como achava a maternidade divina, miraculosa, digna de eterna gratidão, mas o tempo passa e aprendo cada dia mais (vê-se pelo nome do blog, néah gentchem!?).

Ouço mães que carregam um peso muito grande, mães que não podem chorar a falta dos momentos de privacidade, mães que não podem desejar uma escapadinha sem ouvir um “mas ser mãe é tão mágico, um dia você sentirá falta dessa fase!”, mães que não puderam falar sobre a melancolia ou até a depressão pós parto porque, assim que as lágrimas começavam a rolar e a boca a expressar a dor, ouviam o “mas você deveria ser TOTALMENTE agradecida por esse ser tão lindo”.

Enquanto isso vejo homens que não fazem a mínima questão de exercer a paternidade e trazem consigo o discurso “mas sou homem, homem não tem o mesmo instinto que a mulher, por isso ela se envolve mais com os cuidados do bebê, as mulheres nascem com esse dom”. Oi? não é dom, é RESPONSABILIDADE, entendemos que, se concebemos esse ser, agora que ele nasceu precisa do nosso cuidado e dedicação e, ainda que isso nos custe a vida, o faremos. Mas o homem participou para que ocorresse uma concepção, sendo assim ele é tão responsável quanto a mulher.

O patriarcado tornou o macho um irresponsável quanto aos cuidados com as crianças, isento dos primeiros cuidados com o bebê, discursando que “homens não sabem cuidar, mas as mulheres sim”, isso é visto nas brincadeiras, onde meninos não devem brincar de bonecas e, se o fazem, em alguns casos, são rotulados como “mulherzinha”.

Esse mesmo patriarcado incentiva à menina a brincar com bonecas e de fazer comidinha, tanto que é os kit’s de cozinha para crianças são TODOS voltados para meninas, pelo jeito um menino não deve nunca querer brincar de cozinha, néah indústria de brinquedos!? A sociedade diz à mulher que ela deve carregar aquilo tudo enquanto agradece pela oportunidade tão bela de ter concebido um ser.

Sendo assim essa mulher passa a ser totalmente responsável, a se abdicar de si para então cuidar daquele outro ser tão lindo, a abrir mão de si por completo e isso não é ruim, é bom cuidar de outro ser, mas não é tão mágico quanto dizem, não somos seres superiores, não carregamos todo esse poder e se essa responsabilidade for dividida por dois todos saem ganhando.

A criança ganha ao ter duas pessoas responsáveis por seus cuidados, a mãe ganha, ao ter alguém com quem dividir o peso e as responsabilidades, o pai ganha ao exercer seu papel e assim criar um vínculo com sua cria e a sociedade ganha silenciando o patriarcado e interrompendo o discurso machista. 

Ser pai é tão lindo quanto ser mãe, mas o patriarcado não diz isso, talvez porque seja mais comodo deixar tudo por conta da mulher e continuar o discurso “mas mulheres são agraciadas pela maternidade porque possuem o dom maternal”.

Um pai que se envolve desde o princípio, que participa das consultas de pré-natal, que faz questão de se informar sobre parto, que se envolva com a chegada desse novo ser, que leia sobre amamentação, que aninha seu bebê na madrugada para que ele se sinta seguro e pegue no sono, que dá banho e para perceber aquele pequeno ser, que aprenda cantigas de ninar, que acompanha a criança e suas atividade escolares, que brinca, não será um paizão, será apenas um pai exercendo a paternidade.

A mãe faz todas essas coisas, e algumas outras, e é apenas uma mãe exercendo a maternidade, e quando ela cansa, chora, entre em depressão ela não está sendo uma péssima mãe ou uma persona non grata, está apenas carregando mais do que devia, está apenas precisando de alguém com quem dividir a carga.

Quando uma concepção acontece, através de uma relação sexual entre uma mulher e um homem, os dois passam a ser responsáveis por aquela concepção. Esse resultado não é de responsabilidade apenas da mulher, ela gesta por ser fêmea, não por ser divina. Sendo assim, um time tem que se formar ali para que as coisas sejam favoráveis para todos no futuro. 

Se você é cabra macho, assuma a responsabilidade pela sementinha deixada pelo caminho, não apenas levando para passeios aos sábados e tirando fotos espetaculares, seja pai, exerça o papel de pai.  Você vai dar conta, migo, você sabe cuidar de uma criança, mesmo que seja recém nascido, confie em mim!

Se você é mulher, joga fora tudo o que o patriarcado te ensinou, entenda que um homem consegue ser pai, dar colo, fazer dormir, passar uma noite em claro e trabalhar no dia seguinte, dar banho, fazer papinha, se ele não sabe, vai aprender. Dê espaço para que o homem exerça o papel de pai. Ele vai dar conta, miga, confie em mim!

 

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2 comentários em “Entendam, pai não é ajudante!

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