Feminismo · Maternidade

A mulher que me tornei!

-comecei a refletir sobre quem eu sou, no que eu tenho gastado minhas energias e senti orgulho de ser quem sou, percebi que tenho feito um ótimo trabalho sendo eu mesma-

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e por esse motivo quero falar sobre a mulher que me tornei. Sim, vou falar sobre mim. Sei que vai parecer uma carta de recomendação da minha parte, mas acho que, como o blog é pessoal posso usá-lo para mostrar como me enxergo hoje. Geralmente nessa data costumo escrever sobre a história da data, lutas e tantas outras coisas que estão relacionadas à esse dia, que é um dia especial, mas por representar a nossa luta, nossa imposição e nossas exigências nessa sociedade que insiste em romantizar e endeusar o ser feminino afim de trancafiá-lo dentro das jaulas do patriarcado.

Tantas vezes já me olhei no espelho me perguntando quem eu era? No que eu tinha me tornado? O que eu queria ser? E ontem, depois de um momentâneo sentimento de fracasso (sim, tenho meus tantos momentos de fracasso) comecei a refletir sobre o que tenho sido, no que tenho gastado minhas energias e senti orgulho de ser quem sou, percebi que tenho feito um ótimo trabalho sendo eu mesma, comecei a relembrar momentos e conversas e pude captar o quanto as pessoas que mais amo se sentem orgulhosas de mim, e isso foi tão bom. É tão bom sentir orgulho de si mesma.

Esses dias o Juliano e eu estávamos conversando e ele comentou o quanto admirava a forma como me tornei mulher, como lutei e enfrentei os desafios para que isso acontecesse, e falou ainda uma outra coisa que me deixou pensativa, ele disse observar que algumas mulheres, mesmo após maternidade, vida adulta, carreira já formada, não conseguem se tornar mulheres de fato, continuam presas à insegurança e a maturidade da adolescência, e é estranho de se imaginar isso, já que a sociedade vive “vomitando” que amadurecemos mais rápido, o que é uma mentira, nenhuma mulher amadurece naturalmente mais rápido, só somos obrigadas à ter atitudes responsáveis enquanto a maioria dos garotos e homens podem continuar agindo como moleques. Mas sim, algumas mulheres não conseguem se libertar.

Desde o dia que falamos sobre isso estou refletindo muito e pude perceber o quanto é difícil se tornar mulher. Não basta crescer fisicamente, é preciso crescer por dentro, é preciso se olhar nos olhos, é preciso abrir à alma, é preciso atravessar um abismo que existe entre a criança e o ser adulto, é preciso vencer desafios, ir atrás dos sonhos, é quebrar a cara e tentar mais uma vez, correr atrás, é cansativo, é exaustivo, é arriscado, é perigoso, tantas coisas tentam nos bloquear. E talvez seja mais fácil não se tornar mulher, já que pra se tornar mulher é preciso disposição.

Crescemos ouvindo a sociedade dizer que somos indefesas, que não podemos sair sozinhas, principalmente à noite, que não devemos levantar a voz, que dentro do relacionamento cabe à nós ceder, que precisamos satisfazer o outro, que precisamos nos dar ao respeito. A sociedade não nos diz que uma mulher pode resolver qualquer coisa por si só, que só ela é dona de si, que o corpo dela é só dela, que ela tem direito de se expor, que podem questionar, que pode gritar sim, que deve exigir sim, que o respeito é dela por direito e que ninguém tem direito sobre aquilo que ela decidiu ser. Desconfio que a sociedade não ensina isso às meninas por saber que quando elas se tornarem mulheres ninguém irá dizê-las o que fazer, onde ir ou como agir.

Vejo que me tornei essa mulher. Demorou muito pra chegar aqui, ainda há muita coisa pra mudar, mas olho pra mim e me orgulho de ser o que sou. Não há, hoje, algo que eu mudaria em mim.

Quando vejo o orgulho que meu companheiro, meus pais, meus filhos e meus melhores amigos sentem de mim fico feliz por ter chegado até aqui. Por ter levantado a voz, e até gritado, quando foi preciso, por ter tido a coragem de romper com o sistema pra ser a mãe que sempre sonhei ser, por ter lutado contra mim mesma pra aceitar quem realmente sou, por me desafiar a realizar o desejo de ser uma empreendedora, por ter forças pra romper com aquilo que me amarrava, por ter tido disposição pra soltar a mão daquela Vanessa dependente, melindrosa, chorona, covarde e medrosa, por não ter preguiça de ir atrás do que eu quero, por ter carão pra falar o que vem na boca, por ser quem eu sou, apenas.

Oswaldo Montenegro, em sua música A Lista, questiona algo interessante, “Onde você ainda se reconhece? Na foto passada ou no espelho de agora?”, por muito tempo eu não soube responder onde me reconhecia, hoje tenho total certeza de que me reconheço no espelho de agora, e isso é bom.

E nenhum presente, nesse dia da mulher, seria tão bom quanto esse, poder sentir orgulho de mim mesma pela mulher que me tornei!

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