Alimentação Infantil · Introdução Alimentar · Maternidade · Utilidade pública

Rotina Alimentar Infantil e IA (parte 1)

annual Family Picnic

Sou nutricionista mas também mãe de três e acho que já passou da hora de falar sobre esse assunto, néah non?! Pois então, como meu trabalho é com mães participo de muitos grupos maternos e percebo que a maior crise e dúvidas de todas as mães estão relacionadas à introdução alimentar e rotina alimentar. Infelizmente a maioria dos pediatras não são capacitados para oferecer um acompanhamento ideal nessa fase e é então que entra o papel da nutricionista. Mas antes de mais nada, quero falar da vivência na nossa casa, e pra isso farei uma sequência de post’s, e esse primeiro é pra contar minha experiência como mãe.

Aqui a regra principal era amamentação em livre demanda, consegui amamentar os 3, e só o José Miguel não foi por tempo prologando, por motivos que não vem ao caso agora, mas só o fato de amamentar e compreender a importância da livre demanda já torna o processo da Introdução Alimentar (IA) menos complexo, na minha opinião e experiência.

Quando as crianças dessa casa começaram a entrar fase “trevosa” da IA o que fizemos foi buscar informações, é claro que como nutri já tinha uma base do que deveríamos fazer e como, porém o mundo evolui, novas técnicas são criadas e resultados de novos estudos são apresentados, sendo assim, o que fiz com a Sossô não fiz com o Zé e o que não fiz com o Zé fiz com a Maria. A nossa sorte é que o pediatra que os acompanha sempre me respeitou na minha posição de nutri e deixou por nossa conta a introdução alimentar. Em algumas consultas até discutíamos novos estudos e tudo mais, pedíamos à ele alguns conselhos, mas ele deixava bem aberta essa questão, e sempre me lembrava quem era a nutricionista ali e quem estava mais preparada para lidar com a situação.

Aqui as crianças comem muito bem, possuem uma alimentação aberta e completa, às vezes apresentam alguma resistência, mas ainda assim experimentam, não são privadas de experiências, sejam “saudáveis ou não saudáveis”, têm liberdade de escolha e têm nos mostrado que já sabem optar pelo “mais saudável”, e nenhum deles apresenta intolerância alimentar ou até mesmo alergia, o que facilita bastante essa questão.

Agora, sejamos honestos, quando digo que eles comem de tudo quero dizer que eles comem de tudo mesmo. Comem doces, bolachas, bebem refrigerantes e comem industrializados. “Maaaaaas como assim? Você é nutricionista e permite uma atrocidade dessas?!?!” Então, a questão é que estamos inseridos em um sistema que não vai mudar por completo só porque decidimos criar crianças naturalistas e protegidas de todo mal, sendo assim precisamos nos adaptar à realidade e ensiná-los a ter autonomia sobre todo e qualquer tipo de assunto pra que eles façam a melhor escolha.

Na maternidade aprendi uma lição, existe o ideal e existe o real, como estamos inseridos em um sistema falido, às vezes será preciso se adequar ao real, infelizmente!

Nenhum deles tomou refrigerante no copinho de transição, na nossa casa não é comum ter refrigerante, mas na casa dos avós tem, no aniversário do coleguinha tem e eles tomam, mas compreendem que refrigerante não “mata” a sede, daí se sentem sede, pedem água.

Aqui nessa casa tem fruta, muita fruta, á disposição, á vista deles e eles pedem fruta. Aqui também tem muita verdura e legumes, e eles comem. Comem carne, ovo, arroz e feijão, mas a preferência é pelo macarrão, quem não?!?!

Aqui não compramos doces/balas/pirulitos, mas infelizmente a maioria das “lembrancinhas” de aniversário são recheadas dessas coisinhas aí e eles trazem pra casa, mas fica tudo muito bem guardado e, por incrível que pareça, eles não ficam desorientados, pedindo. E, na maioria das vezes vai tudo pro lixo, exceto aqueles docinhos de festa, como o brigadeiro, esses a gente “libera”.

Outra coisa na qual damos prioridade, e acredito que faz parte desse “sucesso” no quesito alimentação correta, é a rotina alimentar, horário, sentar a mesa. Uma criança precisa entender a importância de uma rotina alimentar, o porque de se alimentar, de se cuidar, e principalmente de saber escolher. Aprendi uma vez com uma psico terapeuta infantil algo que nunca mais vou esquecer, crianças precisam ter autonomia, só assim saberão escolher quando adultas. Se você ensina à uma criança o porque do bom ser bom ela não vai ter problemas em optar pelo bom.

Outra coisa que acredito que faz a diferença aqui nessa casa é a não substituição, se a criança recusa o almoço ela não vai comer algo que o substitua, ela vai ter que ficar esperando a próxima refeição sim. Nada disso de dar aquele que “vale um bifinho” só pra criança não ficar com fome ( na verdade, aqui nem tem desses “bifinho” aí), aqui não tem substituição, não! Se não quis comer é porque não ter fome, e ok pra isso. Ou come ou espera a próxima refeição, podem me condenar, mas é assim que funcionou pra gente.

Fica aí nossa experiência, acho muito importante dividir primeiramente minha vivência antes de falar como profissional, porque existem rotinas, culturas, realidades muito diferentes nesse nosso país e não adianta nada jogar um monte de regras e normas e pá, fingir que é só isso. É preciso falar sem hipocrisia, néah non, mores?! Se é pra ajudar, quero ajudar te contando primeiramente que nem tudo vai dar certo, mas que vai ficar tudo bem, e que o seu esforço é o que vai fazer valer a pena. Ah, e que é preciso respeitar as escolhas das outras mães e também é preciso ter a mente aberta pra viver nesse sistema, porque não vai dar pra correr pras montanhas…hahahahahaha

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