Maternidade

Você conversa com sua criança sobre consumo consciente?

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Bem, acho que a primeira pergunta à ser feita é “você é um consumidor consciente?”, porque, néah? Como você vai conversar ou ensinar sobre se você nem é um exemplo ainda. Você entende a importância do consumo consciente ou você se rendeu ao consumismo? Você se importa com as condições de trabalho humano, com o meio ambiente, com o outro? Antes de adquirir algo você se pergunta coisas como “eu preciso disso?”, “essa roupa foi produzida em condições de escravidão humana?”, “o meio ambiente foi levado em conta na hora da produção?”, “a quem estou enriquecendo ao comprar isso?”.

Pode parecer bobeira, mas não é não! Essas atitudes podem, aos poucos, transformar o mundo. Vamos falar um pouquinho sobre o consumidor consciente então.

“O consumidor consciente é aquele que leva em conta, ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca.

O consumidor consciente sabe que pode ser um agente transformador da sociedade por meio do seu ato de consumo. Sabe que os atos de consumo têm impacto e que, mesmo um único indivíduo, ao longo de sua vida, produzirá um impacto significativo na sociedade e no meio ambiente.

Por meio de cada ato de consumo, o consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a  sustentabilidade, maximizando as conseqüências positivas e minimizando as negativas de suas escolhas de consumo, não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza.

O consumidor consciente também procura disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.

Além disso, o consumidor consciente valoriza as iniciativas de responsabilidade sócioambiental das empresas, dando preferência às companhias que mais se empenham na construção da sustentabilidade por meio de suas práticas cotidianas.

O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços, ou pela escolha das empresas da qual comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento sócio-ambiental.

Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.” (Ministério do Meio Ambiente)

Agora você me pergunta “Mas Vanessa, como vou falar sobre consumo consciente com uma criança?” 

Fácil fácil, é só você usar a linguagem da criança e então questionar sobre a necessidade de comprar aquilo que ela quer. Um aspecto muito importante é não menosprezar a capacidade de compreensão de uma criança, eles são muito inteligentes e conseguem entender bem esse tipo de assunto.

Aqui em casa tentamos praticar o consumo consciente ao máximo, sou adepta à trocas em grupos, compro em brechós, uso minhas roupas antigas e às faço parecer novas brincando com acessórios, na verdade, as peças que mais gosto de usar foram obtidas em brechós. Brechós e grupos de trocas são puro amor, gente! Ah, e é bom lembrar que não é só porque está baratinho que você deve comprar, porque esse “baratinho” pode ter custado à vida de uma outra pessoa, sabia?!

Sobre como falar sobre o assunto com crianças, vou dar um exemplo que aconteceu comigo. Ontem a Sossô e o Guel chegaram em casa com o milésimo bilhetinho da escola que oferecia uma forma de consumo. É óbvio que a criança chega empolgada, querendo e escolhendo e falando sem parar, e a mãe aqui já ficou irritada de cara com a escola. Me conta, onde está a coerência de uma escola pública que não trabalha o consumo consciente com as crianças? Mas enfim.

Ouvi o que os dois tinham a dizer sobre o kit, deixei que falassem muito e só depois de muito falatório da parte deles comecei o trabalho subversivo. Cada um queria um kit e não era uma coisa absurdamente cara, até dava pra comprar para os dois, mas a primeira coisa que falei foi “se a gente for comprar, será só um, então conversem e escolham um, o que vocês dois preferirem juntos!”. Daí começou a encrenca, porque além de incentivar o consumismo a porcaria também era sexista, todos os kits eram ou de princesas ou de super-heróis, ou seja, “a porqueira era do demonho memo”. 

Daí a mãe aqui, que é um docinho, deu aquela chamada nos dois, com um tom de voz bem alto e já começou o discurso do “Vem cá, você estão precisando de mais um desses kit’s? Vamos pensar sobre isso juntos? Olhem o tanto de cd’s e livros que vocês têm e me digam se precisam de mais um desses!” 

É claro que deu-se início a uma série de reclamações, dramas, choros e chantagens, dei um tempo pra cada um dos dois pensar e pronto, depois de toda a dramatização concluíram juntos que realmente não precisavam de mais um desses kit’s, sendo assim, seguimos alegres e felizes, entendendo que não é porque queremos ou porque é baratinho que precisamos e que o consumismo é coisa de gente não bem resolvida e faz mal pra todo o mundo SIM. 

Eles podem ainda não entender sobre as condições de trabalho escravo que o consumismo impõe, sobre o capitalismo, sobre os danos causados ao meio ambiente, sobre o enriquecimento dos mais ricos, sobre o consumismo compulsivo como recompensa, mas eles já conseguem entender que não é preciso ter muito pra estar feliz, e pra mim, isso basta, por enquanto!

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