Tudo muda

Gavetas, agendas, rasuras e pessoas…

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Tive, e ainda tenho, amigas que são ótimas com gavetas organizadas, agendas atualizadas e textos sem rasuras, eu nunca consegui. Se organizo uma gaveta, a organização não dura mais que três dias, se começo uma agenda não consigo não deixar falhas, e ao escrever um texto não vejo a possibilidade de não rasurar, será que vim com defeito? Detesto desorganização, mas sou desorganizada, sei que agendas atualizadas facilitam a vida, mas não consigo atualizá-las e é óbvio que textos não rasurados são mais bonitos, mas as rasuras parecem fazer parte de mim. Com frequência me sinto rasurada por mim mesma.

Já me achei péssima. Sempre digo isso pras poucas pessoas que conseguem conviver comigo, e elas insistem em dizer que nunca fui. Quando digo que achava isso não estou fazendo aquele tipo de joguinho, quem me conhece sabe disso, até porque detesto joguinhos. O fato é que não me vejo como as outras pessoas me veem e durante um tempo isso foi um problema pra mim.

Há quem diga que sou arisca, antissocial, grossa, brava, seca, não sei se sou, só que não tenho muita facilidade em cultivar relacionamentos. As vezes me falta um pouco de paciência pras convenções sociais que as relações exigem. Detesto a frescura que essas coisas exigem, nunca consigo me lembrar de aniversários, compromissos e não tenho paciência pra muita coisa. Gosto de sentar e tomar um café com meus amigos, tanto pelos amigos quanto pelo café. O bom é que os poucos que tenho, estão aqui, seja porque me conhecem bem ou porque sabem respeitar a desorganização que sou.

Aparentemente, muita gente não gosta de mim, não são poucas as pessoas que inventam histórias e fofocas ao meu respeito, que tecem comentários maldosos à respeito do que pensam que sou, mas nem ligo, já nem me defendo e muito menos os desminto, o que eles pensam de mim é problema deles.

Confesso que há um tempo atrás isso me incomodava bastante e já fiz muita força pra tentar ser legal, desfazer as mentiras, me mostrar como uma pessoas bacana, hoje apenas sigo meu caminho, sei quem sou. Sou chata sim, emburrada também, arisca às vezes, frequentemente desbocada e debochada, avessa ao moralismo, mas é o que sou, e quem gosta permanece por perto justamente por isso.

Pra quê gastar energia com aquilo que parece imutável? Acho que deveria experimentar não organizar mais as gavetas, pra não ter a frustração da desorganização, não começar uma agenda, pra não me sentir derrotada ao abandoná-la em uma das gavetas desorganizadas e aceitar as rasuras nos meus textos que falam tão bem sobre mim, e quanto ás pessoas, prefiro nem falar nada.

*mais um dos meus textos que foram escritos no final de 2016

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